Mano Menezes apresenta visão controversa para crise da seleção brasileira



O competente e respeitável técnico Mano Menezes manifestou sua opinião a respeito do momento atual da seleção brasileira no programa “Bem, amigos”, apresentado por Galvão Bueno, na noite da última segunda-feira, no Sportv.

Segundo Mano a seleção brasileira por muito tempo tem vivido da qualidade pontual e individual de seus principais craques o que tem contribuído para mascar os problemas técnicos, táticos e de organização do futebol praticado em nosso país. Para ele, a seleção brasileira, neste momento, apenas reflete as questões mal resolvidas em nosso futebol, principalmente a nível dos clubes.

Com todo respeito, considero esta opinião bastante questionável. A seleção brasileira dirigida pelo próprio Mano e que perdeu a final para o México por 2 a 1 na decisão da medalha de ouro das Olimpíadas de Londres tinha a seguinte formação acompanhada dos clubes a que os jogadores estavam vinculados naquele momento: Gabriel (Santos) ; Rafael (Manchester United)/(Lucas – São Paulo), Thiago Silva (PSG), Juan de Jesus(Inter de Milão) e Marcelo (Real Madrid); Sandro (Tottenham)/(Pato – Milan), Rômulo (Vasco), Alex Sandro (Porto)/(Hulk – Porto) e Oscar (Internacional); Neymar (Santos) e Leandro Damião (Internacional).

Mano dirigiu a seleção de 2010 a 2012 (foto - Lance!

Mano dirigiu a seleção de 2010 a 2012 (foto – Lance!

 

Neste momento, o goleiro Rafael joga pelo Napoli, Rômulo pelo Spartak de Moscou, Oscar pelo Chelsea, Hulk pelo Shangai SIPG, Lucas pelo PSG e Neymar pelo Barcelona. Os jogadores que  podemos avaliar que involuíram em suas carreiras são o lateral Rafael que está no Olympique de Marselha, Sandro que joga pelo West Bromwich, Pato que está no Corinthians e Leandro Damião que está no Flamengo. PH Ganso que estava na lista, acaba de se transferir para o Sevilla. O zagueiro Bruno Uvni, que era do São Paulo, está vinculado ao Nápoli, mas emprestado ao Twente da Holanda.

A Seleção Brasileira que disputou as Olimpíadas de Londres não conquistou o ouro por diversas razões, menos a de que não contava com um elenco de nível médio respeitável, mesmo não incluindo Neymar, àquela altura, na lista de super craque consagrado do futebol internacional. Os motivos pela derrota na final talvez até foram parecidas com as que estiveram por trás de um outra frustração brasileira em jogos olímpicos como os da medalha de bronze Atlanta, em 1996.

Neymar disputou os jogos de Londres 2012 (foto - site oficial da CBF)

Neymar disputou os jogos de Londres 2012 (foto – site oficial da CBF)

Naquela oportunidade, ela reunia atletas como Dida, Aldair, Roberto Carlos, Flavio Conceição, Juninho Paulista, Luizão, Rivaldo, Bebeto, Ronaldo Fenômeno e Sávio. Mas ligar ambas as decepções ao tipo de gestão a que ainda estava e ainda se encontra submetida a CBF ou ao tipo de formação que jogadores deste nível receberam em seus clubes é transferir responsabilidade. Boa parte daquela seleção de 2006, por exemplo, esteve presente na campanha que levou ao vice campeonato da Copa da França em 1998 e à conquista do título da Copa de 2002 na Coréia e Japão.

Em Atlanta e em Londres nossas seleções eram compostas de jovens jogadores de altíssima qualidade que, em sua grande maioria, se afirmou em alguns dos principais clubes do mundo. Não havia crise técnica entre os jogadores como a própria realidade de suas carreiras veio a demonstrar.

A Seleção Brasileira chegará aos jogos Rio 2016 sob imensa pressão derivada dos insucessos consecutivos nas Copas do Mundo de 2006, 2010 e 2014, na Copa América 2015, na Copa América Centenário e pela sexta colocação atual nas eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 na Rússia.

Felipão dirigiu a seleção no último título (foto - fifa.com)

Felipão dirigiu a seleção no último título (foto – fifa.com)

De fato, trata-se de uma sequência algo anômala para uma seleção com o histórico tão positivo que construiu ao longo do tempo. A última conquista relevante se deu na Copa das Confederações de 2013 realizada no país. Mas chegar desacreditada a uma competição não será nada surpreendente para uma seleção brasileira. Foi assim em 1970, em 1994 e 2002. Por mais que os comentaristas do fato consumado não admitam, eles duvidaram das chances brasileiras nas 3 edições.

Nossos principais jogadores continuam atraindo os clubes internacionais e se transferindo para o exterior. Se algo precisa, de fato, ser repensado no futebol jogado no Brasil, dentre muitas outras coisas, é a maneira como nossos técnicos tem se formado e trabalhado. Temos ótimos treinadores, mas um pouco de ar fresco e rejuvenescimento de métodos e ideias não farão mal algum.

Mano Menezes foi demitido na hora errada e por motivos ainda mais equivocados da seleção brasileira. Sua continuidade no cargo poderia ter determinado um desfecho muito diferente para nosso futebol na Copa do Mundo de 2014. Por 3 razões básicas: é um bom técnico, tinha um bom elenco nas mãos e seu trabalho começava a se consolidar. Isto teria acontecido apesar dos problemas que existiam e continuam a atrapalhar nosso futebol.

 

 

 

 

 

 

 



  • Alarico Caiser Soze

    Mano Menezes não é um técnico que me agrada muito mas nessa estou com ele. A qualidade técnica do jogador brasileiro tem mascarado sim, ao longo dos anos, os problemas de formação, manutenção de atletas, administração, tática, e uma infinidade de outras mazelas que existem no futebol brasileiro. Antigamente eramos referencia em preparo fisico, hoje um dos piores do mundo, só para dar um exemplo pequeno.

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