Monchi, o “Rei Midas” que tem gerado milhões em jogadores para o Sevilla



O Sevilla FC se notabilizou nos últimos anos pela alta qualidade de seu departamento de observação (scouting), cujo comando é exercido por Ramón Rodriguez Verdejo, o Monchi. Seu contrato com o clube vai até junho de 2020. Ele foi goleiro do próprio Sevilla até 2000 quando se aposentou. Com sua participação o Sevilla conquistou 9 títulos em 10 anos: 3 Europa Leagues, 2 Copas do Rei, uma Supercopa da Espanha e o título da Segunda Divisão.

O profissional de 47 anos foi alvo da investida de vários grandes clubes europeus recentemente (Manchester United e Everton dentre eles), mas sua saída foi descartada pelo presidente do clube da Andaluzia, José Castro Carmona, que sequer aceitou conversar sobre a cláusula rescisória de € 5 milhões estabelecida em seu contrato. Não por acaso há os que o chamem de “Rei Midas”¹ do futebol espanhol.

Monchi foi o responsável pela contratação de jogadores que se projetaram no Sevilla e, posteriormente, geraram negócios milionários ao clube: Dani Alves (adquirido por 500 mil e negociado por 35,5 milhões), Ivan Ratik (comprado por € 2.5 milhões e vendido por € 18 milhões), Adriano (adquirido por € 2,1 milhões e vendido por € 9,5 milhões), Negredo (comprado por € 15 milhões e negociado por € 25 milhões) e as recentes transferências do polonês Grzegorz Krychowiak ao PSG e do francês Kevin Gameiro ao Atlético de Madrid que garantiram € 52 milhões depois de 2 temporadas do primeiro e 2 do segundo no clube andaluz.

Monchi, 47 anos, tem contrato com o clube até 2010 (foto - uefa.com)

Monchi, 47 anos, tem contrato com o clube até 2010 (foto – uefa.com)

Monchi também tem sabido aproveitar o excelente trabalho das divisões de base do clube. Das 10 maiores vendas recentes, 3 envolveram atletas formados ali: Sergio Ramos, Jesús Navas e José Antonio Reyes renderam € 67 milhões aos cofres do Sevilla. Alberto Moreno representou outros € 18 milhões e € Luis Alberto mais 8 milhões.

MERCADO FRANCÊS COMO ALVO

Monchi não nega que é no mercado francês onde recentemente tem conseguido garimpar jogadores interessantes, como Kevin Gameiro. Desde 2005 ele já contratou 19 atletas de clubes da Ligue 1. Só na temporada 2015/16 foram 4: o franceses Adil Rami e Gaël Kakuta, o brasileiro Mariano e o franco/congolês Steven N’Zonzi.

A contratação mais recente junto ao mercado francês é a do atacante de origem tusiana, Wissam Ben Yedder, 24 anos, do Toulouse por € 9 milhões. O jogador firmou um contrato de 5 anos.

Em entrevista recente ao site do jornal francês Journal Du Dimanche, Monchi explicou por que tem focado suas investidas mais recentes no mercado francês:

Diferenciação do jogador da Ligue 1:

“Ele é tática e fisicamente dos mais completos do mercado. Ele se adapta perfeitamente aquilo que pesquiso para nossa equipe. Por exemplo, o polonês Grzegorz Krychowiak como já tinha jogado bem no Reims não precisou de tempo para se adaptar a La Liga. Do ponto de vista financeiro o nível de investimento não foi alto: o que pagamos de transferência e de salários estavam dentro dos nossos padrões. Sinceramente, quase não falhei nos últimos 10 anos”.

Efeitos da concorrência dos clubes ingleses e como enfrentá-los 

“Há uma inflação evidente, mas a marca do Sevilla é muito atrativa. Os jogadores que eu procuro tem em mente nossos exemplos de sucesso. Nossas conquistas (2 Copas da UEFA e 2 Ligas Europa desde 2006) e a qualidade de vida em Sevilha também nos reforçam. Jogar aqui pode ser um trampolim para ir ainda mais alto. Veja Bacca que saiu daqui para o Milan ou Geoffrey Kondogbia que foi para o Mônaco e agora está na Inter de Milão”.

Dani Alves um dos melhores negócios feitos por Monchi (foto - Cleber Mendes- Lance!Press)

Dani Alves um dos melhores negócios feitos por Monchi (foto – Cleber Mendes- Lance!Press)

Método de trabalho de sua equipe de observadores

“O jogador da Ligue 1 é a combinação ideal de preço accessível com um rendimento técnico alto. Nós lucramos do excelente trabalho dos centros de formação franceses. Nossa receita: observação e intuição. Eu tenho um núcleo com 16 observadores, todos instalados em nossa cidade. Não temos uma pessoa estabelecida na França. A partir do momento que me interesso por um jogador eu envio vários dos nossos observadores para vê-lo ao vivo, pelo menos em 10 partidas. Cada observação é seguida de um relatório minucioso, que pode se enquadrar no nível A para uma chance de ouro ou B para um jogador que deve seguir monitorado.

Intensidade, alcance e agilidade 

“Não há um único fim de semana em que eu não assista a pelo menos 3 partidas da Ligue 1. Ao final da temporada eu acabo tendo observado pelo menos 3 vezes cada um dos 20 clubes. Eu não posso citar todos os jogadores, mas eu tenho perto de 80 nomes na minha cabeça que tem o perfil para um dia jogar no nosso clube. É isto que permite agir rápido, como agora, com o Mariano, que contratamos no meio de julho. Eu leio os relatórios a cada semana, assim como os dos destaques da Ligue 2 e das seleções de base. Por isto eu consegui realizar todas as operações que eu realmente queria.”

Melhor contratação feita entre jogadores da Ligue 1

“Frédéric Kanouté. Ele foi minha primeira, em 2005. Foi um sucesso técnico com 136 gols em 7 temporadas e criou uma relação forte com o clube, a cidade e se transformou num ídolo. Também posso citar Escudé, Kondogbia, Trémoulinas, Krychowiak…”

Frédéric Kanouté foi a primeira contratação de Mouchi (foto - site oficial de Kanouté)

Frédéric Kanouté é atualmente técnico do juvenil do Sevilla (foto – Kanoute.com)

A Ligue 1 é chata?

“Eu vejo jogadores interessantes em partidas que não são interessantes. Quando eu assisto um 0 a 0, sem gols  – o que é freqüente – eu foco na qualidade do setor defensivo. No futebol francês a questão tática nunca é desinteressante. Por isto temos recrutado defensores como ­Escudé, Squillaci, Dabo, Krychowiak, Trémoulinas ­Kolodziejczak, Rami e Mariano, dentre outros”.

Cuidado com a personalidade dos jogadores alvos

“Muitíssimo importante. Idealmente eu obtenho a informação pessoalmente. Por exemplo, fui a casa de Kevin Gameiro mais de um ano antes de ele assinar conosco em 2013. Na temporada passada, fui umas vinte vezes à França. Tenho que ter certeza da vontade do jogador, que a escolha não é padronizada. Se não consego me reunir com ele eu sempre converso por telefone. O contato humano é a única maneira de reduzir o risco de erro”.

Domínio da língua e a proximidade com o país

“Aprendi a falar francês na escola. mas não tenho qualquer ligação pessoal com a França. Minha motivação é esportiva e facilitada por questões práticas. A proximidade geográfica com a Espanha me permite ampliar a observação”.

Sondagem do PSG para contratá-lo

“Jamais fui sondado. São boatos”.

 

 

1 Rei Midas é um personagem da mitologia grega, inspirado num rei de uma região da Turquia que tinha o dom de transformar em ouro tudo o que tocava e que passou a ter um caráter simbólico e metafórico na sociedade contemporânea.

 

 

 

 



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