Revolução na Espanha: Governo aprova Decreto sobre a venda dos direitos de TV



O Conselho de Ministros da Espanha anunciou na noite desta quinta-feira a aprovação do Decreto de Lei Real com medidas urgentes sobre a comercialização dos direitos de conteúdos audiovisuais das competições de futebol profissional, segundo confirmaram a vice presidente do governo, Soraya Sáenz de Santamaria, e o ministro da Educação e Esportes, José Ignacio Wert.

A nova legislação estabelece a venda centralizada, no lugar da negociação individual que vigia até agora, dos direitos de exploração de conteúdos audiovisuais da “La Liga”, da “Copa do Rei” e da “Supercopa da Espanha”. A concepção que embasou a criação do Decreto é baseada nos modelos adotados pela Premier League inglesa, pela Série A italiana e Bundesliga alemã de negociação coletiva dos direitos de TV.

Barcelona e Real

A partir deste novo formato, Real Madrid e Barcelona estarão impedidos de transacionar individualmente estes direitos. O acordo põe fim a quase 20 anos de guerra comercial entre operadores e canais de TV, disputas entre a Liga de Futebol Profissional e a Real Federação Espanhola de Futebol e venda crescentemente desigual dos direitos pelos clubes, provocando o enfraquecimento financeiro dos mesmos no cenário do futebol europeu. A disparidade atual faz com que Real Madrid e Barcelona recebam, cada um, algo em torno de € 140 mi por temporada pelos direitos de TV, enquanto o Atlético de Madri não mais do que € 50 mi!

A divisão – A partir do novo contrato os clubes profissionais ficarão com 92% das receitas da venda dos direitos de TV: 90% para os da Primeira Divisão com suas 380 partidas e 10% para os da Segunda com suas 400 partidas. O restante das receitas será distribuído para as equipes que sejam rebaixadas de divisão (3,5%), o futebol não profissional, futebol feminino e sindicato dos jogadores (1,5%), a Liga de Futebol Profissional (1%) e a Real Federação Espanhola de Futebol (2%).

Uma parte expressiva das receitas destinadas aos clubes da Primeira Divisão será dividida em partes iguais e a restante seguirá critérios desportivos (desempenhos nas últimas 5 temporadas) e de representatividade social com o objetivo de tornar as competições mais equilibradas.

A expectativa é de que a próxima negociação (2016/17) dos direitos de TV gere algo em torno de € 1 bi e que chegue a €1,5 bi entre 3 e 6 anos, sendo que € 1 bi viria da venda para o mercado espanhol e € 500 mi pela venda no mercado internacional. Para efeito de comparação, o novo contrato de direitos de TV da  Premier League inglesa gerará € 1.8 bi por ano a partir da temporada 2016/17.
mosaico-real-madri

A decisão do governo espanhol só foi anunciada pelo Palácio de Moncloa depois das 20h da quinta-feira e foi precedida de intensa negociação entre os clubes, a Liga de Futebol Profissional e a Real Federação Espanhola de Futebol sobre a divisão equitativa das receitas geradas a partir de agora.

Os ministros da Economia, Luis de Guindos, e da Fazenda, Cristóbal Montoro, – interessados em encontrar uma saída para o atual endividamento dos clubes espanhóis que está calculado em € 3 bi – também participaram do processo de aprovação do novo Decreto.

Em entrevista coletiva o ministro da Cultura e Esporte, José Ignacio Wert, declarou que “o objetivo do Decreto é que os valores a serem distribuídos entre os clubes variem na proporção de 3 para os que mais receberão e 1 para os que menos receberão quando os direitos atingirem a meta de € 1.5 bi. Neste primeiro momento a proporção será de 4,5 para 1 , bem diferente dos 7 a 1 atuais”.

O ministro Wert admitiu que “houve desencontros ao longo da negociação mas eles não chegaram a atrasar a aprovação do Decreto. Nestes momentos é natural que existam divergências entre os vários interessados, mas o importante é que prevaleceu a ideia de que havia a necessidade deste Decreto e para isto era necessário alcançar o equilíbrio”.

Para o presidente da Liga de Futebol Profissional, Javier Tebas, “a partir de agora nasce uma nova Liga, se inicia uma nova era para o futebol profissional espanhol que será mais competitivo internacionalmente, pois nossas competições serão mais equilibradas e igualitárias. O objetivo é  igualar ou superar outros mercados como o italiano e inglês”.

O Decreto agora depende da aprovação do parlamento espanhol para ganhar a efetividade de lei, o que deverá acontecer já que o Partido Popular do primeiro ministro Mariano Rajoy é majoritário entre os congressistas.

As consequências em termos de resultados esportivos deste novo cenário financeiro evidentemente dependerão da capacidade dos clubes espanhóis aplicarem com competência e racionalidade os novos recursos que terão à disposição. No futebol não é importante apenas ter mais dinheiro. É essencial saber gastá-lo. Mas é inegável que a tendência é de que a asfixiante hegemonia histórica de Real Madrid, Barcelona e, muito eventualmente, do Atlético de Madri, sofra algum tipo de abalo no médio prazo.



  • senna

    Aqui no Brasil também precisa mudar,ao invés d privilegiar gambas e urubus,,temq privilegiar o fufebol!!!!

  • Bebeto

    Já estava mais do q na hr!
    E espero q o Brasil siga o exemplo.

  • markao

    coisa de bambi, e porcos

  • Marcos

    Mas no Brasil era assim com a negociação liderada pelo Clube dos 13, o que inclusive iria desbancar o monopólio da RGT porém a ganância de todos fez com que a negociação fosse feita individualmente o que favoreceu Flamengo e Corinthians. Todos inckusive os pequenos como Coritiba, Sport e Botafogo foram adeptos a negociarem diretamente e agora choram a disparidade. Enfim, burrice e ganância.

    • Rodrigo Azevedo

      Bravo!!!

  • Juscelino

    Barcelona e Real Madrid vão sustentar os outros clubes espanhóis e levar nas costas, já que Barça e Real são os únicos espanhóis a dar audiência para a TV local e internacional, ou seja, Barça e Real vão receber muito baixo pelo seu produto de auto valor, enquanto os outros times vão receber alto pelo seus produtos de baixo valor.

    • Milton

      e assim qm sabe eles podem crescer igual a Real e Barça

    • jorge

      os sois jogam sozinhos? o circo so vive do palhaço? para e pensa…é um conjunto…

      • jorge

        digo: os dois, real e barcelona

    • Mais se o pequenos da Espanha ganharem mais vão poder compra jogadores melhores

  • Marcelo

    E começou o comunismo no futebol espanhol. Espero que os acéfalos que conduzem o futebol brasileiro não paguem de macaquitos novamente e venham copiar tamanha estupidez. Flamengo e Corinthians tem e devem receber muito mais que os demais clubes, já que representam mais de 50% da população que assiste e paga pelos campeonatos brasileiros.

    • Marcelo

      Comunismo??

      Eles estão seguindo o modelo da premier league e da seria a italiana…

      inglaterra e itália agora são comunistas e ninguem me avisou??

    • Você acha que Fla e Corinthians tem mais de 50% da população que assiste jogos, mas está errado. Basta você ver o ibope de um jogo do Fla x Sport e, exemplo, Flu x Coritiba. Fla atinge 22 pontos e Flu 19 pontos. É uma diferença de menos de 20%. E isso acontece com todos os clubes. A torcida do Fla no Brasil é bem maior que a do Flu? Sim. Só que se o Flu tem um time que dá gosto de ver, muitos torcedores assistirão e isso é o que acontece com todos os clubes. O desempenho do time chama telespectador. Configura um absurdo então o Fla ganhar quase 3 vezes mais. Esse é o caminho que a Globo quer trilhar. Mas o Governo precisa adotar medidas para acabar com essa disparidade. Ou os outros clubes deixam Fla e Corinthians fazendo amistosos durante o ano e formem uma liga sem eles.

    • Lucas

      comunismo? Serio? A Alemanha, a Inglaterra e a Itália são comunistas, é isso?

      E realmente, Fla e Corithians jogam o brasileiro sozinhos né? Só que não.

      Ganharam todos os títulos nos últimos cinco anos, né? Só que não.

      E a maior média de público do último paulista foi do Corinthians, né? Não, foi do Palmeiras.

      Seu comentário é burro e tacanho. O Bayern não deixou de dominar o futebol alemão pq as verbas lá são menores distribuídas. Mas os clubes menores deixaram de falir por causa dessas.

      A grande liga européia que menos recebe de TV é justamente a espanhola. Até a italiana recebe mais dinheiro de TV e isso porque não existe uma grande potência na Itália à anos. O que vende cota é um campeonato equilibrado e não a coisa desequilibrada que existe na Italia e que a bosta da Globo quer criar aqui.

    • Renato

      Comentário ridículo. Todas as grandes ligas do mundo privilegiam a competitividade, só a espanhola e brasileira tem esta proteção. Você assiste PL e o jogo é disputado, vide o MU perdendo em casa para o WB; já na Espanha, Barça 8×0, fora de casa, que baita democracia…Não digo que Corinthians e Flamengo devam receber menos que os demais, mas a discrepância não pode ser tão grande. Tem que adotar meritocracia, igual a todas as grandes empresas do mundo “comunista”…

  • Sempre será + justo, dá oportunidade = para todos…dai quem for mais competente ou maior…no final, vai sair na frente!

  • joe LHP

    Muda um pouco mas Real e Barça continuarão a dar as cartas pois são clubes de alcance global, tem receitas diversificadas, só leigo que acha que um Almeria da vida vá fazer frente aos grandes, na Alemanha apesar de seguir esse modelo, o Bayern nada de braçada, muito a frente dos outros, na Premier league quem manda são os clubes dos bilionários árabes ou russos e não vejo nenhum desses times pequenos aprontarem e aqui no Brasil continuara a mesma coisa com os grandes se destacando cada vez mais e os pequenos deixando de serem protagonistas, será cada vez mais difícil ter um Bragantino, um São Caetano ou um Guarani abocanhando algum título.

    • Luiz Augusto Veloso

      A diferença é que o Almeria está quebrado enquanto o Burnley recebe da TV mais do que a Juventus recebe na Itália. A Espanha está apenas seguindo o caminho que viabilizou os campeonatos na Alemanha e na Inglaterra. Na verdade os espanhóis acabarão por introduzir também o Fair Play Financeiro.

  • leo ribeiro

    cresçam e apareçam.

  • justin

    Faz o seguinte um campeonato brasileiro so com Corinthians e flamengo, e o outro com resto dos clubes .

    • Carlos

      Apoiado! Quem quer ver outras partidas senão com Flamengo ou Corinthians? Até parece que esses clubes ganham de graça! Eles ganham porque seus torcedores compram.

  • dr robson torres

    HOJE NA ESPN, O DIRETOR DE MKT DO CURINTIAS FICOU PALIDO QUANDO COMENTARAM A NOTICIA E PERGUNTARAM O QUE ELE ACHAVA.

    A RESPOSTA MAIS CARA DE PAU DO DIA DELE ‘ACHO QUE NO BRASIL TA BOM DO JEITO QUE ESTA’. AHAHAHAH.

    SENTIU QUE A VIDA-MANSA DO PREVILEGIO DA TV VAI MORRER EM BREVE. ATE O DEL NERO QUER ISSO.

    O PRODUTO É O CAMPEONATO, NAO MEROS 2 TIMES. SE ASSIM FOSSE FARIAM UM CAMPEONATO SO COM DOIS. E NAO FAZEM PQ ? FIM DA VIDA MANSA EM BREVE

  • Marcos Paulo

    Já passou da hora de no Brasil se mudar isso também,para ser mais justo e valorizar mais o campeonato para o mercado externo, com times mais competitivos, jogos de melhor qualidade, enfim será bom para o futebol brasileiro como um todo, só não vê isso os oportunistas que querem ter privilégios para sempre e assim encobrirem a sua incompetência que é enorme.

  • Glaucio

    Só falta agora o Brasil moralizar a nossa vergonhosa distribuição das cotas de TV.

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  • Jamisson costa

    Interessante que o pessoal aqui só quer copiar o que é conveniente. Ninguém quer copiar o modelo europeu de pagamento de dívidas? De responsabilidade fiscal? De gastar menos do que arrecada? Isso ninguem quer neh?! Hehehe brincadeira essa hipocrisia e falso moralismo.

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