Torino faz história num derby manchado pela violência entre as duas torcidas



A violência imperou dentro e fora do estádio, antes e durante o derby histórico entre Torino e Juventus neste domingo em Turim, vencido pelo Torino, de virada, por 2 a 1, pela Série A do campeonato italiano. Os conflitos resultaram em 10 pessoas feridas e 5 torcedores presos.

A tarde não foi apenas de festa entre as torcidas de Torino e Juventus (foto - site oficial do TFC)

A tarde não foi apenas de festa entre as torcidas de Torino e Juventus (foto – site oficial do TFC)

Os problemas começaram com as ruas da cidade transformadas em campos de batalha por torcedores de ambos os clubes já no final da manhã de domingo. Um dos conflitos mais graves ocorreu na Praça da União Soviética obrigando a intervenção severa da polícia para que a ordem fosse restabelecida na região. Outros confrontos aconteceram logo a seguir na região da avenida Sebastopoli que serve de acesso aos torcedores que costumam seguir a pé na direção do estádio Olímpico de Turim.

Os incidentes se repetiram no momento em que o ônibus que transportava a delegação juventina se aproximava da praça próxima ao estádio. Ele foi cercado por um grupo de cerca de 300 torcedores do Torino e alvejado por pedras, ovos e até uma bomba que provocou a quebra de um das janelas laterais de vidro do veículo e instalando uma atmosfera de pânico na área. A polícia agiu energicamente até que o ônibus entrasse na área interna do estádio.

A violência se repetiu dentro do Olímpico durante a partida com pequenos incidentes como a agressão a um torcedor da Juventus que comemorou efusivamente o gol de falta assinalado por Pirlo ainda no primeiro tempo. Duas bombas estouraram no setor Primavera onde se localizavam os torcedores do Torino. Os estilhaços e fragmentos dos assentos provocaram ferimentos em 10 pessoas que acabaram sendo atendidas em mais de um hospital da cidade. Este episódio específico está sendo apurado pela polícia, que admite até que um deles tenha explodido ainda na fase de manuseio o que indicaria que ele estaria em posse de um torcedor do Torino e que portanto não teria sido lançado pela torcida da Juventus, como noticiado inicialmente.

Após a partida a direção da Juventus FC emitiu uma nota oficial publicada no site oficial do clube que “condena qualquer forma de violência seja proveniente da nossa própria torcida ou da adversária. Os fatos de hoje exigem uma profunda reflexão por parte do futebol, mas também das instituições e da mídia, que também são protagonistas importantes deste espetáculo”.

Juve sede

O diretor esportivo do clube, Beppe Marotta, já tinha se pronunciado na mesma linha no início da tarde, incluindo a mídia dentre os responsáveis pelos incidentes: “Seguramente são fatos de grave violência, deploráveis. Para mim, eram previsíveis em função da linguagem adotada por certos jornalistas contra nós, desmerecendo nossos méritos esportivos. As consequências estão aí. Tenho esperança de que nada ainda mais grave ocorra e nos obrigue a todos a nos arrependermos”.

Segundo o diretor esportivo do Torino FC, Gianluca Petrarchi, declarou à La Gazzetta dello Sport antes da partida “nós não percebemos nada por que chegamos após o ônibus da Juventus. É uma pena por que um derby deve ser uma festa do futebol, que é uma paixão sadia e não destrutiva. Tomara que depois só falemos do jogo”.

O presidente da Federação Italiana de Futebol – FIGC – Carlo Tavecchio foi mais contundente após o jogo em declaração à agência Ansa: “Jogar uma bomba num setor onde estão torcedores num estádio é um ato subversivo, grave, premeditado. Agora é preciso punir severamente os responsáveis”. A ideia dos dirigentes italianos é passar a punir o clube mandante da partida pela responsabilidade objetiva de garantir a segurança do espetáculo e também os jogadores de futebol que mantem relacionamento com os líderes das torcidas organizadas radicais, dentre outras medidas.

Presidente Tavecchio da Federação Italiana: a violência de Turim é subversiva (foto -site oficial da FIGC)

Presidente Tavecchio da Federação Italiana: a violência de Turim é subversiva (foto – site oficial da FIGC)

O ministro do interior do governo italiano, Angelino Alfano, também se pronunciou cumprimentado “a Polícia por ter agido prontamente, identificando e prendendo os responsáveis por estes atos graves. Não deve haver clemência com os inimigos do esporte, vândalos que pretendem arruinar com uma paixão, afastando as famílias e os desportistas dos estádios”.

A promotoria da cidade de Turim abriu um procedimento investigativo no qual serão examinados todos os registros e imagens obtidos por câmeras no interior do Olímpico para determinar os responsáveis pelos acontecimentos.

Como consequência dos incidentes de ontem, a direção da Sampdoria comunicou, nesta segunda-feira pela manhã, a suspensão da venda antecipada de ingressos para a partida contra a Juventus, no próximo sábado no estádio Ferraris, pela 34ª rodada da Série A por determinação da polícia da cidade de Gênova até que o “Observatório Nacional sobre Manifestações Esportivas” apure os incidentes de domingo em Turim.

Mais uma vez o comportamento animalesco de torcedores dos dois clubes encobre o fato esportivo verdadeiramente relevante do domingo, em Turim, que foi a primeira vitória do Torino no derby depois de 20 anos, que o situa na oitava posição na tabela de classificação da Série A e o recoloca na briga por uma vaga na próxima UEFA Europa League.

Jogadores festejam a vitória sobre a rival depois de 20 anos (foto - site oficial do Torino FC)

Jogadores do Torino festejam a primeira vitória sobre a rival depois de 20 anos (foto – site oficial do Torino FC)

 A violência está longe de erradicada do futebol italiano. Parte da responsabilidade desta realidade tem sido as respostas vacilantes dos dirigentes dos clubes e também dos organismos governamentais responsáveis pela segurança pública. A Itália ainda não adotou uma legislação verdadeiramente rigorosa contra os “hooligans” nem contra aqueles que os protegem e financiam.



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