Os terroristas de Paris tentaram explodir suas bombas dentro do Stade de France



Os terroristas kamikazes que se explodiram com explosivos presos ao corpo na noite de sexta-feira nas redondezas do Stade de France, em Paris, tentaram ter acesso ao estádio, onde mais de 70 mil pessoas já se encontravam instaladas para acompanhar o amistoso internacional em que a França venceu a Alemanha por 2 a 0. Também se encontravam no local o presidente da República Francesa, François Hollande, o presidente da Assembleia Nacional, Claude Bartolone, o ministro da agricultura, Stéphane Le Fall, e o secretário geral dos esportes, Thierry Braillard.

A intenção dos criminosos, desta vez, comandados e financiados pelo ISIS (Estado Islâmico), era a de provocar um atentando de proporções inéditas. Afinal, o jogo reunia a França – país anfitrião da próxima Eurocopa – e a Alemanha – seleção atual campeã mundial – e estava sendo transmitido pela TV para milhões de telespectadores espalhados por todo o mundo, inclusive no Brasil. O episódio teria a catastrófica repercussão midiática provavelmente superior ao atentado idealizado pelo grupo Al-Qaeda  às Torres Gêmeas de Nova York, em 11 de setembro de 2001, quando 2996 pessoas morreram.

O Stade de France foi inaugurado em 1998 ( foto - Stadefrance.com)

O Stade de France foi inaugurado em 1998 ( foto – Stadefrance.com)

Ao final, o episódio nas vizinhanças do Stade de France, na última sexta-feira, resultou na morte dos 3 terroristas, em ferimentos leves em 31 pessoas e pode provocar a morte de outras 15  que ainda se encontram hospitalizadas entre a vida e a morte. Somando os ataques aos bares, restaurantes e à casa de shows Bataclan, naquele mesmo dia, são, até agora, 129 mortes.

Segundo relatos da polícia publicados pela mídia internacional, por volta de 21h (hora exata do início da partida), um dos terroristas tentou entrar no estádio pelas roletas de controle de ingressos no setor Leste. Um outro tentou o mesmo nas entradas do setor Norte. Ambos foram barrados por não possuírem tickets, informação veiculada pelo diário L’Équipe, corrigindo a versão divulgada por outros órgãos de imprensa de que um deles possuiria ingresso para a partida.  Não está claro se eles tentavam acesso aos assentos ou apenas se aproximar ao máximo da concentração humana já que dificilmente eles passariam pela revista realizada já no interior do estádio pelos agentes de segurança. Resta a hipótese de que talvez eles pudessem contar com algum tipo de cumplicidade por parte de funcionários que controlavam o acesso dos torcedores.

PLANO B DOS TERRORISTAS

O fato é que diante da impossibilidade de entrarem no estádio os criminosos puseram em prática o Plano B. Os 2 explodiram com suas bombas presas ao corpo em localidades diferentes próximas com um intervalo de 10 minutos, segundo o diário Le Parisien. O primeiro se deslocou para a cervejaria Events bem próxima ao portão D do estádio, indo pelos ares às 21:20h, e o segundo, para a frente do restaurante Quick, a poucos metros do portão J.

Tudo indica que o objetivo do plano alternativo era o de provocar pânico no interior do estádio, estimulando a saída  desorganizada e aterrorizada das pessoas pelo portão que conduz à linha RER B do Metrô, uma das principais formas de transporte do público para o estádio. Os torcedores seriam obrigados a passar pelo McDonald’s, perto de onde se encontrava o terceiro terrorista que, às 21:53h, acabou detonando seus explosivos, independente da inexistência do tumulto imaginado.

O presidente François Hollande tomou as primeiras medidas ainda no Stade de france ( foto - AFP)

O presidente François Hollande tomou as primeiras medidas ainda no Stade de France ( foto – AFP)

O presidente François Hollande foi imediatamente informado da primeira explosão e 2 minutos depois foi conduzido para um local menos visível, atrás da tribuna de honra onde passou a se reunir com seus colaboradores e a recolher as informações do que acontecia não apenas nas ruas próximas ao Stade de France, como dos demais atentados que aconteciam nos restaurantes e na sala de shows Bataclan, noutra região de Paris.

O presidente tomou a decisão, junto com o administrador da região em que se localiza o estádio, do chefe da segurança do Stade de France, dos responsáveis pela segurança pública e pela Federação Francesa, de que a partida deveria seguir normalmente para que o público não entrasse em pânico e por que ninguém tinha exata noção das condições de segurança na parte externa do estádio. Os torcedores não foram informados de nada e os portões também foram fechados. As autoridades avaliaram que, aos poucos, os jornalistas e o público presentes acabariam sendo informados através de seus celulares do que acontecia nas outras localidades de Paris e que poderiam se sentir estimulados a deixar o estádio imediatamente.Paris atentado

A partir deste momento todas as forças de segurança da região passam a se organizar no planejamento da saída dos torcedores partindo da hipótese de que ainda poderia haver um quarto terrorista disposto a entrar em ação em algum ponto das imediações do estádio.

Ao final da partida o público foi orientado pelos placares eletrônicos e pelo serviço de som a se retirar por portões que evitavam as áreas em que se encontravam o que restava dos cadáveres dos 3 terroristas. As autoridades também decidiram abrir o acesso dos torcedores ao gramado já que muitos, depois de alguma maneira serem informados do que acontecia em Paris, decidiram permanecer por mais tempo no interior do estádio.

A DECISÃO DE NÃO INTERROMPER A PARTIDA

No intervalo da partida, os técnicos Didier Dechamps, da França, e Jöachin Law, da Alemanha, receberam informações parciais dos acontecimentos que estavam por trás das fortes explosões ouvidas pelos presentes no primeiro tempo, mas ainda assim concordaram em não informar os atletas e a seguir disputando a partida. Mais tarde a delegação alemã decidiu permanecer no local e só deixar o estádio na manhã do seguinte quando se dirigiu diretamente ao aeroporto para o vôo de volta para a Alemanha.

Law:"stamos todos abalados e chocados. Para mim, pessoalmente, o jogo e o esporte perdem importância. Estamos perdendo" (foto - AFP)

Law:”stamos todos abalados e chocados. Para mim, pessoalmente, o jogo e o esporte perdem importância. Estamos perdendo” (foto – AFP)

A barração do acesso dos 2 terroristas ao interior do Stade de France na última sexta-feira provavelmente evitou uma tragédia de proporções inimagináveis num lugar que foi concebido para sediar eventos esportivos e de entretenimento de massas.

Os alvos dos atentados foram muito bem definidos de modo a deixar claro ao mundo o quanto os mentores e financiadores dos terroristas rejeitam o modo de vida das democracias ocidentais. Eles atacaram bares, restaurantes, casas de espetáculo e um estádio de futebol onde as pessoas se divertiam, bebiam, cantavam, dançavam e vibravam com seus ídolos.

Nesta segunda-feira 2 dos terroristas envolvidos no atentado do Stade de France tiveram suas identidades reveladas pelas autoridades francesas de segurança: Ahmed Almohamed, 25, que tinha passaporte sírio e que chegou à França via a Grécia e a Sérvia e Bilal Hadfi , que segundo jornais belgas e o diário americano Washington Post participou de batalhas na Síria no ano passado.

 

 

 

 

 



  • Jorge Guerreiro

    Toda a atenção é pouca daqui em diante. O jogo da seleção da CBF 22:00 horas na Fonte Nova é preocupante para a segurança. Todos estão em alerta já que não podemos garantir uma boa atuação do time de Del Nero e Marin.

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