Eliminação do Brasil coloca novas questões para o processo de reconstrução da Seleção



A Seleção Brasileira foi eliminada pelo Paraguai da Copa América 2015, de novo, na cobrança de penalidades (4-3), depois do empate em 1 a 1 nos 90 minutos.

Foi uma dura jornada para equipe brasileira, que começou bem, abriu o placar com um gol de Robinho aos 14 minutos do PT  e administrou o resultado até que Thiago Silva, aos 16 minutos do ST, cometeu um pênalti  injustificável  colocando a mão na bola que, ao ser convertido por Derlis González, mudou completamente os rumos da partida.

Victor Cáceres, do Flamengo, foi um guerreiro pelo Paraguai (foto - site oficial da Conmebol)

Victor Cáceres, do Flamengo, foi um guerreiro pelo Paraguai (foto – site oficial da Conmebol)

Na verdade, até então, a única jogada que colocava em perigo a defesa brasileira era a clara vantagem de Benitez sobre um impotente Dani Alves. Paradoxalmente, entretanto, o cruzamento de Derli González, que provocou o erro indesculpável de Thiago Silva, nasceu do lado direito do ataque paraguaio.

O empate desmoronou os planos do técnico Dunga que havia substituído William por Douglas Costa com o claro objetivo de explorar os contra ataques em função dos espaços abertos na defesa paraguaia que avançava na busca da igualdade no marcador. Ele ainda tentou o gol da vitória substituindo Firmino, que não apareceu no jogo, por Diego Tardelli e, nos últimos minutos, Robinho por Éverton Ribeiro.

Na hora das cobranças de penalidades a opção brasileira pelos jogadores aparentemente descansados se mostrou equivocada, visto que Éverton Ribeiro e Douglas Costa desperdiçaram suas chances. Não teria sido melhor indicar jogadores mais tarimbados e acostumados à pressão de momentos decisivos? Ou eles se eximiram da responsabilidade?

Não era uma competição favorável à Seleção Brasileira. De todos os principais elencos era o único em fase de reconstrução. Chile, Argentina e Colômbia repetem praticamente os mesmos elencos e sistemas táticos da Copa do Mundo de um ano atrás. Mesmo o Paraguai, ainda que não tenha participado do Mundial no Brasil, se faz representar por uma Seleção madura, recheada de jogadores de longa experiência internacional como Paulo Da Silva, Pablo Aguilar, Haedo Valdez, Roque Santa Cruz e Lucas Barrios.

De qualquer forma, apesar das vitórias nos amistosos, na Copa América, a Seleção Brasileira se revelou especialmente limitada no setor de meio campo, no trabalho de passagem da defesa para o ataque, dependendo demais de contra ataques. A equipe se revelou esquemática, previsível, sem criatividade, ainda que na maioria das partidas tenha controlado a bola. Neste jogo contra o Paraguai, o time de Dunga teve 59% de posse de bola, acertando 346 passes contra 206 dos adversários.

A experiência de Robinho fez falta na hora da disputa por pênaltis (foto - site oficial da Conmebol)

A experiência de Robinho fez falta na hora da disputa por pênaltis (foto – site oficial da Conmebol)

Quando contou com  Neymar o time brasileiro acabou concentrando demais nele a transição para o ataque. Com ou sem ele, Philippe Coutinho ainda não se afirmou como um alternativa para este papel. Pior, Tardelli mostrou claramente os efeitos de estar jogando num futebol de baixo nível como o chinês e Firmino não manteve a regularidade que a posição demanda. A falta de um atacante de área está na ordem do dia em nosso futebol.

Sobre Thiago Silva não dá para não dizer que ele é comprovadamente um zagueiro imprevisível, apesar da sua alta qualidade técnica. Como explicar o lance de ontem envolvendo um jogador que foi capitão no Fluminense, no Milan, no PSG e na própria Seleção Brasileira?

O futuro da Seleção

A pressão sobre Dunga  deverá beirar o insuportável. Em parte pela forma difícil com que ele se relaciona com a mídia e, por consequência, com a opinião pública. Todo processo de construção de uma nova Seleção Brasileira é complexo por si mesmo e só costuma contar com o apoio da mídia e da torcida quando ela se impõe com vitórias no decorrer das Copas do Mundo.

Foi assim em 58, 70, 94 e 2002. O único time brasileiro campeão que já saiu do país para a disputa de um Mundial com a confiança em alta foi o da Copa de 62, pois era constituído basicamente pelos jogadores que haviam conquistado o título inédito na Suécia, em 58, e por que contava com Pelé e Garrincha no auge de suas carreiras.

Phillipe Coutinho participou de sua primeira competição na seleção principal (foto - site oficial da Conmebol)

Philippe Coutinho participou de sua primeira competição na seleção principal (foto – site oficial da Conmebol)

O Brasil disputou a Copa América 2015 com 7 remanescentes do Mundial de 2014: Jefferson, Dani Alves, Thiago Silva, Davi Luiz, Fernandinho, William e Neymar. Não contou com Marcelo, Oscar, Luiz Gustavo por problemas físicos. É uma transformação incomparável com qualquer outra seleção importante do continente!

Dos 11 jogadores que começaram a partida contra o Paraguai 8 jogam pelo Barcelona, PSG, Atlético de Madrid, Manchester City, Chelsea e Liverpool. Alegar baixo nível técnico, no caso, não faz tanto sentido.

Portanto, ainda, que haja, é verdade, posições em que o futebol brasileiro já foi melhor abastecido, não passa pela questão técnica a principal questão a ser encarada pelo técnico da Seleção Brasileira. É preciso identificar com precisão os problemas a serem superados para buscar as melhores soluções.

A atual geração de jogadores brasileiros pode não ser a melhor comparada a algumas outras do passado mas pode perfeitamente municiar a montagem de um elenco competitivo para as eliminatórias e para a própria Copa do Mundo da Rússia.

 Atualizado às 12:12 no dia 28/06/2015



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