Sir Alex Ferguson lança, hoje, seu novo livro: “Leading”



Sir Alex Ferguson, 73 anos, ex-técnico do Manchester United por 26 anos, lança hoje seu terceiro livro – “Leading” (Liderando) – desta vez tendo como co-autor Sir Michael Moritz – principal executivo de uma empresa de tecnologia no Vale do Silício na Califórnia (EUA) – com chance de se transformar em sucesso de venda como os 2 anteriores. A editora é a Hodder & Stoughton e o preço é de £25 (R$156,93).

Vários eventos marcarão o lançamento. Na próxima sexta-feira Sir Alex estará no The Bridgewater House, em Londres, numa promoção do diário The Guardian, para conversar com o público sobre o conteúdo do livro. Eventos semelhantes em Manchester, Glasgow e Aberdeen também estão programados. A ideia é que os participantes conversem com Sir Alex sobre as qualidades de liderança que ele aprendeu em seus 38 anos de administração de equipes de futebol. Ele discutirá as ferramentas principais que o conduziram ao sucesso dentro e fora do campo, as decisões mais dramáticas de um líder com sua extraordinária carreira e como estas lições de liderança podem ser aplicadas além dos campos de futebol.

 Alexander Chapmam Ferguson tem 73 anos e nasceu em Goran na Escócia.  (foto

Alexander Chapmam Ferguson é professor visitante da Harvard Business School. (foto – capa do livro “Leading”)

No livro, segundo relatos da mídia inglesa, Sir Alex menciona que poderia ter trabalhado no Queen’s Park na Escócia em 1974, Wolverhampton Wanderers em 1982, no Barcelona em 1983 e no Tottenham no início dos anos 80. Segundo ele não houve uma entrevista formal quando foi convidado e contratado pelo Manchester United em 1986.

Ele também admite que conversou com um representante oficial de Massimo Moratti, presidente da Inter de Milão, a ponto de discutir nomes de jogadores que deveriam ser contratados ou liberados do clube italiano, mas que a negociação esbarrou na falta de vontade de sua esposa Kathy em morar na Itália. Este episódio por ter ocorrido tanto em 1999 quanto no meio dos anos 2000, ambos após conquistas da Champions League pelo Manchester United, mas sua descrição não deixa claro.

A mídia inglesa vem dando destaque à passagem na qual ele conta como acabou sendo decidido que jamais um jogador do Manchester United teria um contrato num valor superior ao seu. Isto foi resultado do processo de renovação do contrato de Wayne Rooney em 2010. Consultado por Joel Glazer – membro da família que controla as ações do clube – sobre o contrato que estava sendo proposto ao atacante, Sir Alex respondeu que não achava justo que um jogador recebesse o dobro do que ele. Joel respondeu: “concordo inteiramente com você, mas o que faremos agora?” O entendimento foi fácil e rápido segundo ele: “foi simples. Decidimos que nenhum jogador poderia receber mais do que eu. Nós gastamos menos tempo decidindo isto do que a leitura da frase anterior”.

Joel Glazer e sua família sempre respeitaram a liderança de Sir Alex ( foto - site oficial do Tampa Bay)

Joel Glazer e sua família sempre respeitaram a liderança de Sir Alex ( foto – site oficial do Tampa Bay)

A relação de absoluto entendimento entre a família Glazer e Sir Alex foi um dos motivos cruciais para que a família americana conseguisse ser aceita pelos torcedores que reagiram negativamente à venda do clube para investidores americanos sem qualquer identidade com o futebol inglês até então.

Sir Alex se refere, noutro capítulo, ao longo processo de escolha de seu sucessor. Cita o interesse e as razões para Pep Guardiola (seu preferido), José Mourinho, Carlo Ancelotti, Jürgen Klopp e Louis Van Gaal não terem sido seu substituto e relata os acontecimentos que levaram à contratação do escocês David Moynes. Segundo ele, um dos erros irreversíveis de Moyes no curto período em que esteve no cargo, foi o de não ter seguido seu conselho e mantido Mike Phelan (seu braço direito) como assistente. Ele teria sido tão útil para Moyes “quanto Ryan Giggs está sendo agora para Van Gaal”, argumenta Sir Alex. Ele reitera apoio integral ao técnico holandês Louis Van Gaal que dirige o clube no momento.

José Mourinho foi cogitado para substituir Sir Alex (foto - site oficial do CFC)

José Mourinho foi cogitado para substituir Sir Alex (foto – site oficial do CFC)

O livro tem outros momentos reveladores quando, por exemplo, ele se refere ao processo de escolha de seus assistentes, sobre as razões para a saída prematura do jovem talentoso francês Paul Pogba que hoje brilha na Juventus e sobre o péssimo relacionamento com Daniel Levy, principal dirigente do Tottenham. Sir Alex é duríssimo como Mino Raiola, agente de Pogba, e elogia Jorge Mendes, “uma raridade”.

Um livro de Alex Ferguson costuma produzir efeitos bombásticos. Ele não tem por hábito ser politicamente correto ao escrevê-los. A estatura e o respeito com que ele é encarado no Reino Unido tem a ver com isto.

Lembro de uma entrevista que o sempre vaidoso e soberbo José Mourinho concedeu à TV inglesa sobre sua relação com o lendário técnico do Manchester United na qual o português revelou inédita e singular reverência: “o que eu penso dele? Simples, eu chama de “Boss” (Chefe). Vocês me conhecem e devem imaginar o significado disto.”

Lady Cath e Sir Alex estão casados desde 1966 (foto - arquivo pessoal)

Lady Cathy e Sir Alex estão casados desde 1966 (foto – arquivo pessoal)

Sir Alex Ferguson continua trabalhando como consultor no Manchester United e comparece a todas as partidas da sua equipe principal. Ele também é embaixador da UEFA, responsável pela fórum dos técnicos de elite da entidade e membro do grupo de estudos técnicos da Champions League e da Euro 2016. Ele é casado com Cathy e tem 3 filhos: Mark, Jason e Darren.

Em 1983 ele foi condecorado como Oficial da Ordem do Império Britânico (OBE) e, em 1995, como Comandante da Ordem do Império Britânico (CBE). Finalmente, em 20 de julho de 1999, ele recebeu o título de nobre da Rainha Elizabeth II por sua contribuição ao futebol inglês e passou a ser tratado oficialmente por “Sir”.

 

 Atualizado às 14:22h de 22/09/2015



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