A UEFA vai mudar a Champions League por pressão dos grandes clubes europeus



A UEFA realizará, na próxima quinta-feira, em Mônaco, o sorteio da fase de grupos da Champions League 2016/17. Além disto, neste dia, decidirá também pelo novo formato da competição que entrará em vigor para o triênio 2018/2021 com desdobramentos profundos na vida dos clubes de todos os países.

Há tempos os grandes clubes das 4 principais ligas europeias (Inglaterra, Espanha, Alemanha e Itália) sonham e alinhavam o projeto de uma Superliga de clubes à NBA, com 24 membros, seguida de playoff, que também seja jogada nos finais de semana, se sobrepondo em importância às ligas nacionais e ocupando o lugar hoje ocupado pela Champions League. Michel Platini era o principal entrave a este formato de competição sustentando a participação ampla dos clubes de todas as federações pertencentes à UEFA numa posição até certo ponto romântica e mais politizada de organização do futebol já que acabava por garantir a presença de clubes de países menos potentes economicamente.Bandeira da UEFA

O formato que deverá ser votado na quinta-feira é fruto de uma longa e silenciosa negociação entre a ECA (Associação Europeia de Clubes) presidida pelo vice presidente do Bayern de Munique, Karl-Hanz Rummenigge, e a fragilizada e sem liderança atual UEFA, através da sua comissão de competições liderada pelo português Fernando Gomes. o holandês Michael Van Praag e o inglês David Gill, tendo como pano de fundo a eleição para presidente da entidade marcada para o próximo dia 14 de setembro.

Este entendimento deverá consagrar um modelo em que as 4 grandes ligas terão 4 vagas asseguradas por temporada, sendo que 3 serão determinadas pelo resultado da campeonato nacional e 1 por critérios de méritos históricos baseados num ranking cujas regras serão redefinidas pela UEFA de modo a que se assegure uma posição adicional aos tradicionais clubes (Benfica, Inter, Milan, Liverpool, Manchester United, Chelsea, etc). As ligas de força e tradição intermediárias como a França, Rússia e Portugal terão direito a 2 vagas garantidas. Mais outras 4 ou 5 posições serão destinadas a ligas como Holanda, Ucrânia, Bélgica e Turquia. As 5 ou 6 presenças suplementares serão disputadas por um playoff que deverá ser disputado por cerca de 50 clubes.

Rummenigge é o presidente da ECA e membro do Comitê Executivo da UEFA ( foto - site oficial da ECA)

Rummenigge é o presidente da ECA e membro do Comitê Executivo da UEFA ( foto – site oficial da ECA)

 

O provável novo desenho de disputa da Champions League pretende também elevar as receitas comerciais e de TV em algo como 20% na medida em que oferecerá mais segurança aos patrocinadores de que as grandes marcas do futebol europeu terão presença assegurada na disputa a cada ano. Os grandes clubes argumentam que são eles que investem em grandes estrelas e que geram as receitas substanciais da competição e que portanto não deveriam ter a presença ameaçada a cada temporada.

Na verdade a UEFA está aceitando estas imposições temendo perder a presença dos grandes clubes que ameaçam algo intermediário antes de saírem completamente da atual Champions League como, por exemplo, patrocinar a criação de uma empresa em sociedade com a UEFA para a exploração dos direitos comerciais e de TV do torneio. Da parte dos clubes o acordo também aparece como conveniente na medida em que há níveis diferenciados de radicalismo no nível de transformações que devem prevalecer no momento.Champions League

A ideia de trilhar num caminho de organização de competições mais empresarial e menos dependente dos méritos esportivos como são a NBA, a NFL é cada vez mais tentadora para os grandes clubes europeus que vem se transformando rapidamente em corporações empresariais milionárias e multinacionais. Entretanto a força da ideia do sentido de justiça esportiva e portanto dependente da meritocracia do resultado do campo deverá sempre estar presente nesta processo.

Os clubes brasileiros e sul-americanos, que se movimentam no sentido de definir objetivos comuns avançar em formas mais avançadas de organização, com a criação da Liga Sul-Americana de Clubes, deveriam acompanhar a evolução deste processo. A entidade já tem estatuto e uma diretoria eleita, presidida por Daniel Angelici, presidente do Boca Juniors, e tendo como primeiro vice-presidente, o brasileiro Romildo Bolzan, presidente do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense.

 

 



  • Thiago Toldo

    Ah, vai se f****.. Futebol moderno tá um nojo. Se quer assegurar vaga é só jogar bola, fio. Não à gourmetização do futebol.

    • Érik Borille da Silva

      Concordo!

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