UEFA estuda competição alternativa à Copa do Mundo, segundo The Sunday Times



Um artigo do publicado na edição de hoje, 31/05, do jornal britânico The Sunday Times, de autoria do jornalista indiano Mihir Bose, garante que os dirigentes europeus vem discutindo a possibilidade de que a UEFA venha a liderar um movimento que culmine num torneio que venha a rivalizar com a Copa do Mundo que é organizada pela FIFA.

Segundo o jornalista, a ideia estará na pauta de uma nova reunião da UEFA que deverá acontecer no próximo fim de semana em Berlim paralelamente à final da Champions League 2014/15 entre Juventus e Barcelona.

logo UEFA

A reeleição do presidente Joseph Blatter está sendo encarada por muitos dos principais dirigentes europeus como apenas um capítulo de uma longa disputa pela reforma radical da FIFA, a começar pela saída do presidente recém reeleito. Os desdobramentos políticos foram imediatos, a começar pela ausência do representante inglês David Gill da primeira reunião do Comitê Executivo da entidade realizada na manhã seguinte ao pleito e sua provável renúncia ao cargo. Especula-se que o próprio príncipe jordaniano Ali bin al-Hussein, derrotado por Blatter, poderá adotar a mesma atitude.

David Gill não foi à reunião do Comitê Executivo ( foto - site oficial do MUFC)

David Gill não foi à reunião do Comitê Executivo ( foto – site oficial do MUFC)

O fato de que vários países não europeus como o Canadá, os Estados Unidos, a Nova Zelândia e vários sul-americanos, dentre eles a Argentina, e do Oriente Médio, sugere que um torneio alternativo à Copa do Mundo poderia sensibilizar participantes de outras regiões do mundo que não apenas os membros da UEFA.

É razoável se imaginar que um torneio que mobilize os mercados que estão por trás das seleções destes países possa atrair a atenção de muitos dos principais patrocinadores do esporte no mundo, notadamente em função dos episódios recentes que colocam a FIFA e seus dirigentes numa situação delicada do ponto de vista da imagem e da credibilidade diante da opinião pública mundial.

O fato é que o presidente da UEFA, Michel Platini, vem agindo com desenvoltura na articulação de saídas alternativas e uma delas é a de que a maioria dos membros da entidade presidida por ele resolva se desfiliar à FIFA. Este caminho está sendo ostensivamente discutido pela FA – como já reconheceu seu chairman em entrevistas – e pela mídia inglesas.

Michel Platini é o presidente da UEFA (foto - site oficial da UEFA)

Michel Platini é o presidente da UEFA (foto – site oficial da UEFA)

O próprio príncipe William, presidente honorário da FA, aproveitou a presença em Wembley neste sábado para acompanhar a final da FA Cup vencida pelo Arsenal, para reforçar esta posição: “todos que apoiam a Fifa, entre os quais os patrocinadores e as confederações, precisam fazer o seu trabalho e pressionar para que sejam feitas reformas. Não vamos ajudar o futebol se não fizermos isso”.

Um futuro mais limpo e eticamente consistente para o futebol mundial não passará apenas pela reforma por dentro da FIFA ou por um caminho alternativo que pode até implicar no surgimento de uma entidade alternativa a ela. A questão fulcral colocada pelo extraordinário desenvolvimento do futebol como business e a consequente geração de receitas bilionárias através de suas competições está em como criar instrumentos de gestão que desestimulem ou, se possível, impeçam que seus gestores busquem privatizar ou participar ilicitamente de seus fantásticos lucros e que se valham deles para perpetuar seu poder político.

Joseph Blatter está na presidência da FIFA há 17 anos (foto - site oficial da FIFA)

Joseph Blatter está na presidência da FIFA há 17 anos (foto – site oficial da FIFA)

Como bem adverte o professor Stefan Szymanski da Universidade de Michigan, em artigo publicado pelo jornal inglês The Observer, ” a questão econômica fundamental é que a Copa do Mundo gera muitos recursos do que ela custa para ser realizada – jogadores recebem pouco, os clubes recebem pouco, o país sede que garante a infraestrutura ganha pouco – permitindo que a maior parte do dinheiro gerado se destine à aplicação futura determinada pela própria FIFA. Pode ser cínico se afirmar isto, mas onde que quer que haja muito dinheiro para ser alocado de uma maneira discricionária, há um tentador espaço e incentivo para que pessoas se beneficiem da situação”.

O professor Stefan Szymanski é co-autor do livro "Soccernomics"

O professor Stefan Szymanski é co-autor do livro “Soccernomics”

Isto explica tanto os  votos que garantiram a reeleição do mundialmente questionado Joseph Blatter quanto os crimes que começam a ser apontados pela justiça americana e que também estão sendo apurados pela justiça suíça.

Portanto, tem alguma razão Franz Beckembauer, presidente de honra do FC Bayern de Munique, que declarou ao jornal alemão  Thüringer Allgemeinen:” o problema não está no indivíduo, mas no sistema.”



  • Nelson Fernandes

    Chega de Blatter Marina e Dell Nero, cadeia neles e um basta a corrupção

    • Akira Sato

      O problema de tirar o Del Nero, é entrar o andrez sanchez, outro problema!

  • Dezessete anos ininterruptos é demais! Quatro anos renovados por mais quatro e, após, não se candidatar mais nem exercer outro cargo na Instituição.

MaisRecentes

Há 50 anos, o “Bola de Ouro” húngaro Albert vestia a camisa 9 do Flamengo



Continue Lendo

FIFA revoltada com ausência de Messi na festa do “The Best”



Continue Lendo

Última chamada na Champions League: 7 clubes disputam 4 vagas.



Continue Lendo