Mourinho pode cair? O Chelsea é o mais brasileiro dos clubes ingleses



O surpreendentemente tenebroso início de temporada do Chelsea incitou o questionamento sobre o futuro imediato do técnico José Mourinho. Quem poderia imaginar que, ao final da 10ª rodada da Premier League 2015/16, um dos técnicos mais icônicos do futebol contemporâneo, atual defensor do título da competição, estaria com a cabeça a prêmio? Pior, argumenta-se que a decisão só não foi tomada ainda dada a exorbitante multa de €45 milhões que o contrato estabeleceria para uma ruptura unilateral antecipada.

A julgar pelo noticiário publicado por TODOS os jornais ingleses – do sensacionalista The Sun ao sisudo e rigoroso The Times – o resultado da partida contra o Liverpool no próximo sábado, em Stamford Bridge, poderá provocar a demissão do treinador português. Alguns deles já arriscam inclusive a especulação em torno dos nomes do italiano Carlo Ancelotti e do holandês Guus Hiddink para o lugar do técnico português.

A manchete arrasadora do diário londrino The Mirror, reproduzida como título de uma matéria do consagrado El País de Madrid, sintetiza o quadro de Mourinho a partir do ponto de vista da mídia europeia: “Acabado”

José Mourinho voltou ao Chelsea em Junho de 2013 (foto - Chelseafc.com)

José Mourinho voltou ao Chelsea em Junho de 2013 (foto – Chelseafc.com)

Convenhamos, o desempenho do Chelsea na atual temporada é absurdamente medíocre: 15º colocado na Premier League com 11 pontos ganhos em 30 disputados, cinco derrotas em dez jogos e com a terceira defesa mais vazada e saldo de gols negativo de -4. Jamais um clube com 11 pontos na 10ª rodada logrou acabar o campeonato entre os quatro primeiros. Na Champions League sua campanha também decepciona com um modesto 3º lugar num grupo G pouco assustador que se completa com o Porto, o Dynamo de Kiev e o Maccabi Tel-Aviv.

Muitos afirmam que Mourinho, atualmente, vive apenas mais um dos seus tradicionais fins de ciclo de 3 anos. Historicamente, suas passagens pelos clubes costumam se esgotar no ano final dos contratos que quase sempre têm a duração prevista para 3 temporadas. Foi assim no próprio Chelsea, no Real Madrid e, só não pode ser medido na Inter de Milão, por que o presidente Massimo Moratti foi obrigado a iniciar um processo precoce de desmonte da estrutura campeã da Champions League 2009/10 em função da crise financeira que assolava a Itália e que comprometia a sua própria capacidade de investimento.

Mourinho tem a seu favor neste momento apenas, vale lembrar, o fato de que o Chelsea acabou realizando um nível de investimento modesto para atual temporada. Trouxe alguns jovens jogadores, frustrando o técnico português nas suas solicitações de mais peso.

Stamford Bridge é o oitavo estádio em capacidade na Inglaterra (foto - site oficial do CFC)

Stamford Bridge é o oitavo estádio em capacidade na Inglaterra (foto – site oficial do CFC)

Na verdade, de todos os mega clubes europeus, o Chelsea de Roman Abramovich, desponta, sem dúvida, como aquele em que os resultados são mais determinantes para determinar o nível de estabilidade de um treinador. O bilionário russo não costuma ser paciente com a sucessão de derrotas. Ele parece transferir para o futebol a impaciência típica das pessoas poderosas que se habituaram a ter sempre o melhor a hora que quiserem. Luiz Felipe Scolari talvez possa explicar com alguma dose de realismo a impulsividade que aflora nos escritórios de Stamford Bridge nos momentos delicados advindos de resultados frustrantes nas competições.

O nome de Ancelotti é um dos lembrados pela mídia inglesa ( foto - Realmadrid.com)

O nome de Ancelotti é um dos lembrados pela mídia inglesa ( foto – Realmadrid.com)

Felipão – Big Phil para a mídia inglesa – faz parte de uma lista incomparável em número com o de qualquer outro grande clube da Premier League. Desde que o ciclo Abramovich teve início, em Junho de 2003, o Chelsea já teve como técnicos:

Claudio Raniere – até maio de 2004

José Mourinho – Junho de 2004 até Setembro de 2007

Avram Grant – Setembro de 2007 até Maio de 2008

Luiz Felipe Scolari – Julho de 2008 até Fevereiro de 2009

Ray Wilkins – Fevereiro de 2009

Guus Riddink – Fevereiro de 2009 até Maio de 2009

Carlo Ancelotti – Junho de 2009 até Junho de 2011

André Villas Boas – Junho de 2011 até Março de 2012

Roberto Di Matteo – Março de 2012 até Dezembro de 2012

Rafa Benítez – Novembro de 2012 até Junho de 2013

José Mourinho – desde Junho de 2013

Neste mesmo período, por exemplo, o Manchester United teve Sir Alex Ferguson, David Moyes, Ryan Giggs e Louis Van Gaal. O Arsenal somente trabalhou com Arsène Wenger e o Liverpool teve Rafa Benítez, Roy Hodgson, Kenny Dalglish, Brendan Rodgers e Jürgen Klopp.

Por isto, o Chelsea talvez seja o mais brasileiro dos times ingleses. Com a diferença de que os técnicos demitidos não são obrigados a buscar na justiça o que devem receber pela demissão. Em Stamford Bridge, a bola tem que entrar sempre no gol adversário.

Atualizado à 01:29 de 28/10/2015

 



  • Bruce Wang

    Se você perde “a mão” no grupo, por melhor técnico que seja, acabou o seu time porque por mais que você faça, não haverá resultados e futebol é resultado…

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