Há 50 anos, o “Bola de Ouro” húngaro Albert vestia a camisa 9 do Flamengo



Atualizado às 13:24h de 15/01/2017

 

Há exatos 50 anos, no dia 15 de janeiro de 1967, o craque húngaro Albert Flórián (1941/2011) vestiu a camisa 9 do Flamengo no primeiro de dois amistosos que jogaria contra o Vasco da Gama na disputa do Troféu Rivadávia Correa Meyer, homenagem ao ex-presidente da CBD que falecera.

Albert, que jogou pelo Ferencvárosi TC de Budapeste, entre 1958 e 1974, estava no auge de sua carreira e seria eleito pela revista France Football, em setembro daquele ano, o Bola de Ouro do futebol europeu, superando jogadores míticos como o inglês Bobby Charlton (Bola de Ouro 1966), o português Eusébio (Bola de Ouro 1965) e o alemão Franz Beckembauer (Bola de Ouro 1972 e 1976).

Na partida disputada na Gávea¹, o Flamengo venceu por 2 a 0, com gols de Albert e Osvaldo. Antes do jogo, houve homenagens para o craque húngaro, para o atacante Silva que se despedia do clube e para o volante Carlinhos pelos 12 anos que completava como jogador do Flamengo.

No segundo amistoso², na quarta-feira, dia 18, em General Severiano, o Vasco da Gama venceu por 2 a 0 com gols de Oldair e Morais. Albert saiu na metade do segundo tempo pois voaria naquela mesma noite de volta para seu país. Ele se reapresentaria imediatamente ao Ferencvárosi que jogaria no início de fevereiro contra o Eintracht Frankfurt pela então Liga dos Campeões da Europa.

O registro do episódio ganha significado se o compararmos com a realidade de profissionalização e sentido empresarial do futebol contemporâneo. Nos dias de hoje equivaleria a que Cristiano Ronaldo ou Lionel Messi visitasse o Rio de Janeiro, treinasse na Gávea por 2 semanas e atuasse pelo Flamengo em 2 amistosos sem qualquer remuneração em troca. Nas circunstâncias de hoje as chances de um jogador vinculado a um clube húngaro voltar a conquistar um dos prêmios mais cobiçados são risíveis.

Albert celebrando seu gol na Gávea

Albert, ao centro,  celebrando seu gol na Gávea

Albert passou 2 semanas no Rio de Janeiro convidado pelo vice-presidente rubro negro de então, o sueco Gunnar Goransson, e pelo presidente Luiz Roberto Veiga Brito. Sua passagem foi coberta com grande destaque pela mídia esportiva. O convite ao jogador foi feito vários meses antes, mas sua vinda no início da temporada de 1967 também serviu para tentar resgatar o ânimo da torcida rubro-negra traumatizada pela perda do título carioca do ano anterior na famosa decisão contra o Bangu no Maracanã. Poucas semanas antes, num domingo, 18 de dezembro de 1966, diante de 143 mil pessoas, o clube de Moça Bonita vencia por 3 a 0 quando uma briga generalizada entre os jogadores interrompeu a partida. Ao final o árbitro Aírton Vieira de Morais encerrou a partida em função do número de jogadores que ele expulsara de campo.

A badalação em torno da vinda de Albert, portanto, se justificava e incluiu até a ida de sua esposa, Irene, à quadra da escola de samba Estação Primeira de Mangueira onde foi homenageada. Albert foi primeira página de O Globo, Jornal do Brasil, Jornal dos Sports, Diário de Notícias em vários daqueles dias.

O craque húngaro se tornara conhecido no Brasil especialmente por ter sido apontado como o melhor jogador em campo na vitória da Hungria sobre a Seleção Brasileira, por 3 a 1, na Copa do Mundo da Inglaterra meses antes. Ele ainda hoje é considerado o melhor jogador de seu país após a geração de ouro de Ferenc Puskás, Sándor Kocsis, Zoltán Czibor, Nándor Hidegkuti e outros que brilharam no futebol europeu nos anos 50 do século passado. Ele disputou 75 partidas e assinalou 31 gols pela seleção húngara entre 1959 e 1974. Pelo Ferencvárosi foram 350 jogos e 258 gols marcados.

O atacante se destacava pela inteligência e elegância com que se movimentava em campo, pela técnica e eficiência com que chegava ao gol adversário.

Albert conquistou 4 títulos de campeão húngaro (1962/63, 1963/64, 1966/67 e 1967/68) 3 Copas da Hungria ( 1957/58, 1961/61 e 1973/74) 1 Taça Europeia das Feiras (1964/65) e a medalha de bronze nas Olimpíadas de 1960 em Roma. Ele foi 3 vezes o artilheiro do campeonato húngaro (1959/60, 1960/61 e 1964/65), o artilheiro da Copa do Mundo de 1962 no Chile e o artilheiro da Copa dos Campeões de 1965/67.

 

FUNDAÇÃO

Neste momento a “Albert Flórián Sport Foundation”, dirigida por Albert Jr e Magdolna, filhos de Albert, por ocasião da celebração dos 75 anos de nascimento do craque, organiza uma exposição sobre sua carreira que funcionará até o dia 30 de maio dentro do Museu do Ferencvárosi, em Budapeste.

Inspirados pela lembrança das histórias simpáticas que seus pais contavam da visita ao Rio e pelo tratamento que receberam do Flamengo, seus filhos se dirigiram oficialmente ao clube, através de seu amigo húngaro/brasileiro Jorge Frank, e solicitaram uma camisa oficial rubro-negra de número 9, com o nome de Albert às costas, para que esta viesse a integrar a exposição. O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, e o vice-presidente de patrimônio histórico, Roberto Diniz, não se limitaram a enviar duas camisas oficiais do clube. Eles também providenciaram a produção de um vídeo com o depoimento dos ex-craques rubro-negros Silva Batuta e de Paulo Henrique³ que conviveram com Albert durante sua permanência no Rio.

Marca da Fundação Albert

Marca da Albert Flórián Sport Foundation

O principal canal esportivo de TV da Hungria registrou a entrega formal do material enviado pelo Flamengo numa reportagem exibida na última sexta-feira e que teve mais de 8 minutos de duração.

Recentemente, a Fundação lançou um livro com fotos, depoimentos de outras legendas do futebol húngaros e histórias com a carreira de Albert.

 

 

 

 

 

 

Notas:

¹Flamengo 2 x 0 Vasco – Gávea – Flamengo – Marco Aurélio, Murilo, Jaime, Ditão (Gilson) e Paulo Henrique; Pedrinho (Jarbas) e Carlinhos  (Osvaldo); Dênis (Pedrinho), Albert, Cesar (Rimbo) e Osvaldo (Arílson). Técnico: Armando Renganeshi – Vasco da Gama – Édson, Ari (Odair), Sérgio, Ananias, e Oldair (Tinoco); Maranhão (Salomão) e Danilo; Zezinho (Nado), Bianchini (Acelino), Adilson (Rubilota) e Morais. Técnico: Zizinho. Árbitro: Arnaldo César Coelho

 

²Vasco da Gama 2 x 0 Flamengo – General Severiano – Vasco da Gama – Édison, Nilton, Sérgio, Ananias e Oldair; Maranhão (Salomão) e Danilo Menezes; Zezinho (Nado), Bianchini, Adilson e Morais. Técnico: Zizinho – Flamengo – Marco Aurélio, Murilo (Leon), Jaime, Luís Carlos (Murilo) e Paulo Henrique; Pedrinho (Jarbas) e Carlinhos; Dênis (Pedrinho), Albert (Fio), César e Osvaldo. Técnico: Armando Renganeshi – Árbitro: José Mário Vinhas.

 

³Paulo Henrique era o lateral esquerdo da seleção brasileira na derrota para Hungria de Albert na Copa da Inglaterra em 1966.

 



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