Tite é a escolha certa, mas resultado de um processo equivocado



Atualizado às 21:03 de 15/06/2016

 

Tite é a melhor solução para técnico da Seleção Brasileira neste 15 de junho de 2016 e sua contratação é uma boa notícia num momento tão dolorido para o futebol deste país. O nome do técnico que conquistou o Campeonato Brasileiro mais recente é inquestionável para a função.

O preocupante é que o processo de escolha e de contratação foi errado e pode não corrigir alguns dos problemas que tem comprometido o nível do trabalho realizado na Seleção Brasileira já de algum tempo. E que tantos fracassos tem produzido.

Após a recente eliminação da Copa América Centenário o presidente Marco Polo Del Nero demitiu não apenas o técnico Dunga e sua comissão técnica. Ele resolveu trocar também o coordenador técnico do departamento de futebol da entidade, Gilmar Rinaldi, num momento delicado, a 51 dias da abertura dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, depois do segundo insucesso consecutivo da equipe principal brasileira numa competição continental e em meio à disputa das eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 em que o Brasil se encontra num desconfortável 6º lugar, fora da zona de classificação automática.

Agenor Leonardo Bacchi, 55 anos, é gaúcho de Caxias do Sul (foto - Lance!)

Agenor Leonardo Bacchi, 55 anos, é gaúcho de Caxias do Sul (foto – Lance!)

A escolha imperial do presidente da CBF sugere uma preocupação maior com a criação célere de um fato novo positivo na direção daquilo que a mídia esportiva e a maior parte dos torcedores aparentemente desejam para a função de novo treinador da seleção do que com uma reformulação coerente, estratégica e lógica do trabalho que não vinha rendendo os resultados minimamente esperados para a seleção mais vezes campeã do mundo.

O primeiro passo da reorganização da direção da Seleção Brasileira deveria ter sido a escolha de um novo coordenador de seleções ou diretor técnico ou qualquer outro “nome de fantasia” que o cargo de “responsável pela gestão do departamento de seleções da CBF” passará a ser chamado a partir de agora.

Fernando Carvalho é um bom nome para diretor de seleções

O presidente da CBF está longe de ser um profundo conhecedor de futebol profissional do ponto de vista técnico, esportivo, agonístico e de competição. Mas o novo responsável pelo departamento de seleções precisa necessariamente ser alguém capaz, experiente, confiável, sério, provadamente vencedor para exercer a direção do departamento mais importante da entidade.

Dos nomes já ventilados para o cargo, o do ex-presidente do Internacional, Fernando Carvalho, na opinião deste blog, é aquele que mais consistente e amplamente reúne os atributos indispensáveis para o cargo, inclusive pela sensibilidade com que, por certo, ele trabalharia junto aos clubes que cedem jogadores para as seleções brasileiras em todos as categorias.

Fernando Carvalho era o presidente do Inter Campeão do Mundo (fot -0 - Marcos Nagelstein)

Fernando Carvalho era o presidente do Inter Campeão do Mundo (fot0 – Marcos Nagelstein)

Edu Gaspar: ótima escolha para gerente, mas não para diretor de seleções

Por estas mesmas razões o convite para Edu Gaspar tem tudo para ser também uma boa notícia desde que adequadamente alocado no novo organograma do departamento de seleções. Ele já demonstrou no Corinthians capacidade e bom senso para integrar a nova equipe. Mas ele não pode, nem deve ser, o representante administrativo, político, prático e institucional da direção da entidade junto à comissão técnica. Inclusive por ter sido uma indicação do próprio Tite.

O processo de reforma da direção da Seleção Brasileira tem outra deformação. O anúncio público de que Tite aceitou ser o novo técnico da Seleção Brasileira foi feito pelo presidente do Corinthians e não pela CBF ou pelo próprio treinador, num evidente deslize institucional e protocolar daqueles que costumam insinuar distorções de outra natureza ainda não explícitas. O presidente do Corinthians reclama com razão – se sua versão for fidedigna – de que não foi procurado pelo presidente da CBF para tratar do interesse da entidade em contratar um profissional que estava sob contrato com seu clube.

Edu Gaspar é uma indicação de Tite (foto - Daniel Augusto Jr - Ag. Corinthians)

Edu Gaspar é uma indicação de Tite (foto – Daniel Augusto Jr – Ag. Corinthians)

Temos recursos humanos em todos os níveis para formar uma Seleção Brasileira absolutamente digna da história do futebol mais vitorioso do planeta. Mas os erros que vem sendo cometidos na estrutura administrativa, política e institucional pela alta direção da CBF se não forem enfrentados e corrigidos continuarão a comprometer as chances de novas conquistas.

Finalmente, Tite tem o direito em aceitar o trabalho na CBF, mesmo discordando de como ela tem sido gerida. Sua presença é a garantia de que a Seleção Brasileira, verdadeiro patrimônio nacional, terá o comando de um profissional correto e competente, num das cargos de maior visibilidade do futebol mundial.

Tite estará na prática a partir de agora e, como nenhum outro amante do futebol neste país, contribuindo na mudança de como ele é administrado.

 

 

 



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