Gullit: “O Barça, o Bayern e a Espanha se parecem com o meu Milan”



O holandês Ruud Gullit, 53 anos, me impressionou desde que o vi jogar, in loco, pela primeira vez contra a Fiorentina, em San Siro, na temporada 1987/88. Eu fazia uma série de matérias especiais para o Jornal dos Sports sobre o Calcio, que começava a ser acompanhado pelos torcedores brasileiros em função das transmissões, ao vivo, de suas partidas dominicais através da Rede Bandeirantes.

O nome Gullit significava pouco no Brasil na época. Era a primeira temporada dele e de Marco Van Basten no clube em que viriam a fazer história, liderados pelo genial e revolucionário técnico Arrigo Sacchi, inclusive com a conquista do bicampeonato da Champions League (1988/89 e 1989/90). Foi uma época de ouro no futebol da Itália, particularmente, do Milan e do Napoli. Gullit e Van Basten reinavam em Milão, enquanto Careca e Maradona empolgavam o fanático torcedor napolitano.

Gullit foi o Bola de Ouro em 1987 (foto - Acmilan.com)

Gullit foi o Bola de Ouro em 1987 (foto – Acmilan.com)

Gullit jogou no pequeno Harleem da Holanda, Feyenoord, PSV, Milan, Sampdoria e Chelsea. Chegou a acumular a função de técnico nos Blues, numa época muito diferente da inaugurada com a aquisição do clube londrino pelo bilionário russo Roman Abramovich. Pela seleção holandesa, sob o comando do mítico Rinus Michels, conquistou a Euro 1988. Como técnico ele trabalhou no Chelsea, Newcastle, Feyenoord, Los Angeles Galaxy e Terek Grozny.

O ex-craque holandês concedeu magnífica entrevista ao jornalista Juan Castro do diário espanhol Marca, em Nova York, de onde ele retornava à Amsterdam depois de ter sido homenageado no México pelo Salão da Fama do Futebol, da cidade de Pachuca.

Aqui vão os comentários principais de Gullit ao Marca sobre o futebol contemporâneo durante a entrevista. Ele fala da seleção, do futebol holandês, do Milan de Sacchi, do futebol espanhol e de Pep Guardiola:

Crise atual do futebol holandês:

“É evidente que estamos numa crise muito séria, talvez a maior dos últimos anos. Não nos classificamos para a Euro 2016 e creio que o futebol holandês a nível tático, está caminhando na direção errada”

Faltam bons zagueiros holandeses:

“No último Mundial jogamos com 5 zagueiros, mudando do nosso sistema habitual de 4-3-3. Temos muitos problemas defensivos na Holanda. Não temos grandes zagueiros como antes. Depois de Jaap Stam não tivemos mais nenhum defensor de nível internacional. Na minha época eram vários e, agora, nenhum. Os zagueiros não tem que saber apenas saber passar a bola da esquerda para a direita e da direita para a esquerda ou avançar até o meio campo. Eles tem que, sobretudo, defender como feras. E não temos estes jogadores neste momento. Muitas vezes jogamos com meio campistas como zagueiros. Assim não temos como competir a nível internacional”.

Copa no Brasil e opção de Van Gaal por 5 zagueiros:

“Não havia outra solução. Foi uma necessidade que não nunca tivemos antes. Apoio Van Gaal nesta decisão. Tínhamos problemas atrás e ele se viu obrigado a fazer isto. Contra a Espanha o meio campo e o ataque funcionaram bem. Mas no resto do torneio, defensivamente fomos um desastre. Para competirmos no alto nível precisamos de bons zagueiros. A solução é trabalhar a base de tudo. A posse da bola não é a única coisa no futebol. Se não defender bem você está perdido. Não dá só para atacar. Não dá para se ter a bola só para tê-la. Na verdade não esperávamos um resultado tão bom na Copa. Tínhamos muitos problemas na equipe. Ela se comportou bem, demos sorte e fomos longe na competição”.

Van Gaal dirigiu a Holanda na Copa de 2014 (foto - Reuters)

Van Gaal dirigiu a Holanda na Copa de 2014 (foto – Reuters)

Modelo espanhol e a reconstrução da seleção holandesa:

“Não acho que devemos seguir o modelo espanhol por que no meio e no ataque estamos indo bem. Mas, insisto que não podemos competir em alto nível com tantas deficiências atrás. Além disto na Holanda não temos tanto dinheiro para competir com os grandes clubes da Europa”.

Equipes atuais comparáveis ao Milan de Sacchi:
“Algumas equipes lembram aquele Milan, mas não muitas. A Espanha jogou muito bem. O Barcelona de Pep Guardiola atingiu um nível excepcional. Também gosto muito do Bayern de agora”.

Pep Guardiola tem 44 anos. (foto - site oficial do FC Bayern)

Pep Guardiola tem 44 anos. (foto – site oficial do FC Bayern)

Guardiola e o futebol total do Milan:
“Eu acho que nosso time se baseava muito na defesa. As regras também eram diferentes. Nós podíamos atrasar para o goleiro e ele podia agarrar a bola. Isto modificava todo o conceito do pressing. Imagina se aquele Milan tivesse a chance de jogar contra um time que não podia atrasar a bola para o goleiro! Nosso pressing teria sido ainda mais mortal. Tudo mudou muito”.

Real Madrid da ” La Quinta del Buitre” (formado pelo quinteto das divisões de base formado por Pardeza, Sanchis, Michel, Martin Vázques e Emílio Butrageño):

“Era uma equipe fantástica. Butragueño era um fenômeno. Lembro também de Hugo Sánchez. Era preciso estar sempre muito alerta com ele. Mas admito que aquele que eu mais gostava era o Gordillo. Talvez o que tinha menos qualidade, mas que jogava com o coração. E isto é o que admiro no jogador”.

Butragueño jogou entre 1982 e 1995 no Real (foto - realmadrid.com)

Butragueño jogou entre 1982 e 1995 no Real (foto – realmadrid.com)

Nível da La Liga atual:

“Claro que eu gosto de ver a La Liga. De longe não vejo ninguém na frente. O Barça por que está sem Messi. O Real por que ainda está se adaptando a Rafa Benítez. O Barcelona é bom mas sem Messi é outra coisa. Sinto que os rivais tem menos respeito por ele sem Messi em campo. São dois estilos diferentes de equipes.

Messi ou Cristiano Ronaldo:

“Não tenho preferências”.

Jogador espanhol que empolga:

“Andrés Iniesta. Ele me encanta”.

 

 

 

 

 

 



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