Mourinho tenta esclarecer especulações geradas por entrevista à TV francesa. Será que conseguiu?



Atualização às 15:18h de 17/10/2017

 

A entrevista que José Mourinho concedeu semana passada a um programa da TV francesa em que admitiu que não deverá encerrar sua carreira no Manchester United e em que elogiou Paris e o PSG segue produzindo desdobramentos como na entrevista desta tarde em Lisboa na véspera da partida contra o Benfica pela Champions League. Vale lembrar que o Manchester United é o vice líder da Premier League e líder do Grupo A da Champions League.

O processo ganhou intensidade após a insípida atuação do Manchester United no empate por 0 a 0 no clássico do último sábado contra eterno rival Liverpool em Anfield. A tática adotada pelo técnico português traiu na essência a cultura de futebol ofensivo do clube e frustou a torcida e algumas personalidades ligadas ao United como o ex-goleiro dinamarquês Peter Schmeichel. Ele definiu o estilo de jogo praticado sob o comando de Mourinho como “chato” em entrevista ao canal de TV Sky Sport e disse esperar que o técnico adote mudanças no estilo de jogo e que “a equipe busque a vitória em todos os jogos”.

Mourinho garante que cumprirá seu contrato (foto -manutd.com)

Mourinho garante que cumprirá seu contrato com o Manchester United (foto -manutd.com)

Mourinho é inteligente e muito bem assessorado. Se ele fez referência ao PSG e ao seu futuro profissional na semana passada ele certamente imaginou que as especulações sobre seu futuro surgiriam com força. Afinal, ele sabia como repercutiriam as suas palavras de que é “um técnico inquieto, com ambições e desejos de fazer coisas novas” e que seu filho quis ir ao um jogo do PSG “por que neste momento Paris tem algo especial. Tem magia, juventude e qualidade”. Mourinho sabe se comunicar como poucos e não é exatamente uma pessoa ingênua.

Na entrevista de hoje Mourinho, de início, transferiu para a mídia a responsabilidade pelos boatos quanto ao seu futuro:

– Acho que a mídia inglesa tem a resposta. Num dia você diz que vou assinar um contrato de 5 anos de £ 1 bilhão por temporada. No dia seguinte, você diz que vou para o PSG. Não vou assinar um novo contrato e não vou para o PSG. Eu estou no Manchester United e tenho um contrato.

Mourinho seguiu tentando esclarecer por que declarou que não encerrará sua carreira no Manchester United:

-Tenho um contrato até junho de 2019. Estamos em outubro de 2017. Portanto eu não sei o que dizer. Eu disse, e é verdade, que eu não encerrarei minha carreira no United. Esta é a única coisa que eu disse e que não foi mal interpretada. Como é possível no futebol moderno qualquer técnico ficar 15 ou 20 anos no mesmo clube? Wenger é o último. Eu ficarei no futebol no mínimo por mais 15 anos e é impossível ficar todo este tempo num único clube. Se minha carreira chegar ao fim em 2, 4 ou 5 anos eu vou encerrá-la no United. Sim, também é verdade que não assinei um novo contrato. Mas também não estou pensando em sair.

Sir Bobby Charlton (foto - manutd.com)

Sir Bobby Charlton é um dos maiores atacantes da história do United e do futebol inglês (foto – manutd.com)

Mourinho tem razão. Ele não ficará no United por 15 anos. Primeiro por que ficou no máximo 3 anos nas passagens pelo Porto ou Chelsea, 2 anos na Inter e 2 anos no Real Madrid. Seu temperamento, sua forma de se relacionar com os jogadores e profissionais do departamento de futebol impedem que ele sonhe um dia repetir passagens de décadas à frente de um clube como as de Alex Ferguson no Manchester United ou Arsène Wenger no Arsenal. Mesmo que conquiste títulos importantes como os da Champions League no Porto e na Inter ou da La Liga pelo Real e da Premier League pelo Chelsea.

Quanto à referência ao PSG e à Paris Mourinho atirou em duas direções ao mesmo tempo. A primeira, estratégica, foi deixar abertas as portas do clube que tem agido com mais ambição no futebol europeu nos últimos anos. A outra foi a de indicar para o Manchester United que ele tem alternativa atraente no futuro próximo num momento em que a conversa sobre a antecipação da renovação de seu contrato começa a ser especulada.

Mourinho deveria se preocupar também com uma terceira vertente deste contexto. O tipo de futebol que seu time jogou contra o Liverpool no último sábado dificilmente será admitido pela exigente e ambiciosa torcida do Manchester United.

O clube mais rico do mundo cujos times ao longo da história sempre foram ofensivos e contaram com atacantes do nível de Bobby Charlton, Duncan Edwards, Denis Law, George Best, Eric Cantona, Van Nilsterooy, Ryan Giggs, Cristiano Ronaldo e Wayne Rooney não pode adotar uma estratégia de jogo tão covarde e reativa como a que ele colocou em prática no último sábado. Se insistir nela seus planos para Paris podem ser até antecipados.

 

 



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