O Real Madrid de Ancelotti se reencontra na hora certa



O treinadores dos grandes clubes europeus costumam ser exigentes na hora de montagem ou recomposição dos elencos. Muitos exageram e desafiam a capacidade de investimento de seus clubes criando impasses publicamente desconfortáveis para os dirigentes. Por certo não foi este o caso de Carlo Ancelotti no momento em que discutiu com a direção do Real Madrid a definição do elenco e dos objetivos para a temporada 2014/15, após a histórica performance de 2013/14 na qual o clube conquistou a Copa do Rei, a tão esperada “Décima” Champions League e o Mundial de Clubes.

Ancelotti estava certo ao cobrar a reposição no elenco (site oficial - Real Madrid CF)

Ancelotti estava certo ao cobrar a reposição no elenco (site oficial – Real Madrid CF)

Naquele momento o técnico italiano foi insistente, mas incapaz de convencer Florentino Perez e sua diretoria de que as saídas de Xabi Alonso para o Bayern de Munique e Ángel Di Maria para o Manchester United somadas à fragilidade física de Sami Khedira exigiam a reposição ou até mesmo a remontagem deste setor específico do elenco.

O Real se limitou a contratar o magnífico colombiano James Rodrigues, uma das estrelas da Copa do Mundo realizada no Brasil. Ótimo jogador, inteligente, exuberante no domínio da bola e genial nas infiltrações, mas que claramente não seria uma alternativa sequer para o argentino Di Maria. Ambos são canhotos, meio campistas, mas de perfis distintos. O Di Maria do Real e da seleção argentina – e não ainda o do Manchester United – é um meia/volante trabalhador, incansável, dinâmico que impõe uma intensidade muito diferente daquela que resulta da participação de James. Ele funciona tão bem na ação defensiva quanto a partir do momento em que sua equipe tem a posse da bola. James não decepcionou, correspondeu às expectativas, mas acabou por interferir no modo de atuar da equipe quando esta precisa se defender, ficando exposta com ele e apenas mais 2 volantes/meias.

E para o lugar do volante Xabi Alonso? Ninguém! Para uma equipe que, em função do seu milionário e emblemático trio ofensivo Gareth Bale, Karim Benzema e Cristiano Ronaldo- o BBC -, é forçada a atuar com um meio campo de 3 em que um de seus componentes não realiza com eficiência e intensidade o trabalho defensivo, o desequilíbrio é inevitável e comprometedor. E poucos conseguem realizá-lo de forma tão completa quanto Xabi Alonso, agora no Bayern de Munique.

Cristiano Ronaldo está de volta à forma na reta final da temporada (foto - Iste do Reaql Madrid CF)

Cristiano Ronaldo está de volta à forma na reta final da temporada e virando o segundo maior artilheiro do clube na La Liga (foto – Iste do Reaql Madrid CF)

E, está aqui, o ponto sensível da divergência entre Ancelotti e a direção do clube que o tempo acabou por escancarar, dando razão incontestável ao treinador italiano. Afinal desde a final da Champions em Lisboa o Real se confrontou 6 vezes com o Atlético sem vencer uma única partida com 2 empates e 4 derrotas.

A escalação do BBC com apenas 3 volantes/meias, sendo um deles James Rodriguez, enfraquece a equipe, a vulnerabiliza especialmente contra times consistentes, entrosados, que escalam 4 meio-campistas como é o caso do Atlético de Madrid que “luta do início ao fim da partida com a mesma determinação, especialmente no meio campo. Para nós o problema não é tanto de sistema 4-4-2 ou 4-3-3, mas sim o de jogarmos compactos, sempre agrupados, com atitude personalidade, coragem” despista o pragmático Ancelotti resignado às poucas alternativas de montagem mais sólida de seu meio campo caso inicie a partida com o BBC, apostando em Bale na composição do quarto homem.

O fato é que este desequilíbrio do time de Ancelotti tem sido competentemente aproveitado pelo seu adversário das quartas de final, dirigido pelo magnético e taticamente sagaz Diego Simeone, que ao dominar a batalha no meio  campo, tem conseguido se impor, sobretudo no traumático 4 x 0 de fevereiro.

Resta a hipótese de que Bale não se recupere plenamente para iniciar a partida desta terça-feira permitindo a Ancelotti refazer o esquema com a formação Isco – Kroos – Modric – James, com Benzema – Cristiano na frente. Nesta hipótese a equipe ganharia consistência no meio-campo e fluência com a posse da bola com a participação sempre inteligente e dinâmica da dupla Kroos – Modric que tanta falta vez recentemente. Esta é opinião de muita gente ligada ao clube, dentre elas, o ex-jogador madridista Manolo Sanchis que a defende de maneira explícita em seu espaço no site do diário “Marca”.

Modric fez falta no momento mais difícil da temporada (site oficial do Real Madrid CF)

Modric fez falta no momento mais difícil da temporada (site oficial do Real Madrid CF)

As últimas 3 vitórias consecutivas na Liga, o retorno de Luka Modric e a plena recuperação atlética, técnica e psicológica de Cristiano Ronaldo (se igualou no sábado a Di Stefano como o segundo maior goleador do clube na historia da La Liga) recolocaram as coisas em níveis mais razoáveis no seio do Real Madrid no momento mais crucial da temporada, superando uma estúpida pressão midiática que chegou a colocar na ordem do dia a saída do treinador.

Apesar das turbulências Ancelotti não perdeu o bom senso e liderou o time na recuperação das últimas semanas que o recoloca como sério pretendente aos títulos da La Liga ( a 2 pontos do Barcelona) e da Champions: “de nosso lado não há obsessão alguma com o Atlético. Não é a besta negra. Neste primeiro jogo o empate até pode ser um bom resultado. Meu sonho não é ganhar o Atlético, mas chegar às semifinais e depois conquistar a “Décima Primeira” Champions League com este clube”.

Vale dar crédito às palavras de quem já percorreu algumas vezes este caminho e por 3 vezes chegou ao título da competição de clubes mais valorizada do continente. Crédito, que não podemos esquecer, não lhe foi concedido meses atrás pela direção do Real Madrid.



MaisRecentes

Marco Asensio será o novo galático do Real Madrid?



Continue Lendo

Rummenigge, presidente do Bayern: “não podemos e não compraremos um jogador por € 222 milhões”



Continue Lendo

Monaco é o campeão europeu em faturamento nas transferências de jogadores



Continue Lendo