Macri, presidente eleito da Argentina, quer modernizar o futebol



O recém eleito presidente da república da Argentina, Maurício Macri, 56 anos, está disposto a investir na modernização do futebol do seu país. Macri tem tudo para ser bem sucedido na empreitada. Primeiro por que conhece profundamente o assunto pois já foi presidente do Boca Juniors (1996 a 2008), período em que o clube conquistou 2 Copas Libertadores e 15 outros títulos. Depois, por que, desde 2009, o estado é detentor dos direitos de TV do futebol argentino, através do programa “Fútbol para Todos”, em sociedade com a AFA (Associacion de Fútbol Argentino).

Macri, o presidente Cartes do Paraguai e Angelici, presidente do Boca ( foto - bocajuniors.com.ar)

Maurício Macri, o presidente Horácio Cartes do Paraguai e Daniel Angelici, atual presidente do Boca ( foto – bocajuniors.com.ar)

Portanto, o envolvimento governamental no mundo do futebol daquele país é profundo. Mais do que isto. O futebol virou instrumento de propaganda política dos governos do casal Kirchner em aliança íntima com o então presidente da AFA, Júlio Grondona.

O momento para as mudanças não poderia ser mais adequado. Macri assumirá a presidência no próximo dia 10 de dezembro. Uma semana antes, no dia 3, haverá eleição para a presidência da AFA. Há 2 candidatos: o atual presidente Luís Segura, 72 anos, ligado ao Argentino Juniors e Marcelo Tinelli, 55 anos, torcedor do San Lorenzo.afa

Macri já se encontrou com Tinelli, na última sexta-feira, e deverá fazer o mesmo, nos próximos dias, com Segura. O novo presidente tem deixado claro sua opinião de que “o futebol argentino tem reproduzido nos últimos anos a mesma desordem em que a Argentina está metida: é un viva la pepa” (vale tudo). O presidente, neste caso, sabe perfeitamente do que está falando.

A partir de seu conhecimento do assunto, Macri tem um roteiro de mudanças que deverá patrocinar:

  • manutenção do “Fútbol Para Todos”, mas com o incremento da publicidade privada para reduzir os gastos públicos no programa que atingiram algo como $ 600 milhões nos últimos 6 anos.
  • exigir a organização das finanças dos clubes
  • comprometer o estado na luta para eliminar a violência entre as torcidas e nos estádios.
  • exigir uma gestão mais transparente e profissional para a AFA
  • investir na melhoria da formação dos árbitros.

 

A politização da gestão do futebol argentino produziu distorções evidentes como a do campeonato da primeira divisão ser disputado por 30 clubes. Mas a solução de algumas delas dependerá da vontade de modernização da próxima direção da AFA e não apenas do desejo do novo presidente.

Por fim vale notar a ausência na pauta sugerida por Macri da necessidade de modernização dos estádios argentinos, escandalosamente anacrônicos, desconfortáveis e inseguros. Mas, neste caso, a explicação talvez tenha a ver com a própria gravíssima crise econômica por que passa o país e seu atual nível de investimento irrisório. De onde viria o financiamento para que os clubes reformem seus estádios?

Atualizado às 16:47h de 27/11/2015



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