A FIFA, com Havelange, expandiu o futebol pelo mundo e combateu o racismo, apesar dos erros



O mundo inteiro, no meio do maior evento do esporte mundial, os Jogos Olímpicos Rio 2016, repercute a morte de Dr João Havelange. O atual presidente da FIFA, Gianni Infantino, escreveu que “toda a comunidade do futebol deveria agradecer o trabalho de João Havelange”. Segundo Infantino, “nos seus 24 anos de presidência o futebol se tornou realmente global, alcançando novos territórios e levando o jogo a todos os cantos do mundo. Algo que toda a comunidade do futebol deveria agradecer”.

Me permito discordar, em parte, do presidente da FIFA. O esporte, não apenas o futebol, deveria reverenciar o trabalho de João Havelange. Foi a revolução que ele produziu na forma de dirigir a FIFA que contaminou as demais entidades esportivas internacionais a se modernizarem acabando por fazer do esporte uma das atividades mais dinâmicas e progressistas do mundo dos negócios contemporâneo e que mobiliza as populações de todo o planeta como estamos constatando nestas duas semanas no Rio de Janeiro.

Havelange era um homem conservador, mas sua formação de atleta olímpico modelou sua visão de mundo, seus compromissos com valores ainda hoje importantes no sentido de melhoria do padrão de vida dos povos. Não por acaso, desde que chegou ao poder, a FIFA sempre esteve à frente da luta contra o racismo, um dos movimentos mais legítimos e irrenunciáveis das forças modernizadoras em qualquer lugar do mundo. Foi dele a iniciativa de investir na expansão da prática do futebol nos países africanos e asiáticos. O futebol levou recursos, cultura, inteligência, criou empregos, alegria e fantasia aos lugares mais remotos e miseráveis deste planeta.

Os ingleses jamais perdoaram Havelange pela vitória sobre Stanley Rouss (foto - fifa.com)

Os ingleses jamais perdoaram Havelange pela vitória sobre Sir Stanley Rouss em 1974 (foto – fifa.com)

Havelange, após vencer o inglês Stanley Rouss na eleição para presidência da FIFA, em 1974, revolucionou, de pronto, a entidade por que a livrou da hegemonia europeia retrógrada e elitista que a dominava desde sua fundação. Desde então os ingleses jamais o perdoaram e sempre se colocaram contra ele.

Mesmo tendo sido nadador e jogador de polo aquático, foi na gestão de Havelange na antiga CBD que o Brasil exerceu a maior hegemonia que um país já desfrutou em termos de Copas do Mundo, vencendo 3 em 4 disputas (1958/62/70) ocorridas sob a sua presidência, se transformando, até então, no primeiro país tricampeão do mundo de futebol.

Numa entrevista que me concedeu alguns anos atrás, Havelange revelou que seu melhor amigo, dos muitos que teve no futebol, tinha sido o genial meio campista Didi, de quem ele dizia sentir muitas saudades. Aliás, basta conhecer os depoimentos dos jogadores e atletas que conviveram com Havelange para entender o perfil de desportista elegante, humano e respeitoso que o caracterizava.

Havelange deixou a FIFA em 1998 com a eleição de Joseph Blatter, homem de sua confiança pessoal e política, mas de origem bastante diferente.

É provável que muitos do problemas da maneira com que a FIFA foi administrada nos últimos anos e que vieram à tona recentemente, tenham surgido nos anos em que Havelange dirigiu a FIFA e que até ele próprio tenha se beneficiado em algum nível. São aspectos negativos que encontraram espaço nos métodos algo imperiais que ele erigiu a estrutura da pirâmide que define as instâncias de organização e de poder político da entidade.

Havelange cometeu erros graves e que não devem ficar escondidos. Mas negar que ele tenha sido o mais revolucionário dirigente esportivo de todos os tempos é, a meu juízo, apenas uma questão de sectarismo político e/ou pessoal.



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