Tribunal da Conmebol, presidido por brasileiro, elimina o Boca Juniors da Libertadores 2015



A Conmebol anunciou na noite deste sábado que o Boca Juniors está eliminado da Copa Libertadores 2015  em função dos acontecimentos ocorridos no estádio La Bambonera durante a partida contra o River Plate na última quarta-feira. A decisão foi tomada pelo Tribunal de Disciplina da entidade presidido pelo advogado brasileiro Caio César Vieira da Rocha que viajou neste sábado pela manhã para Assunção. A reunião teve mais de 10 horas de duração.

O Boca Juniors também terá que pagar uma multa de 200 mil dólares, será obrigado a jogar 4 partidas no estádio com portões fechados e não poderá vender ingressos para seus torcedores em 4 partidas como visitante, ambas válidas para partidas organizadas pela Conmebol. O estádio La Bambonera não foi interditado, nem o clube foi eliminado das futuras competições continentais.

Com a decisão o River Plate está classificado para enfrentar o Cruzeiro na próxima fase da competição.

A seguir o comunicado oficial publicado no site oficial da Conmebol:

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No dia de hoje, o Tribunal de Disciplina, em relação aos incidentes ocorridos na partida disputada no passado dia 14 de maio na cidade de Buenos Aires entre as equipes Club Atlético Boca Juniors e Club Atlético River Plate, pelas oitavas de final da Copa Bridgestone Libertadores 2015, decidiu o seguinte:

1 – Desqualificar o Club Atlético Boca Juniors da Copa Bridgestone Libertadores 2015, sem exclusão de futuras competições.

2 – Impor ao Club Atlético Boca Juniors uma sanção que consiste em jogar suas próximas quatro (4) partidas como mandante em competições oficiais organizadas pela Conmebol com portões fechados.

3 – Proibir o Club Atlético Boca Juniors de vender entradas a seus aficionados para as próximas quatro (4) partidas que dispute como visitante em competições oficiais organizados pela Conmebol. Esta proibição de venda de entradas aos aficionados do Club Atlético Boca Juniors se estende aos clubes que atuem como mandantes nos referidos encontros.

4 – Impor ao Club Atlético Boca Juniors uma multa como sanção adicional de US$ 200.000. O valor desta multa será debitado automaticamente do montante a receber pelo Club Atlético Boca Juniors da Conmebol relativo a direitos de televisão ou patrocínio, ou em outro caso deverá ser depositado total ou parcialmente na conta bancária que a Conmebol indique para essa finalidade.

5 – Advertir expressamente o Club Atlético Boca Juniors que, em caso de repetição de qualquer infração à disciplina desportiva de igual ou similar natureza à que deu causa a este presente procedimento será aplicado o disposto no artigo 43 no regulamento disciplinar e as consequências que podem derivar do mesmo.

Contra esta decisão cabe recurso na Câmara de Apelações da Conmebol no prazo de sete dias a partir do dia seguinte ao da notificação desta decisão.”

Tribunal Disciplinar é presidido pelo presidente do STJD da CBF

O Tribunal Disciplinar da Conmebol, criado em 2012, é presidido pelo advogado brasileiro Caio César Vieira Rocha e conta com o uruguaio Adrián Leiza Zunino (vice presidente), o boliviano Alberto Lozada Añez, o chileno Carlos Tapia Aravena e o colombiano Orlando Morales Leal.

Caio César Vieira da Rocha, 34 anos, é o presidente do STJD da CBF. Ele é bacharel em direito pela Universidade de Fortaleza (2001), Mestre em Direito Público pela Universidade Federal do Ceará (UFC – 2006) e Doutor em Direito pela Universidade de São Paulo (USP – 2012). Ele é Membro da Comissão de Estudos Jurídicos Desportivos (CEJD) do Conselho Nacional do Esporte (CNE), do Ministério do Esporte, desde 2009. Entre 2009 e 2011, ele foi membro da Câmara de Resoluções de Disputas da FIFA, em Zurique (Suíça).

Mídia argentina

As medidas adotadas pela Conmebol foram recebidas com relativa decepção pela mídia argentina que se mostrou excepcionalmente crítica e equilibrada diante do episódio. O site do diário esportivo “Olé” considera “baratas, baratíssimas” as sanções contra o Boca Juniors. Já o site do “El Clarin” classifica as medidas como “leves”, mesmo adjetivo aplicado pelo site do “La Razón”. Quase todos os veículos de comunicação do país definiram o caso como “vergonhoso”.

A Bambonera ainda usa arame farpado para separar a torcida do gramado ( foto ~Lance!Net)

O estádio La Bambonera ainda usa arame farpado para separar os torcedores do gramado ( AFP Photo)

Decisão indica mudança de postura da Conmebol

Coerente com o autismo que vem caracterizando seu comportamento diante dos fatos ocorridos em seu estádio, onde só se encontravam torcedores do seu clube, o presidente do Boca Juniors, Daniel Angelici, revelou que não está de acordo com a punição e que vai apelar da decisão. Se o fizer, a direção da entidade sul-americana promete examinar o assunto até a próxima terça-feira.

O brasileiro Eduardo Carlezzo é um dos advogados que atuam em defesa do clube. Ele é Bacharel em Direito pela Universidade Regional Integrada (Erechim, 2001) e tem  MBA em Direito da Economia e da Empresa pela Fundação Getúlio Vargas (SP, 2003).

O comportamento de Angelici demonstra que ele está deslocado no tempo e no espaço em relação às coisas do futebol internacional contemporâneo. Fica mais fácil agora se entender por que mais de 300 pessoas já foram assassinadas na Argentina nos últimos anos por conta de brigas entre torcidas de clubes de futebol, por que seus estádios estão velhos e decadentes, por que grande parte dos clubes daquele país é administrada sob a coação dos temidos “barras bravas”, que não passam de gangs de criminosos de todos os tipos que se financiam dentre outras coisas pela revenda de ingressos fornecidos pelos próprios clubes.

Como classificar o comportamento de alguém que premedita o lançamento sobre jogadores de futebol de um clube adversário de um líquido preparado artesanalmente que mistura pimenta com ácido como revelou a perícia toxicológica da polícia argentina?

As medidas da Conmebol podem ser consideradas brandas diante da virulência e da premeditação da agressão contra os atletas do River Plate. Mas é inegável que elas representam uma mudança radical na postura historicamente conservadora e conivente da entidade diante de problemas de segurança em estádios de futebol. Um primeiro exemplo na direção correta está dado.

As autoridades argentinas de segurança tem pouco menos de um mês para provar que assimilaram a gravidade dos incidentes da última quarta-feira. Boca Juniors e River Plate voltarão a se enfrentar no próximo dia 9 de junho no estádio Mário Alberto Kempes na cidade de Córdoba (690km de Buenos Aires) pela Copa BBVA Francês 2015.

Última atualização às 10:04 de 17/05/2015

 

 



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