Manchester United de Mourinho tem recorde negativo de mais de uma década!



O técnico José Mourinho é um das pessoas mais inteligentes e midiáticas envolvidas com o futebol contemporâneo. Sua inteligência tem facilitado sua participação em entrevistas coletivas onde costuma apresentar opiniões firmes, ferinas, calculadas e que costumam gerar manchetes apetitosas para os jornalistas e atraentes para os leitores. Foi assim em Portugal, na Inglaterra, na Itália e na Espanha noutras épocas.

A verdade, entretanto, é que, nos últimos tempos, Mourinho tem brilhado muito na frente das câmeras e bem menos na beira dos gramados. Ele próprio – e mais ninguém – reconheceu que precisava respirar e refletir sobre sua carreira e seus conceitos futebolísticos quando decidiu não trabalhar por praticamente 6 meses após ter deixado o Chelsea, em dezembro de 2015, na 16ª rodada da temporada 2015/16 na modestíssima 16ª colocação.

Mourinho reapareceu, em maio deste ano, com a autoconfiança aparentemente reacendida para dirigir o Manchester United. Como que por encanto suas 5 últimas temporadas – desde a de 2010/11 no Real Madrid – de fracassos reiterados em nível europeu e resultados apenas satisfatórios em termos de ligas nacionais, foram contemporizadas por grande parte da mídia esportiva e da própria torcida do Manchester United aparentemente unidas na convicção de que ele se encontrava em condições de liderar a retomada de conquistas e de protagonismo que marcaram a era em que o clube foi dirigido por Sir Alex Ferguson.

Mourinho foi contratado pelo que nunca foi. Mourinho pode ter sido um vencedor em vários momentos de seu trabalho até aqui, mas jamais suas equipes foram encantadoras ou envolventes. A direção e a torcida do Manchester United viveram alguns meses de ilusão sem perceberem, de fato, como pensa o homem que contrataram.

José Mourinho tem 53 anos (foto - mufc.com)

José Mourinho tem 53 anos (foto – mufc.com)

Mourinho é um ótimo técnico de futebol. Ele é um pensador deste esporte. Mas suas convicções táticas em nada se assemelham aquelas que por quase 3 décadas marcaram as equipes dirigidas por Sir Alex Ferguson e, ainda mais remotamente, nos anos 50 e 60, as de Sir Matt Busby.

Ontem, após o empate por 0 a 0 contra o Liverpool, em Anfield, Mourinho apareceu satisfeito para a conversa com os jornalistas. Ironizou aqueles que destacam a qualidade do trabalho do alemão Jürgen Klopp à frente do Liverpool ao lembrar que “ela (Liverpool) é uma grande equipe, mas ela não é a última maravilha do mundo como vocês dizem que é”. Em seguida questionou: “o que valem 65% de posse de bola se você chuta apenas 2 bolas contra nosso gol?”. Segundo o português, “nós controlamos o jogo taticamente e nós controlamos emocionalmente e não é fácil fazer as 2 coisas aqui. O resultado é aceitável”.

Mourinho precisa entender que o Manchester United não é o Porto, não é o Chelsea, muito menos o Leicester. O Manchester United é um clube estrutural e culturalmente vocacionado para vencer. Sua torcida clama por um futebol ofensivo e exige uma equipe audaciosa e inconformista. Ele não deu a devida importância ao fato de que nas últimas 5 vezes em que o United visitou Anfield venceu 3 partidas e perdeu apenas 1. Na temporada passada, com o tão criticado Louis Van Gaal, o United venceu o Liverpool dentro e fora de casa. Ontem, o United, com apenas 35% de posse de bola, teve pior resultado neste item desde a temporada 2003/04.

As duas lendas: Alex Ferguson e Matt Busby (imagem - manutd.com)

As duas lendas: Alex Ferguson e Matt Busby (imagem – manutd.com)

Mourinho ainda não captou a alma do Manchester United se não percebeu que o Liverpool, desta vez, recebeu seu maior rival com a sensação plena de que, depois de tanto tempo, era o favorito para o duelo. E os jogadores de Klopp encararam assim o confronto, por que é, neste momento, uma equipe com ambição e com uma ideia exata do que pretende diante de seu tradicionalíssimo rival.

Mourinho gastou uma fortuna com jogadores que justificam a montagem de uma equipe mais refinada e mais de acordo com a cultura de futebol praticado há décadas em Old Trafford, que está longe do pragmatismo tático que ele tem abusado de utilizar para alcançar resultados positivos, cada vez mais mundanos.

No “Teatro dos Sonhos” ou longe dele, a torcida do Manchester United não vai se satisfazer com vitórias que resultem de soluções como “parar o ônibus na frente da sua área” para defender a qualquer custo um resultado.

Mourinho pode ser bem sucedido no Manchester United, mas para isto precisará se redescobrir como técnico. Ele parou no tempo e nem seus meses sabáticos de reflexão e observação distante dos vestiários e dos gramados parece terem mexido com seus conceitos.

A 7ª posição na tabela da Premier League 2016/17 depois de 8 rodadas é um sinal amarelo flagrante para o técnico português que criou para ele próprio o título de “Number One”.

 

 

 



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