Os homens que decidirão o futuro de Arsène Wenger no Arsenal



Pela enésima vez Arsène Wenger está com o cargo ameaçado, segundo os bem informados jornalistas esportivos. Há pelo menos uma década este vaticínio tem se mostrado furado.

E, imagino, por uma razão fundamental. Tem muita gente que despreza as inúmeras realidades e culturas específicas existentes no futebol mundial. O analista usa os mesmos argumentos e as mesmas suposições para sugerir a permanência ou a substituição de um técnico independente dela trabalhar no Botafogo, no Real Madrid, num clube da Bundesliga ou da Premier League.

Há anos os proprietários e gestores do Arsenal FC demonstram encarar o futebol e as suas circunstâncias de maneira própria, especial e com referências muito particulares. Por menosprezarem este fato ou desconhecê-lo os jornalistas que ainda não se cansaram de prever a saída de Wenger tem dado com os burros n’água.

Arsène Wenger no Emirates Stadium ( arsenal.com)

Nestes últimos dias de fevereiro de 2018 as especulações sobre a demissão do técnico francês voltaram com toda a força. O argumento fundamental é de que o clube caminha para uma segunda temporada consecutiva sem se classificar para a Champions League. Convenhamos, para quem desfruta do sexto maior faturamento do futebol europeu – € 486.7 milhões -, a exclusão da principal competição do continente não é um dado desprezível.

O problema é que os proprietários e os membros do conselho de direção do Arsenal pensam não apenas na bola rolando, mas também na estabilidade e prosperidade financeira do clube. E, nestes 22 anos de wengerismo, o clube vinha esbanjando responsabilidade e prosperidade. No período ele levantou 3 títulos da Premier League, 7 League Cups, 7 FA Cups e 7 Supercopas da Inglaterra. Até que a Champions League, que por temporadas fez parte da vida do Arsenal, começa a ficar a um sonho inatingível.

Mesmo assim, e como argumento a favor da permanência de Wenger, o clube anunciou nesta quarta-feira que, nos últimos seis meses, apesar das receitas terem caído de € 215 milhões para € 188 milhões¹, ainda assim teve um superávit de € 28 milhões.

A derrota para o Manchester City, por 3 a 0, no último domingo na decisão da Carabao Cup, deflagrou a mais recente onda de especulações sobre o futuro de Wenger. Mas, afinal, quem participará da decisão sobre o futuro do técnico? De alguma maneira os homens a seguir determinarão o destino da dinastia londrina do técnico francês:

 

Stan Kroenke – Principal acionista e diretor

O milionário americano, aos 70 anos, tem uma fortuna estimada em US$ 8 bilhões. Ele é um investidor experiente em equipes esportivas, principalmente nos EUA, dentre as quais, se destacam o St Louis Rams (NFL), o Denver Nuggets (NBA), o Colorado Rapids (MLS) e o Colorado Avalanche (NHL). Ele é o grande suporte de Wenger na direção do clube, pois como principal acionista, tem sempre a última palavra sobre o futuro do técnico.

Stan Kroenke é principal acionista e apoiador de Wenger (foto – arsenal.com)

Josh Kroenke – acionista e diretor

Filho de Stan, ele passou a fazer parte do conselho de direção do clube em 2013. Aos 27 anos, ele já foi o principal executivo do Denver Nuggets e no Colorado Avalanche. Sua influência é prejudicada pele fato dele residir a maior parte do tempo nos EUA.

Ivan Gasidis – CEO

Aos 54 anos é o principal executivo do clube. Sul-africano de nascimento, reside na Inglaterra desde os 4 anos de idade. Foi personagem importante da implantação da MLS nos EUA. Chegou ao clube em 2009 e desde há algum tempo defende que Wenger deixe a função de  técnico da equipe e se transforme exclusivamente em diretor de futebol,  opção que, até hoje, não interessou ao francês que acumula, na prática, ambas as responsabilidades.

Sir Chips Keswick – chairman (presidente)

Ex-diretor do Banco da Inglaterra, ele ocupa o cargo desde 2013. Aos 77 anos é muito influente na direção executiva, mesmo sem qualquer participação acionária.

Ken Friar – Diretor

Tem 83 anos e participa do clube há incomparáveis 77. Ele nasceu em Highbury, bairro onde ficava o antigo estádio. Teve papel fundamental no processo de transferência do estádio de Highbury para o atual Emirates. Seu peso histórico está consagrado numa estátua ao lado do novo estádio.

Lord Harris of Peckham – diretor

Ele tem 75 anos e, há 13, é membro influente do conselho do clube. Era o proprietário da tradicional indústria de tapetes britânica Carpetright até vendê-la 2014.

Alisher Usmanov – segundo maior acionista

Aos 64 anos, é um dos 40 homens mais ricos do mundo, empresário de mineração, tecnologia e mídia nascido no Usbequistão é o segundo maior acionista do Arsenal. Já tentou adquirir o controle acionário do Arsenal com propostas de aquisição de parte das ações de Kroenke. Como não tem função executiva no clube sua influência no processo é marginal. É grande amigo do milionário russo Roman Abramovich, proprietário do Chelsea.

 

¹ O Arsenal disputa a Europa League na atual temporada o que impactou negativamente nas receitas de direitos de TV, patrocínios, comerciais e receitas de bilheteria.

 

 

 

 

 

 



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