Rummenigge: chegou a hora da UEFA implantar o Fair Play Financeiro 2.0



O principal executivo do FC Bayern de Munique, Karl-Heinz Rummenigge, defendeu, em entrevista concedida à edição alemã de abril da revista GQ, que a UEFA  implemente o Fair Play Financeiro 2.0, mas a partir de agora, aplicando suas regras de maneira mais rigorosa. Segundo ele, “o FPF é realmente uma boa ferramenta de controle financeiro. Ele deveria ter sido usado estrita e rigorosamente: qualquer um que o viole ou se valha de trapaças deve ser penalizado drasticamente. Infelizmente, isso nunca aconteceu”.

Para Rummenigge “a UEFA nunca mostrou coragem e vontade para agir de forma eficiente. É por isso que o Financial Fair Play 2.0 deve ser instalado. Não apenas para definir claramente as proibições, mas também estabelecer as sanções correspondentes. A política europeia teria que ajudar o futebol de modo a forçar que todos os clubes cumpram as regras econômicas e que as sanções, quando necessárias, sejam aplicadas de forma rigorosa e transparente”.

O Bayern de Munique é o quarto clube na Europa em termos de receita. Segundo o último relatório “Football Money League 2018”, produzido pela empresa de consultoria Deloitte, ele faturou € 587.8 milhões em 2017. Trata-se de um dos clubes mais saudáveis da atualidade.

Rummenigge tem 62 anos (foto – site oficial da ECA)

No fundo, a proposta de Rummenigge tem como alvo os clubes com financiamentos heterodoxos como o PSG ou o Manchester City que tentam se valer de artifícios para fugir às restrições do FPF, como valores superestimados dos contratos de marketing de modo a ampliar a capacidade de gastos do clube em salários e contratações.

O dirigente alemão deveria admitir também que, por outro lado,  a adoção do FPF pela UEFA produziu, sim, consequências concretas positivas na racionalização da gestão dos clubes no continente. O endividamento total dos clubes europeus somava € 1.7 bilhão em 2011, caiu para € 400 milhões em 2014 e está praticamente restrito a um número pequeno de clubes. Além disto, os 12 clubes campeões em seus países na temporada passada eram lucrativos.

Receitas com direitos de TV crescerão ainda mais

Na entrevista Rummenigge se mostrou convencido de que as receitas dos direitos de transmissão dos jogos de futebol continuarão crescendo, muito ao contrário daqueles que pensam que elas chegaram ao limite. Para ele “estes valores ainda vão explodir. Os atores mais importantes deste negócio ainda não entraram no jogo. As empresas americanas, como Apple, Amazon e Netflix, ainda estão chegando. Para essas empresas, não importa se o contrato custa € 500 milhões ou € 1 bilhão. Para eles o importante é o direito exclusivo e a estratégia de divulgação dos seus serviços”. E os primeiros destes novos players estão a caminho: Eurosport, Amazon, DAZN. Pode-se dizer que eles começam a viver suas primeiras experiências e depois se tornarão mais envolvidos e mais direcionados. Quando eles entrarem completamente, os preços irão disparar!”

A hora do Bayern gastar 100 milhões na contratação de um grande jogador se aproxima, como admite Rummenigue: “sou do tempo em que estes valores eram inconcebíveis. Hoje, temos que tomar essa decisão, temos que analisá-la e avaliá-la. As principais questões são: faz sentido técnico e é compensador financeiramente? Uma estrela é mais fácil de dar resultado financeiro do que um profissional médio. Você vende mais camisas oficiais da principal estrela o que também é interessante para os patrocinadores”.

Bundesliga discute a regra do 50%+1

Rummenigge também se revelou a favor da aprovação de novas regras que permitam que investidores tenham o controle acionário dos clubes alemães, proposta que vem sendo chamada de 50%+1. Até agora, os clubes podem negociar parte das suas ações com investidores, mas o controle acionário precisa permanecer com seus membros originais. O dirigente do Bayern acredita que a mudança elevará o nível de competitividade dos clubes alemães no cenário europeu.

O futebol alemão é o único dos 5 grandes da Europa que ainda mantem restrições à transferência da propriedade dos clubes aos investidores privados. Alguns clubes naquele país já vem desafiando esta regra e funcionando num regime excepcional. Dentre eles estão o RB Leipzig, Bayer Lewerkusen, Hannover e Wolfsbug.

A própria Bundesliga abriu o debate sobre o assunto recentemente.

O FC Bayern de Munique é gerido pela FCB Bayern Munchen AG da qual detem 75% das ações ao lado da Adidas AG com 8.33%, da Audi AG com 8.33% e da Allianz com 8.33%.

 

 



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