Presidente da La Liga quer que o PSG seja excluído da Champions League



Atualizado às 13:33h de 30/10/2017

 

O conflito do PSG com o futebol espanhol está longe do fim e vive mais um capítulo nesta segunda-feira.

O presidente da La Liga, Javier Tebas, admitiu ao diário francês L’Équipe que trabalha pela exclusão do PSG da Champions League a partir de uma queixa que apresentou em agosto deste ano junto à UEFA. O dirigente consubstanciou sua ação jurídica num estudo minucioso de 44 páginas em que tenta provar que o clube francês recebe um financiamento artificial do estado do Qatar.

O PSG de Neymar é o alvo de Tebas (foto – psg.fr)

Numa entrevista publicada na edição desta segunda-feira do diário francês L’Équipe  Telbas admitiu o objetivo da demanda apresentada junto à UEFA e reforçou a denúncia de artificialismo nos patrocínios do clube francês e do Manchester City com o propósito de burlar as regras de Fair Play Financeiro adotadas pela UEFA:

-Constatamos que o PSG e o Manchester City, nos últimos cinco anos, foram os clubes que mais investiram no futebol europeu. Para justificar esses investimentos eles inventaram contratos de patrocínio fictícios, relacionados aos estados (Qatar e Abu Dhabi), com valores que não correspondem aos preços de mercado. Comparamos receitas do PSG e do Manchester City com as de Real Madrid, Barcelona, ​​Manchester United e Bayern de Munique. No PSG, as receitas estão diretamente ou indiretamente relacionadas com o estado de Qatar e são superiores às do Manchester United. O PSG continua trapaceando economicamente”.

Tebas tem 55 anos e é presidente desde 2013. (foto – site oficial da LEF)

O estudo da liga espanhola discorre sobre os patrocinadores do PSG mostrando que são empresas do estado do Qatar e que pagam valores acima do que recebem outros clubes europeus maiores do que o próprio clube francês. Enquanto o PSG faturou € 344 milhões em 2014, os 3 maiores clubes europeus faturaram “inexplicavelmente” quase € 100  milhões menos: o Manchester United faturou 237 € milhões, o Real Madrid € 224 milhões e o Barcelona € 185 milhões.

Além de pressionar por medidas punitivas por parte da UEFA Telbas não eliminou a possibilidade de recorrer contra o PSG também junto à União Europeia:

– Vamos esperar até o final do ano pela resposta da UEFA. Ele nos disseram que fariam um controle. Se for necessário faremos uma queixa à União Européia porque este sistema não pode continuar. O PSG está na Champions League nesta temporada … Eles não deveriam estar competindo. Se, durante a temporada, descobrimos que cometeram uma fraude, por que não exclui-los? Seu acho que a UEFA está demorando para puni-lo? Sim. Eu acho.

Tebas comparou a situação com a do doping no ciclismo esporte importantíssimo no dia a dia do L’Équipe:

-Quando um ciclista é acusado de doping ele é imediatamente eliminado da competição. Eu também acredito que os controles devem ocorrer antes do início das competições, e não depois, caso contrário o malefício já aconteceu. Se a punição vier na frente ela prejudicará os clubes que o PSG tiver eliminado”.

Presidente do PSG responde imediatamente

O presidente do PSG, Nasser Al-Khelaïfi, não demorou a se manifestar diante da entrevista de Tebas e o fez ainda na manhã desta segunda-feira através do site foot01.com:

-Não vamos responder a todas as declarações difamatórias do senhor Tebas ou à grande imprecisão da maioria de suas declarações, que visam apenas manipular a mídia para tentar minar a ambiciosa estratégia de Paris Saint-Germain. Uma estratégia que seus líderes apresentaram recentemente à UEFA com grande clareza e serenidade. Lamentamos profundamente que a Ligue 1 tenha trazido este verão para um dos três melhores jogadores do mundo (Neymar), mantendo nas suas fronteiras a maior esperança do futebol francês e internacional (Mbappé).

Khelaïfi também ironizou a insistência com que Tebas vem tratando publicamente a questão da contabilidade do PSG:

-Acreditamos que o futebol espanhol tem mais prioridades do que se concentrar permanentemente nas contas do PSG, que se encontram perfeitamente equilibradas em 2016-2017. Não vamos entrar em um debate que convide o Sr. Tebas a ver como alguns poderes do futebol europeu estabeleceram ou mantiveram seu domínio nos últimos vinte anos, apesar das práticas que na época causaram muita controvérsia “.

Presidente do Lyon entra na polêmica pondo lenha na fogueira

O problema para Khelaïfi e seu clube é que o sempre irrequieto presidente do Olympique Lyon, Jean-Michel Aulas resolveu tratar do assunto publicamente e colocou ainda mais lenha na fogueira. Através de uma mensagem no Twiter Aulas admite que a posição do presidente da La Liga deve ser considerada e convida para a polêmica até o ministério dos esportes francês na mensagem ao lado da La Liga, da Federação Francesa de Futebol:

-Mesmo que nem sempre concordemos com o J. Tebas, não deveríamos todos escutá-lo?”

Aulas sempre se posicionou criticamente contra o nível de investimento realizado pelo PSG que segundo ele desequilibra a competitividade das competições do futebol francês.

Khelaïf clama por união dos clubes franceses

O presidente do PSG tem buscado sair do isolamento inclusive em função da atitude de Aulas. Na última semana em reunião na Federação Francesa, Khelaïfi aproveitou uma reunião com a Liga de Futebol Profissional e os clubes franceses classificados para as competições europeias – PSG, Lyon, Monaco, Nice, Bordeaux, Marselha e Saint-Etienne – e lamentou que seu clube venha sendo criticado inclusive na própria França. Em inglês, Khelaïfi dirigiu um apelo aos presentes no sentido de que o futebol francês deveria se unir e garantiu que apoia todos os clubes do país nas competições europeias.



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