O desafio do jornalismo esportivo na cobertura das negociações de jogadores



O post mais recente do sempre instigante “Blog do Tirone” levanta uma questão oportuníssima a partir da alarmante constatação de que grande parte do que foi escrito, falado e divulgado pela mídia esportiva durante a janela de transferência que vem sacudindo o futebol brasileiro neste começo de ano não aconteceu.

Tirone vai adiante e questiona: “a quem interessa a divulgação de um possível acordo que no fim das contas não acontece?”

Na verdade a questão vem de longe, muito antes até do surgimento deste Lance! ou das nervosas e frequentemente irresponsáveis redes sociais contemporâneas. Os períodos em que os clubes de futebol costumam reorganizar seu elencos e negociar jogadores e profissionais historicamente foram propícios e vulneráveis às especulações. Sempre foi assim no Brasil e em todos os países onde o futebol é mais do que um jogo.

A transferência de Neymar para o PSG mobilizou a mídia mundial no ano passado. (foto – Kenzo Tribouillard)

O argentino Olé, o luso A Bola, o espanhol Marca, o italiano La Gazzetta dello Sport, o turco Fanatik ou a inglesa Four Four Two sempre ocuparam suas manchetes nestes momentos com as possíveis e (muitas vezes) improváveis chegadas e saídas de jogadores. Antes, apenas nas suas edições impressas, agora, também nas suas versões digitais tão ansiosas e perigosamente volúveis quanto às suas audiências.

O que agrava, mas de certa forma explica esta constatação, é que este fenômeno vem de muito antes da própria existência dos empresários de jogadores de futebol. Ele existe por uma razão singela, mas definitiva por que se relaciona com quem paga a conta: o torcedor de futebol. O leitor, ouvinte ou expectador da mídia esportiva é, antes de tudo, um sonhador, ávido por ter o melhor time possível para torcer. Não importa se ele é apaixonado pelo Huracán, pelo Corinthians, pelo Valencia ou pelo Manchester United.

Todos os veículos do mundo nestes momentos focam no movimento dos jogadores. A diferença na qualidade das informações divulgadas, no acerto das previsões, na precisão da notícia publicada está na seriedade e no nível de quem realiza o trabalho jornalístico. Nesta etapa as diferenças são flagrantes e separam com nitidez o bom do mau jornalismo ou até do jornalismo de entretenimento.

Num passado nem tão remoto assim não havia empresários, mas já existiam os dirigentes inteligentes, malandros ou hábeis nas relações interpessoais com profissionais da imprensa que tentavam influenciar nas manchetes tendo em vista seus objetivos comercias. E, muitas vezes, conseguiam.

Claro, quantos mais personagens envolvidos num ambiente de negócios, como é o caso dos agentes de jogadores no futebol empresarial nos dias de hoje, mais interesses públicos ou não, legítimos ou não, estarão em questão. Este é o desafio eterno do bom jornalista: estar sempre bem informado e divulgar apenas o que for verdade e de interesse do leitor, que no ambiente em que estamos tratando, é o torcedor de um clube de futebol.

 

 



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