O que será da Argentina sem Lionel Messi?



A Argentina perdeu mais uma vez uma final. De novo, nas penalidades. A culpa recairá sobre Lionel Messi? Ele próprio assume sua responsabilidade pela derrota na terceira final consecutiva e anuncia que não jogará mais pela seleção argentina: “a seleção acabou para mim”. Suas lágrimas após o erro na cobrança de pênaltis, em Nova Jersey, já indicavam seu sofrimento de um gigante do futebol que vivia mais uma decepção com a seleção de seu país.

Lionel Messi é o melhor jogador do planeta. Ele é muito mais completo e genial que seu mais próximo concorrente dos últimos tempos, Cristiano Ronaldo. Messi alcançou mais no futebol do que Diego Maradona, mas não foi capaz, até hoje, de transferir seu sucesso no Barcelona, na Europa e no mundo a nível clubístico para a seleção argentina.

Nas 3 decisões em que foi derrotada recentemente, a Argentina teve a vitória nas mãos. Em todas, seus atacantes desperdiçaram oportunidades claríssimas de gol que teriam determinado a conquista do título que não vem há 23 anos. Nestas horas, não foi Messi quem faltou, mas seus afamados atacantes.

Será o fim de Lionel Messi na seleção argentina (foto - Lance!)

Será o fim de Lionel Messi na seleção argentina (foto – Lance!)

Em Nova Jersey, Messi falhou na cobrança da penalidade, mas com a bola rolando, Higuaín e Agüero tiveram chances claríssimas de gol e fracassaram. Assim como no Maracanã contra a Alemanha na final da Copa do Mundo de 2014. Do mesmo jeito que no estádio Nacional de Santiago na final da Copa América 2015.

A Argentina não perdeu a final da Copa América Centenário na disputa de penalidades. Ela perdeu por que tem um time muito mais badalado do que merece e que depende essencialmente de Lionel Messi, ainda mais por que Ángel Di Maria tem faltado nos momentos mais decisivos das competições por problemas físicos.

A Argentina que encantava pelo toque de bola, pelo domínio do adversário, pela excelência de seus jogadores faz parte do passado. A Argentina de Alejandro Sabella e Tata Martino se transformou, se apequenou e passou a viver de contra ataques. Ou, o que talvez seja a verdade, passou a jogar da maneira que a permite ser competitiva com o nível de jogadores que possui.

Nas 3 últimas vezes que enfrentou o Chile, mesmo tendo vencido em 2 delas, foi o Chile que controlou o jogo. Ontem, a “Roja” teve 54% de posse de bola. Por que será que Arturo Vidal e não Lionel Messi se revelou o jogador mais importante em campo? Por que Vidal coordenou uma equipe disposta a mandar no jogo, a determinar o ritmo, a envolver o adversário.

Táta Martino fez uma opção tática que pode ser entendida como uma avaliação realista do material humano que tem nas mãos. Mercado, Rojo, Biglia, Banega, Kranevitter são todos bons jogadores, mas juntos, estão muito longe de formar um conjunto com o entrosamento e a solidez comparável ao Chile renovado de Juan Antonio Pizzi. Javier Mascherano é um jogador excepcional, mas como volante não tem a capacidade de organização de Marcelo Diaz ou Charles Aranguiz.

Sem Di Maria, a Argentina é essencialmente “Messidependente”, mas tem vergonha de admitir. Claro, ela pode ganhar alguns jogos como o fez contra o próprio Chile nesta mesma Copa América Centenário na fase de grupos. Mas ela jamais deixará de ser um time previsível, que jogará fechado para aproveitar os erros do adversário e partir para os contra ataques.

Lionel Messi anunciou a decisão de deixar a seleção argentina num momento emocional, de dor, de quem parece que se está se rendendo a uma realidade superior à sua vontade.

Cabe aqui uma reflexão: até que ponto Lionel Messi, que desde os 14 anos vive em Barcelona, respira o Barcelona, lidera o Barcelona, ganha tudo com o Barcelona se integrado de fato à seleção argentina?

O futebol argentino vive uma crise de talentos há anos e que tem sido mascarada por que ela conta com Lionel Messi. Se há 23 anos a seleção argentina principal não conquista um título e, se na maior parte deste período, ela contou com o melhor jogador do mundo, o que será dela se Messi, de fato, mantiver a decisão de abandoná-la?

 

 

 

 

 

 

 

 



  • Rander Basilio Teles

    claro que messi ganhou mais que maradona… ele joga em um barcelona com 11 craques e tem um banco de luxo a sua desposição, ja Maradona jogava numa època que os times na europa so podiam contar com 3 estrangeiros no time titular.
    E mesmo assim ganhou uma copa uefa e foi campeão italiano aonde tinha o melhor time do mundo na época o Milande van bastem, Gullit, Baresi e outros
    Sem contar a copa do mundo mas aì é covardia.

    • Rander, Sua ponderação é muito razoável. Não comparei Messi com Maradona, nem com Pelé, nem com Garrincha, por exemplo.No seu tempo, Messi é disparado o melhor jogador em atividade, mesmo não tendo ganho uma Copa do Mundo. Como considero o título de Copa um dado relevante na comparação deixo para uma outra oportunidade sua inclusão. Abraço!

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