Uruguaio Eugenio Figueredo, ex-presidente da Conmebol, faz novas delações à justiça de seu país



Um novo capítulo do processo envolvendo os ex-dirigentes da Conmebol deverá ampliar em termos internacionais a crise no futebol.

Segundo o diário de Montevidéu  “El País”, Eugenio Figueredo, 83 anos, ex-presidente da Conmebol, afirmou, em juízo, que todos os “10 presidentes das federações nacionais sulamericanas são receptadores de dinheiro ilegal”. Ele incluiu o nome do também uruguaio Sebastián Bauzá, ex-presidente da Associação Uruguaia de Futebol (AUF), que, até agora, não havia sido mencionado nas investigações conduzidas pelos oficiais da justiça norte-americana.

Figueredo, extraditado em seu próprio país, também acusou o espanhol Gorka Villar, 40 anos, secretário geral da Conmebol e filho do presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, Ángel Maria Villar, de pressionar e ameaçar clubes uruguaios. O depoimento foi feito na última quinta-feira em audiência judicial em Montevidéu.

Villar à direita de Juan Napút, o ex-presidente da Conmebol (foto - conmebol.com)

Villar, à direita de Juan Napout, o ex-presidente da Conmebol que está preso (foto – conmebol.com)

Villar foi personagem central do testemunho de Figueredo quando este se referiu à denúncia formulada em dezembro de 2013 por Peñarol, Miramar Misiones, El Tanque Sisley, Juventud, Cerro Largo, Cerro, Rentistas e Racing, em conjunto com o sindicato dos jogadores de futebol profissional, em que acusavam a existência na Conmebol de uma “organização criminosa” que se apropriava de dinheiro que deveria ir para os clubes, para os jogadores e para a própria Conmebol. Villar teria ameaçado os clubes de suspensão à nível internacional se eles não retirassem a denúncia, se valendo do fato de ser filho de Ángel Villar, membro do Comitê Executivo da FIFA.

Diante do depoimento de Figueredo, o fiscal da justiça uruguaia responsável pelo caso “Conmebol”, Juan Gómez, confirmou que já solicitou à juíza do “Crime Organizado”, Adriana de los Santos, que formule um pedido à Justiça paraguaia para que ela autorize o espanhol Gorka Villar, secretário geral da Conmebol, com sede em Assunção, a prestar depoimento à justiça uruguaia.

Figueredo pretende cumprir prisão domiciliar (foto - conmebol.com)

Figueredo pretende cumprir prisão domiciliar (foto – conmebol.com)

Figueredo também admitiu ter recebido dinheiro de empresas que negociam os direitos de transmissão de TV das competições promovidas pela Conmebol, preterindo propostas de outras empresas concorrentes. Diante disto, o fiscal Gómez concluiu que “este modo de operar se traduzia em prejuízo aos clubes e aos jogadores profissionais, no caso específico do Uruguai, comprometendo gravemente os valores a que os denunciantes teriam direito”.

A contratação de Gorka Villar, em 2011, inicialmente para diretor jurídico e sua crescente influência nas decisões estratégicas da Conmebol, tem a ver com a histórica e íntima amizade entre o falecido ex-presidente da Associação de Futebol da Argentina (AFA) e membro do Comtrê Executivo da FIFA, Júlio Grondona, com o pai de Gorki, o espanhol Ángel Villar. Gorka foi nomeado secretário geral da Conmebol em dezembro de 2014.

Eugenio Figueredo foi internado, na última sexta-feira, no hospital da Associação Espanhola, em Montevidéu, mas já no domingo estava de volta na Prisão Central da cidade. Sua advogada vai insistir para que ele cumpra sua condenação em prisão domiciliar em função de sua idade e de seu problema cardíaco.

 

Atualizado às 23:12h de 28/12/2015

 

 



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