Makélélé, Xabi Alonso e Khedira: os fantasmas de Florentino Perez



A Juventus de Turim realiza uma arrancada espetacular na Série A 2015/16 com 9 vitórias consecutivas que já a coloca na segunda colocação na tabela de classificação a apenas 2 pontos do líder Napoli, depois de um início assustadoramente débil no campeonato. A recuperação impressionante se deve ao entrosamento progressivo da equipe de Massimiliano Allegri que foi obrigada a ser reconstruída para a atual temporada em função da saída simultânea de jogadores fundamentais como Andrea Pirlo, Arturo Vidal e Carlitos Tevez.

Neste processo renovador se destaca um jogador nada espetacular, mas que vem se afirmando naturalmente na equipe com um papel importante de coadjuvante chamado Sami Khedira. Seu entrosamento com Paul Pogba, o verdadeiro maestro e mentor da equipe, vem lastreando atuações cada vez mais consistentes do atual tri-campeão italiano. Khedira já havia cumprido papel igualmente relevante na própria seleção alemã campeã do mundo na Copa do Mundo disputada no Brasil.

Florentino Perez está na presidência pela segunda vez. (foto - realmadrid.com)

Florentino Perez está na presidência pela segunda vez. (foto – realmadrid.com)

Esta constatação nos remete ao dilema permanente de instabilidade e fragilidade defensiva que sofre o Real Madrid a cada remontagem de seu elenco quando idealizada e posta em prática pelo presidente do clube, Florentino Perez.

Para um amante do futebol plástico e composto de personagens galáticos, como é inegavelmente Florentino Perez, mas com parco conhecimento tático e sobre como montar um time competitivo e equilibrado, se faz impossível perceber que jogadores como Claude Makélélé, Xabi Alonso ou Sami Khedira são absolutamente indispensáveis para que astros e estilistas como Clarence Seedorf, David Beckham, Zinedine Zidane, Toni Kroos, Lucas Modric ou Cristiano Ronaldo brilhem e protagonizem vitórias e conquistas.

A verdade é que algumas das principais apostas do presidente do Real não funcionaram como ele imaginava. Não deu certo na sua primeira passagem pelo clube (2000/06) quando abriu mão de Makélélé, que foi brilhar no Chelsea de José Mourinho. Voltou a dar errado no mandato atual (desde 2009), a partir do momento em que desafiou a política de escolha dos jogadores defendida pelo ex-técnico Carlo Ancelotti, ao liberar Xabi Alonso para o Bayern de Munique dirigido por Pep Guardiola e Khedira para a Juventus, vice-campeã da Champions League, de Massimiliano Allegri.

Makélélé é o novo diretor do Monaco (foto - asmonaco.com)

Makélélé é o novo diretor do Monaco (foto – asmonaco.com)

O futebol é um esporte coletivo. Os grandes times, aqueles que fazem história, que mudam a maneira do esporte ser percebido pelos entendidos e pelos torcedores, se sustentam na combinação de jogadores com virtudes, valências, debilidades e características humanas que precisam se harmonizar e resultar num conjunto harmônico de vontade, talento e espírito vencedor.

Florentino Perez  – um homem inteligente, rico e poderoso – é um apaixonado pelo Real Madrid e pelo futebol. Mas está longe de ser um entendedor respeitável de como este esporte deve ser jogado. É possível que ele encare Makélélé, Alonso e Khedira como personagens fantasmas quando reflete com seus “assessores” a cada montagem fracassada de elencos milionários do Real Madrid.

O presidente deveria presidir o clube e confiar a especialistas a direção do futebol. Esta fórmula simples costuma render bons resultados. Por que seria diferente no clube mais endinheirado do planeta?

 

 

 

 

 



  • Rodrigo Serpa

    Não sei se foi de alguma era do Perez, mas também teve o Cambiasso que saiu e foi campeão da Champions pela Inter…

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