Michel Platini : “Blatter parece disposto a morrer lutando”



A justiça, a polícia e a pressão dos patrocinadores e da opinião pública internacional acabarão por determinar a velocidade e a profundidade da reforma de que tanto a FIFA necessita para recuperar a capacidade de seguir liderando o extraordinário mundo de negócios global em que ela própria transformou o futebol dos dias de hoje.

Tão importante quanto as investigações realizadas pelas autoridades americanas e suíças tornadas públicas ontem – e que prosseguirão – , que indicam que “indivíduos e organizações se valeram de subornos para decidir quem transmitiria as partidas, onde elas se realizariam e quem controlaria sua organização que supervisiona o futebol mundial” é a posição de alguns dos principais financiadores deste mundo: os patrocinadores.

Joseph Blatter está na presidência da FIFA desde a Copa de 1998 (foto - site oficial da FIFA)

Joseph Blatter está na presidência da FIFA desde a Copa de 1998 (foto – site oficial da FIFA)

Como imaginar que o atual presidente da FIFA possa seguir dirigindo a entidade quando um dos seus mais notáveis parceiros comerciais – com um contrato que expira em 2022 no valor global estimado em $ 185 milhões  – emite uma nota oficial como a que a Visa tornou pública ontem:

Nossa decepção e preocupação com a FIFA em função dos acontecimentos de hoje é profunda. Como um dos seus patrocinadores, nós esperamos que a FIFA tome medidas rápidas e imediatas para tratar destes temas no interior de sua organização. Isto começa com a reconstrução da cultura com práticas éticas consistentes para restaurar a reputação do esporte junto aos fãs pelo mundo inteiro.

Visa se tornou patrocinadora da FIFA por ser a Copa do Mundo um dos eventos esportivos mais verdadeiramente globais, com poder de unir os povos do mundo inteiro através do amor comum pelo futebol. Nosso patrocínio tem sempre focado no apoio aos clubes, permitindo uma experiência positiva para o torcedor, inspirando comunidades a caminhar juntas e celebrar o espírito de competição e as conquistas individuais – e é importante que a FIFA realize as mudanças já, que permitam que o foco nestes pontos siga adiante. Se a FIFA falhar em fazer isto, já a informamos que suspenderemos nosso patrocínio.”

Por certo o sentido desta manifestação da VISA deve representar a visão dos demais parceiros comerciais da FIFA diante dos fatos noticiados pela mídia espalhada pelos quatro cantos do globo. Não poderia ser de outro modo.

Como imaginar que sem mudar as pessoas que a dirigiram no período em que os “crimes” aconteceram seja possível rever o curso e a cultura do ambiente em que a FIFA deverá buscar o resgate de sua credibilidade? É insustentável a tese defendida pelo porta voz da entidade na entrevista coletiva de ontem e pela nota oficial do presidente Joseph Blatter publicada no site oficial da entidade de que seus dirigentes atuais estão distantes deste processo e que até tem colaborado na sua superação!

Ainda que a direção da UEFA tenha decidido não boicotar as eleições previstas para esta sexta-feira como encarar a atitude já anunciada do vice presidente da entidade europeia, David Gill, de renunciar ao cargo de membro do Comitê Executivo da FIFA caso Joseph Blatter seja reeleito?

David Gill é membro do Comitê Executivo da FIFA ( foto - site oficial do MUFC)

O inglês David Gill é membro do Comitê Executivo da FIFA ( foto – site oficial do MUFC)

Diante de tamanha estupefação mundial provocada pelos fatos das últimas horas em que condições o atual presidente dirigiria a entidade nos próximos anos?

Como Blatter pensa em seguir na presidência da FIFA quando o mundo inteiro passou a ter ciência de que o presidente da UEFA, Michel Platini, propôs a ele, olhos nos olhos, sua renúncia?

Como bem observou o dirigente inglês David Gill na manhã desta quinta-feira o fato de Blatter não renunciar à candidatura depois do que aconteceu ontem em Zurique é o melhor indicativo da gravidade da situação atual. Não é possível que depois de tantos anos à frente da FIFA Blatter ignore as denúncias comprovadas de corrupção. Ou foi conivente ou foi incapaz como gestor de percebê-las.

Michel Platini é o presidente da UEFA (foto - site oficial da UEFA)

Platini apóia o príncipe Ali bin al-Hussein (foto – site oficial da UEFA)

É oportuno recordar que no dia 11 de junho de 2011, logo após ser reeleito para esta mesma presidência, o site do diário londrino The Guardian registrou as seguintes palavras nada proféticas de Blatter: “Nós colocaremos o navio da FIFA de volta no curso correto, em claras e transparentes águas. Vamos precisar de algum tempo. Não podemos afirmar que será de um dia para o outro, mas nossa pirâmide está intacta por que sua fundação é sólida, como sólido é o nosso jogo”.

Pelo visto o velho e combalido dirigente suíço parece disposto a morrer lutando, responsável pelo timão de um navio que não só seguiu na direção errada como parece estar afundando num mar de lama.



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