Ranieri, uma história sempre surpreendente no Leicester



A demissão do técnico italiano Claudio Ranieri, 65 anos, no Leicester pegou de surpresa o mundo do futebol. Afinal, imaginava-se que a conquista do inacreditável e improvável título da Premier League 2015/16 teria dado a Ranieri um futuro tranquilo e lógico à frente do ainda minúsculo clube inglês de 133 anos de existência, que ele assumira em julho de 2015.

A demissão ocorreu no dia seguinte à derrota do Leicester para o Sevilla, por 2 a 1, na partida de ida das oitavas de final da Champions League acompanhada no estádio Ramón Sánchez Pisjuán, in loco, pelo proprietário tailandês do clube Vichai Srivaddhanaprabha ao lado de seu filho Aiyawatt.

E, nesta informação, me parece residir a única explicação razoável para uma decisão tão radical, antipática e surpreendente. Só uma percepção muito clara e contundente por parte dos proprietários do clube de que Ranieri não possuía mais condições de reverter os péssimos resultados recentes podem tê-los feito contrariar a tese que eles próprios defenderam 16 dias antes através de uma nota oficial de “apoio inabalável” ao técnico italiano. A manifestação veio a publico no dia seguinte à derrota para o Swansea que deixou o atual campeão a apenas 1 ponto da zona de rebaixamento, com 13 rodadas até o fim da competição.

A Taça que Ranieri "inventou" para Leicester (foto - Adrian Denis/AFP)

A Taça que Ranieri “inventou” para Leicester (foto – Adrian Denis/AFP)

Segundo informações de pessoas próximas ao clube, Ranieri estava em rota de colisão aberta com membros ingleses da comissão técnica, notadamente os assistentes Craig Shakespeare e Mike Stowell. O problema já parecia afetar de maneira irreversível o ambiente do próprio vestiário e seus líderes Wes Morgan, Danny Drinkwater e Jamie Vardy estão sendo identificados como partidários da solução de oficialização de Shakespeare e Stowell como substitutos definitivos até o final da temporada.

Por outro lado, a possibilidade real e cada vez menos absurda do atual campeão ser rebaixado na temporada seguinte a do título não assusta os bilionários tailandeses apenas pelo aspecto esportivo e moral. Não devemos ignorar o quanto deve assustá-los a ideia de que neste caso o prejuízo financeiro será assustador, com uma queda de receita que poderá chegar a 70% da projetada para a atual temporada.

A reação da mídia inglesa foi majoritariamente crítica à demissão de Ranieri taxando-a de injusta e cruel com o responsável pela principal façanha do esporte nos últimos tempos.

Ranieri se diz chocado. E sua reação faz sentido inclusive por que segundo a maior parte das análises estatísticas realizadas até aqui as chances de que o Leicester permaneça na Premier League considerando as rodadas restantes ainda beira 70%.

Em questão de meses, Claudio Ranieri, um dos personagens mais respeitáveis e educados do esporte atual experimentou o olimpo e a degola. Quem há de duvidar das palavras de despedida do italiano: “Meu sonho morreu. Queria ficar para sempre.”

Está cada vez mais difícil falar em tolerância, estabilidade e gratidão neste selvagem mundo do futebol empresarial contemporâneo.

 

 



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