O polo aquático produziu a mais bela e inesperada das vitórias até aqui



O PLANETA FUT VIVERÁ INTENSAMENTE OS ESPORTES DURANTE A RIO 2016

O polo aquático brasileiro viveu sua noite de glórias ao bater a Sérvia por 6 a 5 (0-2, 3-1, 2-0, 1-2) na mais espetacular vitória de uma modalidade coletiva na Rio 2016 até aqui. Pouca gente, inclusive este blogueiro, acreditava nesta possibilidade. Claro, foram maravilhosos o triunfo do basquete masculino sobre a Espanha, as vitórias do handebol feminino sobre a Noruega e a Romênia, a goleada do futebol masculino sobre a Dinamarca por 4 a 0, mas vencer a Sérvia, invicta há 45 jogos e principal favorita ao ouro da modalidade, tem um significado incomparável.

Ainda que seja indiscutível a evolução técnica da seleção brasileira nos últimos tempos, notadamente, a partir do maior investimento já feito na história do polo aquático pela CBDA e que tornou possível as contribuições do técnico croata Ratko Rudic, do fabuloso goleiro sérvio Slobodan Soro (2 medalhas de bronze) e do atacante croata Josip Virlc, a vitória sobre a atual campeã da Liga Mundial foi absolutamente surpreendente.

Os jogadores agradeceram a torcida pelo apoio (foto - CBDA/divulgação)

Os jogadores agradeceram a torcida pelo apoio (foto – CBDA/divulgação)

Todos os especialistas presentes no Maria Lenk eram unânimes na observação da impressionante evolução da equipe brasileira no setor defensivo, superando esta histórica deficiência que tanto comprometeu participações anteriores nas competições internacionais.

Um dos motivos pelo triunfo, por certo, foi também o comportamento da torcida presente no Parque Aquático Maria Lenk. Em nenhum momento, mesmo após o segundo gol sérvio (2 a 0) ainda no primeiro quarto, o apoio da platéia diminuiu. Mesmo atrás do placar, os jogadores eram apoiados e reverenciados a cada jogada. A torcida também contribuiu nos momentos em que a seleção brasileira era atacada com os gritos de “defesa, uh! defesa, uh! numa demonstração de que ela começa a compreender os fundamentos táticos da modalidade.

A construção da vitória 

A equipe brasileira foi evoluindo na partida, se impondo técnica e emocionalmente, elevando a auto-confiança e naturalmente, passando a acreditar que poderia enfrentar de igual para igual o time de Filip Filipovic, um dos melhores jogadores do mundo, mas que sofreu uma marcação eficientíssima da defesa brasileira.

Os autores dos gols históricos das 2 seleções foram: para Brasil Josip Vrlic (2), Felipe Perrone, Ádria Delgado, Bernardo Gomes e Gustavo Grummy e para a Sérvia Filip Filipovic, Sava Randelovic, Dusan Mandic, Stefan Mitrovic e Slobodan Nikic.

Perrone, , número 10, o capitão da seleção brasileira (foto- CBDA/divulgação)

Perrone, o número 10 e capitão da seleção brasileira (foto- CBDA/divulgação)

Com certeza gerações de ex-jogadores de polo aquático neste país viveram a noite mais esperada, da afirmação do Brasil como uma equipe competitiva e ambiciosa. As palavras de Felipe Perrone, capitão da seleção brasileira, dão a dimensão exata do feito ainda mais acontecendo no Rio:

– Eu achava que dava para chegar nas quartas. Eu acreditava que dava. Mas ganhar da Sérvia, de virada, nem nos meus melhores sonhos. É como ganhar do “Dream Team” americano de basquete. Joguei os Jogos de Pequim e Londres e o que estamos vivendo aqui é indescritível. Mas conhecendo (o técnico) Ratko como eu conheço, sei que amanhã, ele colocará nossos pés no chão rapidamente. Vocês não imaginam o que treinamos. Estamos nas Quartas! É especial por ser em casa. Tem outra dimensão. Mais que a medalha, fomentar a prática do esporte é o mais importante, e isto é o bonito no momento olímpico. Estamos dando nossa contribuição. Vi a garotada do nosso projeto social em Vicente do Carvalho e eles, amanhã, vão cair na água com mais vontade ainda.

O técnico Ratko Rudic revolucionou a seleção brasileira (foto - CBDA/divulgação)

O técnico Ratko Rudic revolucionou a seleção brasileira (foto – CBDA/divulgação)

O comandante croata: “defesa sempre é chave para a vitória”

O técnico Ratko Rudic, quatro medalhas de ouro olímpicas (1984, 1988, 1992 2 2012), fez questão de valorizar o trabalho de preparação tática e do fator psicológico que a vitória trará à equipe:

-Estávamos preparados, estudamos muito a Sérvia, procuramos neutralizar os jogadores adversários mais fortes. Este é um jogo muito “pensante” porque é importante o físico, mas também o psicológico. Para nossa equipe este jogo foi fundamental, pois estivemos bem na parte psicológica, característica das grandes equipes. Será importante para o futuro do polo brasileiro porque poderemos jogar contra qualquer seleção em alto nível, perdendo ou ganhando, mas sempre competitivos, com uma defesa sólida e defesa sempre é chave para a vitória. Mantivemos o nosso ritmo e o mais importante, com alta concentração. Esta vitória nos coloca nas quartas-de-final (os 8 melhores), que era o nosso primeiro objetivo.

O caminho rumo ao pódio

O resultado coloca o Brasil, invicto, na liderança do Grupo A com 6 pontos em 3 vitórias tornando cada vez mais concreta a meta de classificação para as quartas de final. Já para a Sérvia a derrota tem consequências catastróficas. São 3 jogos sem vitória: 2 empates e uma derrota.

A equipe brasileira volta ao Parque Maria Lenk na próxima sexta-feira, às 19:30 h, para enfrentar a Grécia, atual segunda colocada do Grupo com 4 pontos numa nova partida complicadíssima.

 

 

 

 

 

 



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