Que segunda-feira! Um dia olímpico que foi da decepção do basquete ao êxtase com o ouro do atletismo



A segunda-feira, 15 de agosto de 2016, foi um dia marcante da Rio 2016 para as equipes brasileiras, que variaram do êxtase à decepção completa.

Já pela manhã, na maratona aquática feminina, a experiente Paula Okimoto surpreendeu o favoritismo de Ana Marcela a uma medalha e conquistou um bronze “chorado”, mas recompensador, para quem viveu a experiência traumática do Hyde Park nas Olimpíadas de Londres quando precisou ser atendida pelo serviço médico devido à hiportemia. A prova foi realizada sem qualquer problema com a qualidade das águas da praia de Copacabana que tanto angustiou a crítica mídia brasileira antes dos Jogos.

Paula Okimoto fez história em Copacabana (foto - Leon Neal/AFP)

Paula Okimoto fez história em Copacabana (foto – Leon Neal/AFP)

Logo em seguida o ginasta Artur Zanetti, ouro em Londres, conquistou a medalha de prata nas argolas e passou a integrar o grupo privilegiado de atletas brasileiros que voltaram a ganhar uma medalha nos Jogos seguintes a terem conquistado a medalha de ouro: Adhemar Ferreira de Silva (atletismo), Joaquim Cruz (atletismo), Aurélio Miguel (judô), Cesar Cielo (natação) e Roberto Scheidt (iatismo). Zanetti, ontem, foi magnfíco, mas o grego Eleftherios Petrounias foi perfeito e levou o ouro.

Zanetti ganhou o ouro com a nota 15.766 (foto - Ben Stansall/AFP)

Zanetti ganhou o ouro com a nota 15.766 (foto – Ben Stansall/AFP)

A grande decepção brasileira do dia –  e talvez dos Jogos – veio com o basquete masculino. Mesmo tendo vencido a Nigéria, à tarde, por 86 a 69, na melhor atuação de Nenê com a camisa da Seleção na competição, a equipe brasileira acabou eliminada em função da derrota da Argentina para a Espanha por 92 a 73. Um grupo recheado de jogadores com experiência internacional e na própria NBA, dirigido por um técnico campeão olímpico, fraquejou duas vezes em que teve a vitória nas mãos contra a Argentina e deixou de depender de si mesmo para passar de fase.

Nenê brilhou contra a Nigéria (foto - Mark Ralston/AFP)

Nenê brilhou contra a Nigéria (foto – Mark Ralston/AFP)

O basquete do Brasil está eliminado da Rio 2016. As equipes masculina e feminina não passaram da fase de grupos e somadas conquistaram apenas 2 vitórias. O desempenho da equipe feminina não poderia ter sido pior: 5 derrotas em 5 partidas. Diante do fracasso completo na competição o basquete brasileiro precisa ser repensado notadamente em termos de seleção já que em termos de clubes, a Liga Nacional Masculina, pelo menos, parece evoluir ainda que sem a força e a velocidade ideais.

A noite não poderia ter sido mais especial. Nos esportes coletivos o voleibol masculino superou suas próprias limitações nas rodadas anteriores e alcançou o único resultado que o manteria nos Jogos: a vitória. Num Maracanãzinho ensandecido, a equipe de Bernardinho, bateu a França do extraordinário Earvin Ngapeth por 3 a 1 (25/23, 22/25, 25/20 e 25/23) numa partida dificílima, mas que garantiu a classificação brasileira para enfrentar na próxima fase a desacreditada Argentina, que surpreendeu no outro grupo com a campanha de 4 vitórias e 1 derrota. A verdade é que a equipe brasileira ainda não reproduziuna Rio 2016 um nível de jogo compatível com sua tradição olímpica.

Mas o grande feito do dia olímpico brasileiro aconteceu no Engenhão com a conquista da medalha de ouro pelo paulista de Marília, Thiago Braz, 22 anos, que com o salto de 6,03m, venceu a prova de salto com vara batendo o recorde olímpico que até então pertencia a seu adversário de ontem, o francês Renaud Lavillenie, obtido em Londres com 5,98m.

Thiago é casado com a saltadora Ana Paula Oliveira (foto - Johannes EISELE / AF

Thiago é casado com a saltadora Ana Paula Oliveira (foto – Johannes EISELE / AF

Thiago é um atleta jovem, com uma trajetória consistente, mas seu desempenho nestes Jogos não merece outro adjetivo que não o de fabuloso. Há 2 anos decidiu se transferir para a Itália, ou melhor, para Formia, onde passou a trabalhar com o experiente técnico ucraniano, Vitaly Petrov, 78 anos, que já ajudara na formação de mitos da modalidade como Yelena Ysinbayeva e Serguei Bubka o campeoníssimo olímpico inspirador (ídolo de Thiago) e na da campeã mundial brasileira Fabiana Murer

A chuva, a pressão psicológica criada pelo campeão olímpico francês Lavillenie e a inexperiência olímpica, ao invés de atrapalharem, parecem ter incentivado Thiago a ser ainda mais corajoso e forte no último salto que garantiu o ouro.

A marca histórica (foto - Johannes EISELE / AFP)

A marca histórica (foto – Johannes EISELE / AFP)

O atletismo brasileiro de Adhemar Ferreira da Silva, Nelson Prudêncio, Joaquim Cruz, João Carlos do Pulo de Oliveira, agora é também de Thiago Braz, o menino de Marília que passou a ser de ouro no Rio de Janeiro.

 



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