Há renovação entre os técnicos no futebol contemporâneo?



O Campeonato Brasileiro 2018, após disputadas 4 rodadas, tem o Flamengo, treinado por Mauricio Barbieri, de 36 anos, como líder. Em segundo lugar está o Palmeiras de Roger Machado, com 43 anos, em terceiro, o Vasco da Gama, de Zé Ricardo, de 46 anos, em quarto, o Corinthians de Fabio Carille, de 44 anos e, em quinto, o Grêmio de Renato Portaluppi, com 55 anos. Todos são mais jovens que o técnico Tite da seleção brasileira que disputará a Copa do Mundo com 57 anos.

A renovação nos nomes que dirigem os grandes clubes brasileiros é levemente perceptível, mas ela é muito menos radical do que muitos sugerem e envolve profissionais nem tão jovens como outros tantos acreditam. Fernando Diniz tenta implantar algo diferente à frente do Atlético Paranaense, mas já está com 44 anos.

Por outro lado, Jair Ventura despontou magnífico no Botafogo aos 37 anos e agora tenta se firmar no Santos aos 39. Thiago Largui, no Galo, tem 37 anos. Mano Menezes, despontou no Grêmio com 43 chegou à seleção brasileira com 48 anos e já está com 55 anos. Abel Braga é o mais velho da Série A, com 65 anos, no entanto vem buscando soluções originais no elenco novato do Flu que tem em mãos.

Há quem compare esta nossa realidade com os grandes clubes europeus que em sua maioria contam neste momento com treinadores mais experimentados. Mas nem sempre foi assim. Nem lá, nem cá.

Pep Guardiola conquistou a tríplice coroa como técnico do Barça com 38 anos (foto – fcbarcelona.com)

Muito pelo contrário. Alguns dos times mais vitoriosos e inovadores nas últimas décadas foram organizados por profissionais que despontavam na profissão e acabaram empreendendo trabalhos transformadores.

Mario Jorge Lobo Zagallo liderou a seleção brasileira à conquista do Tri na Copa do México com 39 anos incompletos. Ele montou uma equipe harmônica, equilibrada e brilhante juntando talentos como Carlos Alberto, Clodoaldo, Gerson, Rivelino, Tostão, Jairzinho, Paulo Cesar e Pelé.

Rinus Michels assumiu o Ajax com 37 anos em 1965 e conquistou sua primeira Copa dos Campeões com 43 anos, em 1971.

Arrigo Sacchi era um desconhecido quando chegou ao Milan em 1987 vindo do até então modesto Parma. Seu Milan do futebol total e com o fabuloso trio holandês revolucionou o calcio quanto ele tinha 41 anos.

Pep Guardiola assumiu o Barcelona em 2008, com 37 anos, e montou uma das equipes mais empolgantes da história futebol espanhol e mundial, conquistando a tríplice coroa apenas um ano depois. À frente do Barça ele conquistou 14 dos 19 troféus que disputou.

Mourinho passou a dirigir o FC do Porto aos 37 anos e o conduziu à conquista surpreendente da Champions League 2003/24 quando não passava dos 39 anos.

Zinedine Zidane, ainda que não pareça, assumiu o Real Madrid já com 44 anos e persegue agora um espetacular tricampeonato da Champions League depois de superar o Bayern de Munique de Jupp Heynckes,  de 73 anos.

Neste momento, o alemão Thomas Tuchel parece se firmar como um técnico de prestígio, mas o faz aos 44 anos. Niko Kovac assumirá o Bayern na próxima temporada aos 46 anos.

É claro que experiência e maturidade são aspectos que acabam importando no trabalho de um treinador, mas nem sempre são os fatores decisivos, muito menos na determinação no nível de inovação que ele traz para o futebol. Há técnicos jovens, mas conservadores, e outros, com idade avançada, mas que permanecem atualizados e criativos.

Quem sabe não está chegando a hora de uma nova chacoalha no universo dos técnicos dos grandes clubes europeus? Por aqui, o processo está em curso, à moda brasileira, com um rejuvenescimento moderado daqueles que tem a responsabilidade de dirigir nossas equipes.

Acho que vale a pena refletir a respeito.

 

 

 

 

 

 



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