Será a Islândia o Leicester da EURO 2016? Saiba tudo sobre os “vikings”



A classificação da Islândia para jogar as oitavas de final da EURO 2016 contra a Inglaterra logo na primeira participação da seleção neste torneio é mais um resultado extraordinário do trabalho que vem sendo feito para desenvolver o futebol no distante país nórdico localizado no Atlântico Norte com uma população de apenas 323 mil habitantes.

A seleção islandesa representa o menor país envolvido na competição e que é composto por uma ilha do mesmo nome e de algumas outras pequenas ilhas localizadas entre a Europa continental e a Groenlândia. Por isto seus jogadores comemoraram de maneira tão emocionada a inclusão na seleta lista de 16 seleções que disputarão a próxima fase da competição continental de seleções mais importante do futebol.

Os “vikings” do futebol já estão onde, há muito pouco tempo, ninguém imaginaria. Chegam invictos para enfrentar, pela primeira vez na história, a Inglaterra, país que sempre recebeu a torcida dos amantes do futebol quando o esporte praticamente inexistia no país. A partida será segunda-feira, em Nice.

A celebração do "vikings" (foto - uefa.com) pela classificação

A celebração do “vikings” do futebol pela classificação diante de 10 mil islandeses no Stade de France (foto – uefa.com)

 

A excepcionalidade do feito nos coloca a seguinte questão: será a  campanha da Islândia nesta Euro 2016 comparável a uma conquista tão inédita e surpreendente quanto a do Leicester na Premier League na última temporada?

Na verdade a evolução da seleção da Islândia é consistente e não se reduz a um simples produto do acaso. Por muito pouco ela não disputou a Copa de 2014 no Brasil, já que por ter chegado na segunda posição no Grupo vencido pela Suíça nas eliminatórias, ela foi obrigada a disputar uma vaga nos playoffs contra a Croácia, quando acabou derrotada.

A evolução do futebol na Islândia começou com o combate ao alcoolismo

Este blog chamou atenção para o que vem acontecendo com o futebol da Islândia através de um post publicado em setembro do ano passado quando a seleção islandesa garantiu a vaga no torneio que está sendo disputado na França.

A explicação mais lógica para esta evolução esportiva fabulosa tem a ver com a decisão governamental tomada em 2002 de investir na prática de esportes coletivos como um instrumento de combate ao alcoolismo e ao tabagismo que se alastrava perigosamente na juventude do país.

Kári Árnason foi o herói na vitória sobre a Áustria (foto - uefa.com)

Kári Árnason foi o herói na vitória por 2 a 1 sobre a Áustria que garantiu a classificação no Grupo F (foto – uefa.com)

 

Um investimento significativo foi realizado através da Federação de Futebol da Islândia – KSI – na construção de instalações esportivas modernas e acessíveis aos praticantes e na formação de técnicos e profissionais em cursos de alto nível promovidos pela UEFA.

O projeto era tão consistente e foi tão bem aceito pela população que sobreviveu ao dramático ano de 2008 quando a economia islandesa quebrou, numa das mais graves crises econômicas de um país europeu naquele momento. A população, por orgulho e pela paixão pelo próprio futebol, encontrou meios de garantir que a ampliação da prática esportiva entre os jovens não sofresse com a falência da economia do país.

A construção de instalações para a prática do futebol teve que enfrentar o problema do rigorosíssimo e longo inverno que praticamente impedia sua prática em campos ao ar livre e gramado natural por quase 7 meses a cada ano.

Desde 2002, 7 campos oficiais “indoor” e outros 20 campos com medidas oficiais e gramados artificiais foram construídos pelo país. Além disto cerca de 130 escolas públicas passaram a dispor, cada uma delas, de pelo menos um campo de futebol (não necessariamente com medidas oficiais) com grama artificial. Com isto os jovens passaram a jogar futebol o ano inteiro, mesmo nos períodos de inverno. De dia ou de noite.

Federação de Futebol da Islândia

Federação de Futebol da Islândia

Por outro lado, a KSI formulou um programa avançado e de alta qualidade para a formação de técnicos de futebol. Em nenhum outro país da Europa há tantos técnicos, por jogador, com formação nos cursos oficiais da UEFA em níveis A e B. Com isto o trabalho na formação dos jovens jogadores passou a ser realizado em nível elevado e padronizado já que são todos ministrados por técnicos qualificados.

Segundo dados da KSI o país contava, em 2013, com 165 técnicos de nível A e 563 técnicos de nível B da UEFA, espalhados por todas as regiões, garantindo mais técnicos per capita do que na Espanha ou Alemanha, por exemplo.

Assim os jovens islandeses são orientados no mesmo padrão, com todas as cidades – maiores ou menores – se orgulhando de ter boas instalações, bons técnicos – talvez entre os melhores da Europa -, capazes de formar jogadores promissores em todas as idades. Segundo as estatísticas oficiais há 21 508 jogadores de futebol registrados na Islândia,  enquanto na Holanda são 1 138 860 e na Alemanha 6 308 946.

 

Seleção com média de idada alta e com jogadores que jogam fora do país

A seleção da Islândia tem uma mais altas médias de idade da EURO 2016: 27 anos. Nenhum jogador atua num clube da primeira divisão islandesa: 7 jogam na Suécia, 3 na Noruega, e 2 na Dinamarca, 2 a Itália, 2 no País de Gales, 1 na Rússia, 1 na Bélgica, 1 na França, 1 Inglaterra, 1 na Suíça, 1 na Rússia.

A equipe é co-dirigida pelo técnico sueco Lars Lagerbäck, 68 anos, e pelo islandês Heimir Hallgrímsson, 48 anos.

Lars Lagerback foi técnico da Suécia e da Nigéria (foto - uefa.com)

Lars Lagerback foi técnico da Suécia e da Nigéria (foto – uefa.com)

 

 

Relação de jogadores inscritos na EURO 2016

1- Hannes Halldórsson – goleiro – 32 anos anos – Bodø/Glimt (NOR)

2 – Birkir Sævarsson – zagueiro – 31 anos – Hammarby (SUE)

6 – Ragnar Sigurdsson – defensor – 30 anos – Krasnodar (RUS)

14 – Kári Árnason – zagueiro – 33 anos – Malmo (SUE)

23 – Ari Skúlason – lateral esquerdo – 29 anos – Ob (DIN)

Halfredson(20) e Árnason (14) e o espírito de camaradagem da equipe (foto - uefa.com)

Hallfredson (20) e Árnason (14) e o espírito de camaradagem da equipe (foto – uefa.com)

17 – Aron Gunnarsson – volante – 27 anos – Cardiff (Gal)

10 – Gylfi Sigurdsson – meia – 26 anos – Swanse (Gal)

07 – Johann Gudmundsson – 25 anos – atacante – Charlton (Eng)

08 -Birkir Bjarnason – meia – 28 anos – Basel (Sui)

15 – Jón Dadi Bödvarsson – atacante – 24 anos – Kaiserslautern (Ale)

09 – Kolbeinn Sigthórsson – atacante – 26 anos – Nantes (Fra)

03 – Haukur Heidar Hauksson – zagueiro – 24 anos – AIK (Sue)

04 – Hjörtur Hermannsson – zagueiro – 21 anos – Gotemburgo (Sue)

05 – Sverrir Ingason – zagueiro – 22 anos – Lokeren ( Bel)

12 – Ögmundur Kristinsson – goleiro – 27 anos – Hammarby (Sue)

13 – Ingvar Jónsson – goleiro – 26 anos – Sandefjord (Nor)

16 – Rúnar Már Sigurjónsson – meia – 26 anos – Sundsvall (Sue)

18 – Elmar Bjarnason – meia – 29 anos – AGF (Din)

19 – Hordur Magnússon – defensor – 23 anos – Cesena (Ita)

20 – Emil Hallfredsson – meia – 31 anos – Udinese (Ita)

21 – Arnor Ingvi Traustason – defensor – 23 anos – Norrköping (Sue)

22 – Eidur Gudjohnsen – atacante – 37 anos – Molde (Nor)

 



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