Platini não desiste: “Eu ainda sou o melhor para dirigir o mundo do futebol”



O presidente suspenso da UEFA, Michel Platini, 60 anos, suspenso 90 dias pelo Comitê de Ética da FIFA, concedeu uma entrevista exclusiva ao diário londrino “The Telegraph” em que se revela convencido de que ainda será o próximo presidente da FIFA. Ele vai além: “Eu, com toda a humildade, ainda sou o melhor para dirigir o mundo do futebol”. A entrevista foi feita por vídeo conferência e complementada por emails.

Platini critica duramente os responsáveis pela punição imposta a ele por não terem realizado uma investigação adequada antes de se decidirem por sua suspensão. Ele assegura que esgotará todas as possibilidades jurídicas para provar sua inocência e que não pretende abrir mão de sua candidatura na eleição de 26 de fevereiro de 2015.

Candidatura de Michel Platini vem se enfraquecendo . (foto - Lance!Net)

Pp Candidatura de Michel Platini está mantida . (foto – Lance!Net)

O pagamento de €1.8 milhão de euros por parte da FIFA, segundo Platini, foi absolutamente legal e integralmente declarado juntos às autoridades fiscais. Vale lembrar que o pagamento foi feito 9 anos após o serviço ter sido realizado e a um ano antes da eleição para presidente da FIFA de 2011 à qual Platini optou por não concorrer. Segundo ele “aquele valor representava o equivalente a 4 anos de salários atrasados que a FIFA me devia pelo período em que eu fui consultor especial do presidente. O próprio presidente propôs o contrato e o salário e eu aceitei. Sendo bem claro: o trabalho foi realizado? Sim. Um contrato verbal de trabalho é legal na Suíça? Sim. Eu tinha direito de reclamar o pagamento mesmo 9 anos depois? Sim. O dinheiro recebido foi declarado? Sim. Eu forneci a fatura adequada à solicitação da FIFA? Sim. A FIFA tinha o direito depois de 5 anos de não me pagar, mas ela decidiu respeitar um acordo que era perfeitamente válido”.

Platini rebate a insinuação de que o pagamento nasceu de “uma caixa preta da FIFA: minha abordagem neste tema tem sido totalmente transparente. Eu informei às pessoas a quem deveria na UEFA que levaram o assunto até o departamento financeiro da FIFA. Aí minha fatura foi paga a partir de uma conta normal da FIFA. Onde está a conta secreta? Eu sempre assegurei que o pagamento foi feito segundo os procedimentos internos da FIFA. O diretor financeiro, Markus Kattner, fez o pagamento baseado na fatura apresentada”.

Joseph Blatter está na presidência da FIFA há 17 anos (foto - site oficial da FIFA)

Joseph Blatter está na presidência da FIFA há 17 anos (foto – site oficial da FIFA)

Perguntado se acreditava na hipótese do pagamento ter sido realizado num momento tão próximo ao da eleição de 2011 como uma armadilha, Platini respondeu: “não quero acreditar em teorias conspiratórias. Sim, eu esperei por muito tempo até reclamar o que me era devido. Meu único erro foi deixar de fazê-lo por tantos anos. Eu acreditei na palavra do presidente da FIFA e sabia que ele pagaria um dia. Eu tive a sorte de não precisar do dinheiro, mas só pelo fato de que não precisava do dinheiro, não significava que eu não deveria ser pago pelo meu trabalho”.

FIFA 2Platini admite que sua suspensão é coerente com a agenda de quem não quer vê-lo como o próximo presidente da FIFA. Sobre a hipótese de que o Comitê de Ética da FIFA estar se comportando de maneira tendenciosa ele comenta que “até onde eu sei há uma manifesta desproporção entre os fatos de que estou sendo acusado e a extensão da suspensão provisória a que estou imposto. Ela me impede de fazer campanha e participar em pé de igualdade com os demais. Isto tudo confunde sobre o que está de fato em jogo nesta eleição que decide o futuro do mundo do futebol”.

O dirigente francês se nega a desistir da candidatura: “mesmo não podendo fazer campanha eu me considero candidato. Hoje, eu me sinto como um cavaleiro da Idade Média de fronte de um castelo. Estou tentando entrar lá para trazer o futebol de volta, mas no lugar disto estão derramando óleo quente na minha cabeça”.

Platini tem certeza de que suas realizações à frente da UEFA o credenciam ao cargo:”meu trabalho na UEFA é inquestionável com a Champions League se incorporando as pequenas nações e com a implepmentação do Fair Play Financeiro as dívidas dos clubes diminuíram significativamente”.

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O ex-craque da Seleção Francesa vai mais longe na identificação dos motivos para que sua candidatura esteja sendo inviabilizada: “tem gente que não quer que eu concorra porque sabe que tenho muita chance de vencer. Eu sinto que tem gente que não admite que um ex-jogador dirigindo a FIFA porque eles não querem o futebol nas mãos dos jogadores. Mas eu sou o único que tem uma visão de 360 graus do futebol. Eu fui jogador, técnico da Seleção Francesa, diretor de futebol do Nancy, organizador da Copa do Mundo de 1998 e, agora, o líder da Confederação mais poderosa. Uma trajetória que eu trilhei com honestidade. eu conheço todas as famílias do futebol, todas as carências e preocupações de cada uma. Eu, com toda a humildade, ainda sou o melhor para dirigir o mundo do futebol”.

O trabalho do dirigente Michel Platini tem aspectos indiscutivelmente positivos para o futebol. A UEFA organiza algumas das mais importantes competições do futebol mundial com competência admirável. O problema é que a ampliação do poder político e financeiro de entidades como ela não foi acompanhada da criação de mecanismos que garantam a transparência e a correção com que elas devem ser geridas. Este processo, de alguma maneira, está sendo reformado.

A grande questão passa a ser: que FIFA e que federações resultarão deste turbilhão?

 

 

Atualizado às 12:11 de 29/10/2015

 

 

 

 



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