Platini afirma que Fair Play Financeiro deu certo e pode ser flexibilizado



O presidente da UEFA, Michel Platini, admitiu nesta segunda-feira em entrevista ao canal de TV francês RTL que a entidade pode flexibilizar algumas regras do Fair Play Financeiro que eventualmente estejam impedindo  o crescimento do futebol no continente. O assunto será tratado na próxima reunião do Comitê Executivo da entidade programada para os dias 29 e 30 de junho em Praga.

A ideia é permitir que os clubes sejam autorizados a investir mais dos seus próprios recursos num período de 3 a 5 anos desde que eles que demonstrem que as receitas crescerão na mesma proporção de modo a que eles obtenham ao final um equilíbrio financeiro. Teria chegado a hora de priorizar o crescimento no lugar da austeridade.

Michel Platini é presidente da UEFA desde 2007. (foto - Lance!Net)

Michel Platini é presidente da UEFA desde 2007. (foto – Lance!Net)

Há no seio da direção da UEFA a preocupação de que a continuidade das regras atuais possa consolidar de tal forma os clubes com maiores receitas de TV, de patrocínio e de bilheteria que novos investidores se sentiriam desestimulados a investir noutros clubes que não façam parte desta elite. Segundo este entendimento valeria a pena buscar a combinação da sustentabilidade com a necessidade de expansão do mercado e de atração de novos investidores.

O secretário geral da UEFA, o suíço Gianni Infatino, argumenta em apoio a Platini que “as novas regras viriam encorajar o crescimento, estimular a competição e o mercado e ao mesmo tempo manter o controle de gastos e as garantias de estabilidade financeira”.

Não há como negar que a aplicação do fair play financeiro produziu resultados concretos saneadores no futebol europeu. O déficit global dos clubes que era de € 1, 7 bi em 2011 caiu para € 400 mi em 2014. Mas, há também a sensação de que a partir de um certo momento estas regras podem estar apenas estabilizando o poder financeiro dos clubes mais poderosos, mas não estão desafiando os menores a buscar seu crescimento.

 Infantino é secretário geral da UEFA desde 2009. ( foto - site oficial da UEFA)

Infantino é secretário geral da UEFA desde 2009. ( foto – site oficial da UEFA)

 

Uma outra razão para a reflexão em curso está relacionada à existência de pelo menos 10 ações lideradas pelo advogado belga Jean-Louis Dupont todas questionando aspectos jurídicos do Fair Play Financeiro junto à União Europeia, à Alta Corte da Justiça Suíça e a tribunais na Bélgica e na França. A flexibilização ajudaria a superar estes processos que acusam as regras adotadas de ferirem o princípio da liberdade econômica vigente na União Europeia. Dupont foi o autor da ação legal que resultou na existência da Lei Bosnan que redefiniu o sistema de transferência de jogadores pondo fim ao limite de cotas por nacionalidade dentro da Unitão Europeia.

Infantino comemora os efeitos do Fair Play Financeiro que “gerou uma melhora considerável na saúde financeira do futebol europeu em pouco tempo. Revisões regulares das suas regras são vitais para garantir que elas estejam de acordo com as mudanças no ambiente do futebol e com os novos desafios que elas sempre lançam”.

A movimentação dos dirigentes da UEFA são a prova definitiva do quanto é problemática e intrincada a implantação de medidas que tragam racionalidade e equilíbrio à administração de clubes de futebol. Nem sempre os interesses entre os clubes são convergentes exigindo das entidades superiores uma adaptação constante às demandas propostas por eles.

 

 

 

 

 



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