UEFA elege candidato apoiado pelo presidente da FIFA



O advogado esloveno Aleksander Ceferin, 48 anos, foi eleito presidente da UEFA para completar o mandato que era exercido pelo ex-presidente Michel Platini que se encerra em 2019. Ceferin recebeu 42 votos contra 13 do presidente da Real Federação Holandesa de Futebol, Michael Van Praag, nome apoiado pela federação de seu país e pela FA inglesa. O presidente da Real Federação Espanhola de Futebol, Ángel María Villar, era o terceiro candidato, mas desistiu de concorrer no último mês.

O dirigente esloveno é o presidente da federação de seu país desde 2011 e, desde então, serviu como vice-presidente do Comitê Legal da UEFA. Seu nome foi lançado inicialmente pelas federações dos países nórdicos e claramente contava com a simpatia do presidente da FIFA, Gianni Infantino, ex-dirigente da própria UEFA, apesar da negativa reiterada deste. Ele recebeu os votos de federações poderosas no continente como as da França, Alemanha, Itália e Rússia. O apoio de Infantino pode ser medido desde que ele indicou o também esloveno Tomaz Vesel para presidente do Comitê de Auditoria da entidade.

O esloveno é o presidente mais jovem da história da UEFA que, desde sua fundação em 1954, teve como presidentes: o dinamarquês Ebbe Schwarzt, o suíço Gustav Wiederkher, o italiano Artemio Franchi, o francês Jacques Georges, o sueco Lennart Johansson e o francês Michel Platini.

Aleksander Ceferin nunca foi membro do Comitê Executivo da UEFA (foto - uefa.com)

Aleksander Ceferin nunca foi membro do Comitê Executivo da UEFA (foto – uefa.com)

Em seu discurso após a vitória, Ceferin anunciou que pretende liderar a entidade numa era de “estabilidade, esperança, equilíbrio e amizade.  Sou um homem de equipe. Não sou um showman. Estou pronto para apresentar os projetos que levem a UEFA a um outro nível”.

O esloveno se dirigiu aos delegados presentes à eleição dizendo que “é uma grande honra, mas também uma grande responsabilidade. Isto representa muito para mim. Minha pequena e maravilhosa Eslovênia¹ está muito orgulhosa e espero que um dia vocês também se sintam orgulhosos de mim”.

A Associação Europeia de Clubes (ECA) se manifestou contratulando Ceferin pela vitória e reafirmando que espera que “ele dê prosseguimento na colaboração construtiva baseada no respeito mútuo e de unidade com o organismo de direção do futebol europeu sob a sua liderança”.

De pronto, Ceferin garantiu que reabrirá a discussão sobre as mudanças aprovadas, mês passado, pelo Comitê Executivo da entidade estabelecendo que as quatro maiores ligas do continente – Bundesliga, Série A, La liga e Premier League – passariam a ter asseguradas 4 vagas na fase de grupos da Champions League a partir da temporada 2018/19.Bandeira da UEFA

O novo presidente da UEFA admitiu que “sentarei com todas 55 federações para verificar exatamente qual é o acordo e que podemos fazer no futuro sobre ele. Independente de eu querer ou não, eu terei que tratar do assunto e será a primeira coisa que farei”. Evidentemente a revisão desta decisão poderá abrir uma importante questão política com os grandes clubes do continente que jamais abandonaram a ideia de criação de uma Superliga Europeia de Clubes que venha a substituir a atual Champions League com a garantia de participação permanente dos grandes clubes, independente das colocações que obtenham nas ligas nacionais a cada temporada.

A consequência política principal da eleição de Ceferin é a volta do poder político direto da FIFA sobre a entidade que conduz o futebol europeu. Desde a eleição de João Havelange, em 1974, FIFA e UEFA passaram a ter direções autônomas do ponto de vista político. Por anos a UEFA seguiu dirigida pelo Sueco Lennart Johansson que buscou, sem sucesso, chegar ao poder na FIFA. Mesmo a partir da eleição do suíço, Joseph Blatter, a FIFA seguiu sendo sustentada principalmente pela representatividade espalhada pelas entidades dos demais continentes.

 

¹ A Eslovênia fez parte, de 1945 a 1991, da República Socialista Federativa da Iugoslávia e passou a integrar a União Europeia a partir de 1 de maio de 2004. Sua capital é Liubliana e tem uma população de pouco mais de 2 milhões de habitantes.



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