França, favorita, enfrenta Portugal que tem motivos para sonhar



Atualizado às 10:00h de 10/06/2016

 

Portugal e França decidem, neste domingo, no Stade de France, em Paris, a EURO 2016. Claro que o favoritismo francês é sólido, público e não apenas por ser o país anfitrião. A equipe de Didier Deschamps vem evoluindo lenta, mas consistentemente desde a Copa do Mundo de 2014.

Portugal chega como franco atirador. É uma boa equipe e tem o fenomenal Cristiano Ronaldo, uma das principais estrelas do futebol mundial, nos últimos anos. Como não sonhar?

A final acontecerá na cidade mais portuguesa no mundo fora do território lusitano. Em Paris, moram quase 800 mil portugueses.

Stade de France - palco da final

Stade de France – palco da final

A análise dos números das 2 equipes durante esta EURO, no entanto, sinaliza na direção de uma partida mais equilibrada do que muita gente imagina e o histórico recente do confronto sugere. Afinal, nas 24 partidas em que se enfrentaram, até hoje, a França tem 18 vitórias, Portugal 5 e aconteceu um único empate.

Nos últimos 10 encontros, a seleção francesa venceu os 10. O mais recente foi um amistoso, em setembro do ano passado, em Lisboa, vencido pela França por 1 a 0. A última partida oficial aconteceu na Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, e foi vencida pelo time francês por 1 a 0, com gol assinalado por Zinedine Zidane, de pênalti. O último triunfo luso aconteceu há 41 anos, em 1975, num amistoso no Parc des Princes, em Paris, por 2 a 0.

Nesta EURO 2016, a França venceu 5 partidas e empatou 1. Portugal empatou 5 (com 1 vitória na prorrogação) e 1 vitória no tempo normal.

Segundo dados oficiais da UEFA, o ataque francês assinalou 13 gols e Portugal 9. O artilheiro francês e do torneio é Antoine Griezmann com 6 gols participação direta em 8. Cristiano Ronaldo, com 3 tentos, é o goleador luso.

Griezmann é o destaque individual da equipe de Deschamps (foto - Twitter)

Griezmann é o destaque individual da equipe de Deschamps (foto – Twitter)

O interessante deste estudo surge noutras comparações. Portugal chutou 112 vezes e a França 103. Portugal teve 45 escanteios a favor e a França 39. O ataque português foi flagrado 16 vezes em impedimento e o francês em apenas 7. Como questionar a vocação da equipe portuguesa?

Do ponto de vista da posse da bola, os números são absolutamente equilibrados com as duas equipes tendo a média de 52%. Portugal deu 3058 passes com 86% de acerto, enquanto a França deu 2809 passes com 87% de precisão.

Manchete do L'Équipe - "armas equivalentes"

Manchete do L’Équipe 09/07 – “armas equivalentes”

Os números acima comprovam que Portugal buscou sempre jogar ofensivamente nesta EURO. Os gols demoraram a sair mais em função de deficiências na hora das conclusões do que na própria disposição da equipe em atacar. Mesmo Cristiano Ronaldo demorou a se encontrar, atuando mais como 9 do que fez a vida inteira nos clubes onde atuou e na própria seleção.

A França tem um time de melhor nível técnico. Certamente, mais consistente e bem dotado no meio campo que a equipe portuguesa. Deschamps obteve sucesso com formações distintas em momentos diferentes. Teve sensibilidade e competência para adaptar o sistema tático de sua equipe em função das dificuldades que os adversários foram apresentando. Acreditou num zagueiro de 22 anos que jamais atuara na seleção principal, usou 1 ou 2 volantes, alternou os atacantes de área quando entendeu conveniente.

Nesta final no Stade de France estarão em campo os 2 mais eficientes, espetaculares, prolíficos e insaciáveis atacantes do futebol europeu: Antoine Griezmann pela França e Cristiano Ronaldo por Portugal. O mais iluminado poderá fazer a diferença.

Cristiano Ronaldo pode fazer a diferença(foto - Lance!)

Cristiano Ronaldo pode fazer a diferença(foto – Lance!)

Por outro lado, os sistemas defensivos foram mexidos ao longo da competição independente da vontade dos treinadores. De um lado, a suspensão da Rami deu espaço para a estreia na seleção principal francesa de Samuel Umtiti. Seu desempenho contra a Islândia garantiu sua presença na semifinal contra a Alemanha. Pelo lado português, Pepe, contundido, deu lugar a Bruno Alves. Umtiti, por certo, jogará a final, assim como Pepe também deverá retornar, recuperado de um problema muscular.

Se Deschamps investiu na juventude e vitalida de Umtiti, Fernando Gomes, técnico português, confiou na afirmação do meio campista Renato Sanches, 18 anos, o mais jovem jogador a jogar uma fase final de EURO.

Os 2 finalistas contam com líderes fora do campo com perfis distintos, mas com uma mesma ambição: a conquista do primeiro título pela sua seleção. De um lado está o franco/senegalês da Juventus de Turim, Patrice Evra, 35 anos, com sua experiência e imponente personalidade. Do lado português, o magnetismo pessoal de Cristiano Ronaldo, 31 anos, se soma à sua inesgotável vontade de ser o melhor em tudo, sempre.

Portugal e França decidirão a competição que, para muitos, inclusive este blogueiro, é a Copa do Mundo sem Brasil e Argentina. Para os franceses é o tri-campeonato. Para os portugueses, a maior conquista da história.

Boa sorte!! Bonne chance!!

 

 

 

 

 

 

 



MaisRecentes

Jornais esportivos espanhóis de luto pelos atentados terroristas na Catalunha



Continue Lendo

Barcelona se revolta com matéria que vincula contratação de Paulinho aos interesses da empresa do presidente Bartomeu.



Continue Lendo

Campeonato Italiano com 20 clubes tem sido previsível e elitista ao longo da história



Continue Lendo