Vitória incontestável brasileira aprofunda drama argentino



O Brasil se impôs categoricamente sobre a Argentina, mereceu vencer por 3 a 0 e consolidou a liderança na tabela de classificação das eliminatórias para a Copa de 2018. Já a Argentina aprofundou ainda mais o seu calvário, estacionando na 6ª colocação a impressionantes 8 pontos do Brasil. O placar foi justo pelo jogo em si e pelos efeitos que terá daqui para frente na relação da Seleção Brasileira com o Mineirão, estigmatizada pelos terrivelmente inesquecíveis 7 a 1 impostos pela Alemanha na Copa de 2014.

Neymar e seus companheiros resgataram o Mineirão de Tostão, Reinaldo, Wilson Piazza, Dirceu Lopes, Toninho Cerezzo, Alex e Telê Santana. O Mineirão sediou um duelo – Messi x Neymar – que era esperado pelo mundo inteiro e que teve o craque brasileiro como grande vencedor. Os mineiros puderam celebrar, em seu templo, um triunfo histórico da seleção brasileira sobre sua eterno rival.

O confronto reuniu uma equipe de futebol organizada contra um bando de jogadores. Foi uma situação clássica em que maior posse de bole não significou nada. A Argentina controlou 54% do tempo a pelota, mas chutou menos a gol (8 contra 11 do Brasil). Foi uma equipe inócua em vários momentos, que acabou produzindo a “catástrofe argentina” como definiu o diário “Olé”.

Tite planejou magnificamente a equipe. E se viu prejudicado logo aos 6 minutos da partida pelo precipitado e injustificável cartão amarelo aplicado pelo árbitro em Fernandinho, o jogador que, por certo, estaria mais frequentemente encarregado de vigiar Lionel Messi. No entanto, a inconsistência do plano de jogo de Patón Bauza desperdiçou qualquer efeito positivo que poderia gerar o retorno de Messi à equipe. Afinal, como o diário Marca sintetizou a atuação argentina: “Ni com Messi, ni sin Messi”.

Os gols brasileiros revelaram aspectos cruciais da seleção que está sendo formada. O primeiro foi uma obra de arte de Philippe Coutinho, num lance como o que tanto temíamos que Messi pudesse realizar durante o jogo. Pois foi o craque brasileiro que usou sua técnica, habilidade e inteligência para abrir o marcador, num petardo mortal no ângulo esquerdo argentino.

O segundo contou com a participação fundamental de Gabriel Jesus, que enfiou uma bola milimétrica para Neymar, em velocidade e sem marcação, deslocar o indefeso goleiro argentino Sergio Romero e assinalar seu 50º tento pela Seleção Canarinho. O futuro pupilo de Pep Guardiola foi reverenciado pela equipe inteira pela assistência primorosa.

A segunda etapa consagrou a desorganização tática argentina agravada pela saída do meia Perez e pela entrada de Kun Agüero. Mesmo tendo em campo Di Maria, Messi, Higuaín e Aguero o time argentino ameaçava pouco a organizada defesa brasileira. A bagunça da equipe de Bauza se personificava na inoperância do quase sempre impecável Javier Mascherano, perdido, impotente, desesperado no meio campo.

Paulinho fechou o marcador com um gol típico seu, aparecendo na grande área para concluir um cruzamento de Renato Augusto.

A incrível sequência de 5 vitórias consecutivas nas eliminatórias a partir da chegada do técnico Tite e a evidente evolução tática da equipe, inclusive do ponto de vista defensivo, provam que o futebol brasileiro está longe de viver a pior crise técnica da sua história. Ao contrário, o ataque brasileiro, por exemplo, formado por Coutinho, Jesus e Neymar pode perfeitamente jogar não apenas o Mundial da Rússia mas o seguinte também.

Já a Argentina patina com apenas um triunfo nas 5 partidas que disputou sob a direção de Bauza e seus 20% de vitórias, muito inferior ao obtido pelos seus antecessores: Gerardo Tata Martino com 65,5%, Alejandro Sabella com 62,5%, Sergio Batista com 47,05% e Diego Maradona com 73,68%.

 

 

 

 



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