Filha de Barbosa detalha amor do pai pela camisa da Seleção e conta dramas de 50



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* Por Rafael Pereira e Vinícius Perazzini

“Barbosa jogou futebol por amor, não ganhou nada do futebol. Ele sempre fez da camisa da Seleção Brasileira a sua segunda pele”.

Neste dia 7 de abril, completam-se 16 anos da morte do goleiro da Seleção na Copa de 1950. Como Blog Segunda Pele também conta a história de jogadores marcantes, conversamos com Tereza Borba, filha adotiva do antigo arqueiro, que foi acusado de ter falhado na final contra o Uruguai.

Tereza, nascida 13 anos após 1950, mora em Santos e tornou-se “embaixadora” da imagem do seu pai, fazendo exposições sobre ele e dando palestras sobre suas conquistas. Pelo Vasco, o goleiro foi campeão sul-americano em 1948 e conquistou o Campeonato Carioca por seis vezes (1945, 1947, 1949, 1950, 1952 e 1958).

– Venho lutando pela memória dele há muitos anos e, graças a Deus, venho encontrando reconhecimento de torcedores de todos os times. Minha luta não está sendo em vão. Luto pela memória dele, para que as pessoas saibam quem foi o Barbosa, pois tem gente que acha que ele caiu de paraquedas na Copa de 50. Ele só foi para Copa porque ele era o melhor goleiro (do Brasil) e até hoje continua sendo.

Tereza também contou detalhes impressionantes sobre os bastidores da Seleção Brasileira durante a Copa de 1950. Para ela, o Brasil perdeu aquela Copa do Mundo por conta de questões políticas e revelou que os jogadores chegaram a ficar sem comer bem.

– A derrota em 1950 não teve um fator só. O Barbosa sempre falava: “O Brasil ganhou todos os jogos antes da final, mas não se deve envolver futebol com política”. Durante a Copa de 50, os jogadores começaram a competição hospedados em um lugar mais tranquilo, uma casa no Joá, na zona oeste do Rio. Porém, como o time estava bem e era ano de eleição, o elenco foi levado antes do quadrangular decisivo para um alojamento em São Januário, e lá recebeu muitos candidatos. Eles iam comer, vinha candidato para deputado. Iam dormir, vinha candidato para presidente. Eles não tinham paz. Na véspera da final, eles ficaram trancados no alojamento e não comeram direito por conta dessa agitação, ficaram fracos – revelou a filha de Barbosa, depois contando outro fato que pesou contra o Brasil.

– No dia anterior a decisão, um famoso jornal publicou a foto da Seleção e a inscrição: “Os campeões mundiais”. Assim que viu isso, o técnico do Uruguai, Juan Lopez, mandou comprar muitos jornais e espalhou aquelas fotos pelos quartos dos jogadores, colocando até no chão. Isso motivou demais o time uruguaio. Enquanto isso, os brasileiros estavam fracos.

 

camisa-da-selecao-brasileira-1950-1369695404319_956x500Seleção Brasileira jogou sua última Copa de branco em 1950

Momentos antes daquela final, Barbosa sentiu que aquele dia seria complicado para a Seleção.

– Assim que ele subiu a escada do Maracanã rumo ao campo, ele percebeu que a bandeira do Brasil estava colocada de cabeça para baixo. Ali ele pensou: “Não vai dar certo…”

PAIXÃO PELO FUTEBOL

Sou filha de coração do Barbosa, pois ele não teve filhos naturais porque não tinha tempo para cuidar. Ele dedicou sua vida ao futebol, era a paixão dele. Mesmo sem ganhar dinheiro, ele pegava “busão” para jogar. Assim foi após a final da Copa de 1950. Quando terminou o jogo, ele pegou um ônibus e foi para a moradia dele em Ramos (bairro do subúrbio do Rio).

CAMISA DA SELEÇÃO COMO SEGUNDA PELE

Ele falava que servia à pátria. Ele não jogava para ganhar dinheiro, porque na época não se ganhava dinheiro. Ele quase morreu em uma situação difícil, mas graças a Deus conseguimos amenizar a situação dele. Se não fosse isso ele teria morrido às mínguas, embaixo de uma ponte. A camisa da Seleção foi a segunda pele dele, pois ele vestiu por amor.

SENTIMENTO DEPOIS DO 7 X 1

Muitas pessoas jornalistas e amigos me ligaram e falaram que agora o Barbosa vai descansar em paz. No dia até falaram que foi uma tragédia, mas agora todo mundo já esqueceu e virou a página. Até hoje, ninguém foi tão injustiçado como o Barbosa. Eu não gostaria e acho que ele também não gostaria que alguém fosse crucificado como ele foi.

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Tereza ao lado da estátua de Barbosa (Foto: Reprodução)

IDOLATRIA

Pessoas vêm me agradecer e dizem que o Barbosa é ídolo. Torcedores de todos os times do Brasil mostram grande respeito. Eu vivo em memória dele. E um dia eu falei para ele: “Neguinho, o dia que você ir, eu vou continuar com esse trabalho de mostrar para as pessoas o que você fez pelo futebol brasileiro”.

FIFA E CBF

Eu faço exposições, dou palestras sobre o Barbosa, e não ganho nada. Meu marido, que é vascaíno doente, e meu pai é que são patrocinadores, nós é que tiramos do nosso próprio bolso. Nunca a CBF ou Fifa ligou e perguntou se estávamos precisando de alguma ajuda para seguir levando a memória do Barbosa.

AJUDA DO VASCO

O Barbosa estava em uma situação muito difícil uns cinco ou seis anos antes de morrer. Ele queria um lugar para morar, mesmo tendo a minha casa, pois ele queria privacidade dele. Um dia no Rio de Janeiro, o Vasco fez uma homenagem aos seus jogadores de 1948, campeões do primeiro Sul-Americano, e ele foi recebido como se fosse um rei. Quem bancou o Barbosa até a morte foi o Eurico Miranda.



  • O CHORO É LIVRE!

    INJUSTICA O QUE FIZERAM COM ESSE HOMEM!

    7×1

  • RENATO

    JOGARAM TODA A CULPA DA DERROTA NELE INJUSTAMENTE.

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