Guardiola errou, mas o Bayern ainda está vivo na Champions!



Josep Guardiola i Sala, 45 anos, é um dos melhores técnicos, senão o melhor, do mundo e não apenas pelos títulos alcançados. Ele se diferencia pela inteligência, originalidade, profundidade e visão estratégica com que encara o futebol.

O Barcelona, sob sua direção técnica, atingiu o olimpo, conquistando tudo o que disputou. O próprio Guardiola reconhece que apreendeu muito de treinadores com quem conviveu, notadamente Johaan Cruyff, Louis Van Gaal e Bobby Robson. Mas ele já foi além.

No comando do Bayern de Munique ele ainda não conquistou uma Champions League, é verdade, porém, já marcou época no futebol alemão não apenas pela sequência de títulos nacionais, mas sobretudo pelas novidades que introduziu no jeito de jogar do clube mais poderoso e influente do país atual campeão do mundo. Seus jogadores praticam um jogo baseado na posse e circulação intensa da bola e mudança constante de posições dos jogadores como nunca um time alemão praticou antes.

Guardiola: treinará o Manchester City em 2017 (foto - uefa.com)

Guardiola: treinará o Manchester City a partir da próxima temporada (foto – uefa.com)

A questão é que, mesmo genial, Guardiola também erra e, vez por outra, briga com a realidade e desafia o bom senso.

Logo após a derrota por 1 a 0 para o Atlético de Madrid na última quarta-feira na partida de ida das semifinais da Champions League 2015/16, Guardiola se mostrou “ferido”, agitado durante a entrevista coletiva na sala de imprensa do estádio Vicente Calderón. Questionado sobre os motivos que o levaram a não escalar o atacante Thomas Müller desde o início e por só colocá-lo em campo aos 25 minutos do segundo tempo quando sua equipe perdia por 1 a 0, desde os 11 minutos do primeiro tempo, Guardiola argumentou:

– A razão foi puramente tática. Eu quis jogar com só um atacante. Minha experiência com 2 atacantes de centro não foi boa. Eu quis ter mais controle. Thomas Müller me encanta. Tem faro. Em Lisboa, foi Lewandowski que começou no banco, mas nos classificamos. Afinal, sempre tenho que tomar uma decisão. Mas ainda não acabou. Ainda estamos no jogo. Eu ainda não estou morto”.

Guardiola, naquele momento, experimentou seu momento de teimosia enrustida e esperto esgrimista retórico. Em primeiro lugar, Lewandowski ficou no banco num jogo em que o Bayern não venceu (2 a 2 com o Benfica). O empate bastava para garantir a vaga ao clube nas semifinais. Portanto, sua presença em campo por mais tempo (ele entrou aos 39 minutos do segundo tempo naquela noite) poderia perfeitamente ter influenciado o andamento do placar e garantido a classificação de maneira mais confortável.

E o mais grave no tal comentário: baseado em que Guardiola concluiu que Müller e Lewandowski não tem sido uma experiência “boa”? Os 2 atuaram juntos em 23 das 26 vitórias do Bayern na atual Bundesliga. Em 3 delas, cada um deles assinalou 2 gols! Os 2 já assinalaram 47 dos 75 gols da equipe na Bundesliga, em que Lewandowski é o primeiro e Müller o terceiro na lista dos artilheiros.

Na própria Champions League os dois goleadores estiveram lado a lado em todas as vitórias importantes, inclusive na virada espetacular sobre a Juventus nas quartas de final. Cada um tem 8 gols marcados somando 16 dos 28 gols do clube no torneio. Portanto, Guardiola deu uma resposta inconsistente, desprovida de qualquer sentido, distanciada dos números que a realidade impõe a partir daquilo que os dois tem produzido juntos no ataque do time alemão.

Müller já marcou 32 gols na temporada (foto - fcbayern.com)

Müller já marcou 32 gols na temporada (foto – fcbayern.com)


Guardiola é um ser pensante, cativante e ambicioso. Não se satisfaz com o bom, nem com o sucesso obtido, persegue o melhor do melhor. Assim como em seu tempo de jogador, antes de realizar um lance, ele já antevê o próximo. Mas, mesmo cercado de auxiliares tão obcecados pela excelência e pelo futebol quanto ele, Guardiola é, antes de tudo, um ser humano, de carne e osso. E, por isto, comete erros, mesmo no universo em que é genial, inspirador e revolucionário.

Na última quarta-feira, em Madri, manter Thomas Müller saudável e descansado no banco de reservas entre os 11 minutos do primeiro tempo – quando o Atlético de Madrid se colocou à frente do placar – até os  25 minutos do segundo tempo, foi certamente uma das decisões mais excêntricas, incoerentes e teimosas da carreira de Guardiola.

Müller, em campo, teria sido a garantia de gol para o Bayern? Claro que não. Afinal, o futebol tem suas incongruências, seus gols inexplicáveis, suas armadilhas, experimenta casos como os do Leicester e do Audax para desafiar o “provável”. Mas, o fato é que, contra o Atlético, desprezar por tanto tempo a incrível capacidade de Müller em fazer e ajudar a fazer gols não teve e jamais terá lógica.

Guardiola alertou, em tom até certo ponto desafiador, durante a referida entrevista em Madri, que “ainda tem uma bala na agulha” para usar na partida de volta desta terça-feira na Allianz Arena. A verdade é que o genial técnico catalão tem mais do que isto. Ele dispõe de um elenco farto de grandes jogadores que ele tem sabido transformar num time perfeitamente capaz de vencer o Atlético e chegar à final.

Guardiola sabe que, nem sempre, o Bayern tem vencido partidas por que ele foi capaz de encontrar uma solução transcendental ou inovadora. Amanhã, mais importante do que confirmar sua genialidade, Guardiola precisa ser apenas um bom técnico com sorte. Seu Bayern é um time de futebol superior ao Atlético de Diego Simeone.

 



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