Presidente da La Liga: “não queremos ser os colonizadores da indústria do futebol nos outros países”



Atualizado às 16:22 de 25/10/2007

 

O presidente da La Liga, Javier Tebas, participou da convenção de marketing e mídia do esporte, Sportel, em Mônaco, na última semana. Numa dos painéis do evento em que discorreu sobre os projetos estratégicos da La Liga Tebas fez uma declaração provocativa:

-Nós queremos ser a Número Dois nos outros países mundo afora. Não queremos ser a Número Um”.

Tebas foi além e esclareceu o papel que pretende que a La Liga tenha no cenário global do futebol:

-Não queremos ser os colonizadores da indústria do futebol nos outros países. Não queremos que o futebol ali não passe da adolescência. Queremos que o mercado do futebol nestes países cresça. Contamos com o mundo digital para chegar nestes países.”

Tebas durante a Sportel em Monaco (foto – Sportel)

O presidente da La Liga claramente pretende disputar a liderança global do futebol com a Premier League². O primeiro passo nesta direção foi passar a negociar os vultosos direitos de TV de maneira coletiva¹. Nos últimos anos, Real Madrid, Barcelona e os demais clubes realizavam negociações individuais com a TV. O objetivo com a negociação coletiva é faturar € 1.5 bilhão em 2020. O desequilíbrio financeiro entre os clubes espanhóis estava comprometendo a competitividade das competições. O objetivo neste momento vai na direção oposta, segundo o dirigente espanhol:

-Queremos que os clubes tenham receita para crescer e produzir novas estrelas. É assim que competiremos com outras marcas globais, como a Premier League inglesa e a Fórmula 1.

Não por acaso, os 2 principais astros do futebol mundial, Cristiano Ronaldo e Lionel Messi e que se revezaram, nos últimos dez anos como vencedor do prêmio da FIFA de melhor jogador da temporada, jogam no Real Madrid e no Barcelona.

Tebas encara a La Liga, neste momento, como mais do que uma competição de futebol. Ela é uma empresa de entretenimento global, assim como são a Disney e a Warner Bros são:

-Queremos transmitir aos nossos fãs que a Liga é muito mais do que apenas excelentes jogos de futebol. Estamos produzindo entretenimento. Nossos jogos são como um bom filme. Mas também precisamos de uma melhor decoração, por isso estamos investindo em câmeras aéreas, por exemplo. Também ampliamos o entretenimento além do próprio jogo, com mais entrevistas e mais conteúdo durante a semana.

O mundo digital é um dos focos da La Liga e Tebas revela que ela foi buscar profissionais de fora do mundo do futebol e que entendam plataformas como Facebook, Twitter e Netflix:

-Estes profissionais sabem como transmitir mensagens através do digital e fazer as pessoas interessadas no conteúdo que produzimos”.

Tebas admitiu que o combate à pirataria é também prioridade para a entidade que preside:

– É praticamente impossível de se acabar com a pirataria. Eles simplesmente roubam o produto. Estamos investindo muito em tecnologia, em ações legais e até no lobby contra os piratas. São obscenos os valores que estes piratas tem faturado”.

A transferência de Neymar ainda incomoda a La Liga (foto – psg.fr)

A pirataria nas transmissões das partidas pela internet está sendo combatida a partir de uma cooperação tecnológica. Tebas esclarece que há ação conjunta com as redes sociais:

-Podemos excluir as transmissões piratas. O Google, por exemplo, está colaborando muito conosco. Estamos evoluindo. Há 3 anos não sabíamos como enfrentar este problema. Agora vamos eliminá-lo e impedir que alguém transmita nossos conteúdos de graça”.

Tebas não deixou de tratar da questão da polêmica transferência de Neymar do Barcelona para o PSG e das regras de Fair Play Financeiro da UEFA. Ele admitiu inclusive a possibilidade de levar o assunto à União Europeia e que até espera ainda alguma atitude da UEFA a respeito:

-Este é um mercado que vai além das fronteiras nacionais.

Tebas também se mostrou muito crítico à ideia de criação da Super Liga europeia de clubes em contraposição à Champions League:

– A ideia é imprudente e prejudicial pois pode afundar as ligas nacionais de futebol na Europa. Para que uma nova Super League gere receita que atinja os números que estão sendo divulgados a partir de taxas de licenciamento, as emissoras teriam que compensar pagando muito menos por direitos pelos jogos das competições nacionais.

O trabalho da Premier League na Ásia foi elogiado pelo dirigente espanhol:

-A grande maioria dos asiáticos acompanha as equipes de futebol inglesas. A Premier League fez o seu trabalho muito bem. São muitos anos de trabalho. Você não pode criar uma nova marca de competição durante a noite.”

O receio de Tebas é que uma Super League repita o caminho da EuroLeague de basquete que reúne os maiores clubes da Europa:

-Ela não decolou e afundou as ligas nacionais de basquete.

 

 

 

 

 

¹A partir deste contrato os clubes profissionais passam a ter direito a 92% das receitas da venda dos direitos de TV: 90% para os da Primeira Divisão com suas 380 partidas e 10% para os da Segunda com suas 400 partidas. O restante das receitas é distribuído pelas equipes que são rebaixadas de divisão (3,5%), o futebol não profissional, futebol feminino e sindicato dos jogadores (1,5%), a Liga de Futebol Profissional (1%) e a Real Federação Espanhola de Futebol (2%).

²Sky Sports e BT Sport pagarão € 6.9 bilhões pelos direitos de transmissão da Premier League desde a temporada 2016/17 até 2018/19.

 

 

 



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