PSG e Lyon, tão diferentes, brigam pelo título



A Ligue 1 francesa não tem o charme nem o dinheiro da Premier League, a empolgação nos estádios da Bundesliga ou os BBC e MSN da La Liga, mas este ano nenhuma vem sendo disputada tão aguerridamente pelos candidatos ao título quanto ela. Parece inevitável que o campeonato francês conheça seu campeão apenas nas suas derradeiras rodadas no fim de maio.

Neste momento, o gigante Paris Saint-Germain (62 pontos) lidera a tabela de classificação com 1 ponto de vantagem sobre o Olympique Lyon (61 pontos) e 5 pontos sobre o Marseille (57 pontos).

Mas o que dramatiza ainda mais esta reta final é que ela confronta dois projetos diferentes e quase antagônicos como os do líder e do atual vice-líder da tabela de classificação.

De um lado está o Paris Saint-Germain que desde que foi adquirido pelos árabes do Qatar Sports Investment, liderados pelo presidente Nasser Ghanin Al Khelaisi, se transformou num dos clubes com maior capacidade financeira do mundo com um faturamento que chegou a €474.2 milhões na temporada 2013/14.

De outro, reaparece o Olympique Lyon que trilhou um caminho oposto na montagem de sua equipe.logo-olympiqueDevido a um passado recente de contratações mal sucedidas e ao investimento de €250 milhões na construção de seu novo estádio com capacidade para 58 mil torcedores que o fragilizaram no curto prazo, o presidente do clube Jean-Michel Aulas se viu obrigado a resgatar a política adotada anos atrás quando alcançou um período de resultados extraordinários entre 2001 e 2008 com a conquista recorde de 7 títulos franceses consecutivos (2001/02, 2002/03, 2003/04, 2004/05, 2005/06, 2006/07 e 2007/08). Uma época que teve no brasileiro Juninho seu grande líder e ídolo ao lado de outros brasileiros como Cris, Caçapa e Fred.

Jean-Michel Aullas revolucionou a gestão de clubes franceses (foto - site oficial do Olympique Lyon)

Jean-Michel Aullas revolucionou a gestão de clubes franceses (foto – site oficial do Olympique Lyon)



O time do Lyon que superou o Guingamp por 3 a 1 na rodada da Ligue 1 do último final de semana contou com metade dos 14 jogadores tendo 21 anos de idade ou menos. Além disto 9 atletas que começaram e 3 dos que entraram ao longo da partida são produtos da academia do clube, reconhecida ao lado da do Ajax e do Barcelona como das mais prolíficas da Europa.

Neste momento 52 atletas oriundos das divisões de base do Lyon estão empregados, sendo que 38 em equipes francesas e 14 espalhados por outros países.

Dentre eles se destacam os atacantes Karim Benzema – da seleção francesa e companheiro de Cristiano Ronaldo e Gareth Bale no BBM do Real Madrid – e Loic Remy do Chelsea de José Mourinho e que assinalou o gol salvador da vitória por 2 a 1 sobre o Stoke City, no último sábado, em Stamford Bridge.

Benzema foi revelado no Lyon e brilha na seleção (foto - site oficial da FFP)

Karim Benzema, camisa 10 dos “Bleus” foi revelado no Lyon e brilha na seleção (foto – site oficial da FFP)

Do elenco atual do Lyon as estrelas produzidas na academia também já fazem parte da seleção comandada por Didier Deschamps: o meia atacante argelino/francês Nabil Fekir, de 21 anos, que entrou no segundo tempo do amistoso recente contra o Brasil no Stade de France e o atacante Alexandre Lacazette, de 23 anos, que atuou no outro amistoso contra a Dinamarca quando marcou seu primeiro gol pela seleção francesa. Lacazette também já assinalou 24 tentos na atual Ligue 1 superando o brasileiro Sonny Anderson que havia marcado 22 gols na temporada 1999/2000.

Lacazette acaba de bater marca de Sonny Anderson (foto- site oficial do Olympique Lyon)

Lacazette acaba de bater marca de Sonny Anderson (foto- site oficial do Olympique Lyon)

Portanto tudo indica que o clube presidido, desde 1987, pelo presidente Jean-Michel Aullas retomou, com resultados positivos quase que imediatos, a política de investimentos na suas divisões de base e na contratação de jovens jogadores a preços interessantes – em posições que não tenham jogador em formação na posição – para, no futuro, serem revendidos com margem expressiva de lucro.

O sucesso desta linha de ação empresarial do Lyon foi tão marcante e bem sucedida na primeira década deste século que mereceu no livro “Soccernomics” do professor Stefan Szymanski da Universidade de Michigan e do jornalista Simon Kuper do Finantial Times um capítulo específico em que o caso é analisado. Segundo os autores, em resumo, “os dirigentes, liderados pelo presidente Aullas e pelo seu conselheiro Bernard Lacombe – ex-jogador do Lyon e da seleção francesa na Copa de 1978 – contratam os jogadores certos na hora certa e os negociam no momento certo pelo valor certo”.

Além da disputa rodada a rodada do título contra o gigante europeu Paris Saint-Germain a atual direção do Lyon também comemora a recuperação financeira já que voltou a operar com lucro nos últimos meses. Ao que parece o clube de uma cidade de pouco mais de 2 milhões de habitantes em sua região metropolitana vai revivendo o modelo de negócio sonhado por muita gente no futebol mundial mas alcançado por muito poucos: investimento pesado na formação, na descoberta por jovens nascidos na própria região em torno da cidade, na contratação de jovens talentos a preços razoáveis para mais tarde negociá-los com lucro e ao mesmo tempo conquistando vitórias e obtendo lucro financeiro nos balanços financeiros anuais.

Fekir participou do amistoso contra o Brasil no Stade de France (foto - site oficial do Olympique Lyon)

Fekir participou do amistoso contra o Brasil no Stade de France (foto – site oficial do Olympique Lyon)

Do ponto de vista esportivo a possibilidade de título para o Lyon do técnico Hubert Fournier na temporada é real mas difícil diante do elenco fabuloso do Paris Saint-Germain de Thiago Silva, David Luiz, Zlatan Ibrahimovich e Edinson Cavani, atual líder da tabela de classificação a 7 rodadas do fim da competição. Mas, dependendo do que acontecer com a equipe parisiense na Champions League a concentração da equipe do Lyon exclusivamente nestas últimas rodadas do campeonato pode fazer diferença. Talvez por isto, é natural que o presidente Aullas esteja torcendo para que os caminhos europeus do Paris Saint-Germain sejam longos e venturosos.



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