El Clásico será assistido por 650 milhões de pessoas em 182 países estima representante da La Liga no Brasil



 

Real Madrid e Barcelona farão. neste sábado no estádio Santiago Bernabéu, um dos jogos mais assistidos na temporada em todo o mundo.

Nesta entrevista ao Planeta Fut  Albert Castelló, representante da La Liga no Brasil, fala da importância do El Clásico, da presença e dos planos de expansão da entidade no país e no mundo, o papel dos craques brasileiros nos grandes clubes espanhóis, na concorrência com a Premier League e na atuação crítica do presidente Tebas em relação aos investimentos de governos a clubes que afetam o equilíbrio esportivo.

 

Qual é a importância do El Clásico Real x Barcelona para os planos de globalização da La Liga? Qual é a audiência esperada mundo afora? Que iniciativas específicas para o clássico do próximo sábado a La Liga tomou? O jogo será às 13h de Madri horário pouco comum para um confronto desta dimensão? Tem a ver com a ideia de audiência mundial?

Diria que El Clásico é o maior jogo entre clubes que possa ser assistido no mundo, não só de Futebol mas no esporte. Nossa audiência potencial é de alcançar uns 650 milhões de pessoas em 182 países. É um jogo com muita história, que enfrenta aos melhores jogadores do mundo e é por isso que sem dúvida trata-se de um jogo que usamos para chegar até a nossa torcida no mundo todo e lhes oferecer experiencias únicas a través de múltiplas ações. Para o jogo deste sábado escolhemos um horário que atendesse da melhor forma o mercado asiático, muito importante para nós, e neste sentido estamos organizando vários eventos com transmissão ao vivo com torcida local em países como Coreia e Índia.

 

Este planos são desenvolvidos em harmonia com Real e Barcelona? 

Nós desde a LaLiga cuidamos do produto de entretenimento que é a LaLiga Santander e os jogos que jogam-se nela. Somos responsáveis pela promoção do campeonato e dos jogo, mas sempre contamos com a colaboração dos clubes, da mesma forma que eles contam com a nossa colaboração quando desenvolvem projetos no mundo.

 

Albert Castelló é o representante oficial da La Liga no Brasil

 

 

Além do Brasil em quantos outros países a La Liga tem representante? Qual a importância relativa de cada um deles?

Estamos presentes com escritório próprio em 11 cidades em 9 países, e por outro lado, com o projeto LaLiga Global Network, somos 44 delegados / representante com presença em países tão diferentes como são a Austrália, Indonésia, Coreia, Arábia Saudita, Angola, Brasil, Costa Rica, Canadá… nosso objetivo é conhecer melhor o nosso fã em todos esses países e para isso temos de nos adaptar à realidade de cada país, a cultura, a fase no qual encontra-se o desenvolvimento do futebol, etc.

 

Quais são os planos da La Liga para o Brasil? Qual o peso da representatividade dos clubes espanhóis aqui em termos internacionais? Algum outro país latino tem importância comparada a do Brasil? Qual o papel da LaLiga (EUA) neste processo?

Os nossos planos passam por trabalhar mais e melhor a nossa comunicação com o fã local, redes sociais, desenvolver ações com as televisões que transmitem os nossos jogos, assinar acordos de patrocínio, fazer muitas ativações desses patrocínios, avaliar oportunidades de negócio no setor gastronômico, escolas de futebol, apoiar o desenvolvimento do Futebol feminino, etc.

Sem dúvida o FC Barcelona e o Real Madrid são os clubes de LaLiga mais queridos no Brasil, mas destaco que atualmente o Atlético de Madrid tem mais de 1 milhão de seguidores. Outros clubes como o Sevilla, Valencia e Deportivo de la Coruña têm também uma boa base de torcedores.

México é o outro país da América Latina com uma importância similar, pelo tamanho do mercado, número de torcedores de clubes de LaLiga, semelhança cultural e de língua, laços históricos com a Espanha, etc.

Estados Unidos é um dos nossos mercados chave pelo crescimento que está tendo o soccer no país e pelo perfil do consumidor americano de esportes e entretenimento. É um mercado diferente com desafios diferentes do que existem no Brasil mas também com um grande potencial de crescimento.

O Santiago Bernabéu costuma ficar assim no El Clásico ( foto – realmadrid.com)

 

No que a internacionalização da La Liga se diferencia da Premier League? O LFP World Challange (Desafio Mundial)

Nós somos pioneiros no mundo do futebol em sair do país com uma estratégia internacional com presença em múltiplos países. Sabemos que a Premier League tem uma grande presença no mundo mas não tem uma rede de profissionais presentes em todos os países onde nós estamos, e isso nos oferece uma vantagem competitiva. A LFP World Challenge é um dos projetos com os que estamos trabalhando há uns anos com os clubes para que se aproximem da sua torcida no mundo todo a través de jogos amistosos de pré-temporada em países como Indonésia, Estados Unidos, Argentina, etc.

 

O presidente da La Liga, Javier Tebas, é muito crítico aos clubes tipo PSG e Manchester City. Explique melhor esta posição crítica. Como é a relação da La Liga com as demais ligas nacionais europeias?

O nosso presidente entende que o nosso mercado, a indústria do futebol, compete em condições que devem ser iguais entre ligas e clubes. Os clubes competem entre eles por jogadores e patrocínios e crescem de forma orgânica em função dos seus resultados esportivos, as suas capacidades e possibilidades, com ações de marketing, merchandising, transferência de jogadores, receita de bilheteria, venda de ações do clube em função do potencial de retorno financeiro, etc. e a entrada de investimentos procedentes de governos de alguns países altera justamente este equilíbrio, pois não atuam como faria uma empresa comum no mercado com interesse em patrocinar um clube ou investir numa empresa.

 

Que tipo de iniciativas e promoções conjuntas a La Liga pretende desenvolver com os clubes brasileiros? O LFP World Challange (Desafio Mundial) tem ação específica aqui?

Como entidade que gerencia a competição de futebol profissional na Espanha o nosso interlocutor no país é sempre a federação nacional, neste caso a CBF. Não contatamos diretamente com clubes brasileiros a menos que um dos nossos clubes de LaLiga precise de apoio em algum projeto com esse clube.

Temos todo o interesse em trazer clubes de LaLiga para que joguem partidas contra clubes brasileiros, porém o calendário de ambos os países não nos ajuda. Contamos também com a possibilidade de trazer o nosso time de LaLiga Legends, formado por ex-jogadores de LaLiga como Morientes, Mendieta, Karembeu, Fernando Sanz e o brasileiro Marcos Senna, para disputa de uma partida contra lendas brasileiras. Estamos trabalhando nisso …

 

Messi e Iniesta: protagonistas sempre do El Clásico (foto – fcbarcelona.com)

 

Romário, Ronaldo, Ronaldinho, Rivaldo, e Neymar. Todos estes craques foram eleitos o melhor do mundo quando jogavam na Espanha. O quanto eles contribuíram para atrair atenção para o campeonato espanhol?

Contribuíram e muito! Sem dúvida! Muitos clubes não teriam conseguido o que conseguiram sem a presença de muitos brasileiros como foi Ronaldinho no Barcelona, Ronaldo no Real Madrid, Mauro Silva e Bebeto no Deportivo de La Coruña, Luis Fabiano no Sevilla…

 

Neymar faz falta a La Liga?

Midiaticamente não tem como negar que a saída do Neymar tem um impacto importante, porém os clubes sempre trabalham para ter os melhores jogadores e nossos resultados de audiência e engajamento nas redes sociais mostram que continuamos crescendo ano após ano.

 

A falta de uma entidade brasileira correspondente à La Liga dificulta ou facilita os planos da La Liga no Brasil? Vocês pretendem estabelecer relações diretas com os clubes brasileiros?

Mantemos uma comunicação fluida com a CBF com o objetivo de colaborar em múltiplos projetos. A nossa intenção é sempre apoiar o desenvolvimento das competições locais na medida do possível e trabalhar para sermos a competição de futebol estrangeira preferida dos brasileiros.

 

O Banco Santander – principal patrocinador da La Liga – tem presença importante no Brasil. Vocês tem planos conjuntos específicos para o Brasil?

Esta é a segunda temporada da parceria com o Santander e já na primeira nos apoiaram no projeto LaLiga Global Network desde a plataforma Universia. Este ano estamos fazendo uma serie de ações nos países em que o Santander está presente, com por exemplo o Santander Fútbol Pasión na América Latina, um desafio para conhecer quem sabe mais de futebol. O nosso objetivo é sempre oferecer às marcas visibilidade e que conversem com os nossos torcedores, e ainda mais no Brasil onde o Santander tem uma grande presença.

 

Como é a divisão das receitas de TV pelos clubes da La Liga? A negociação é coletiva ou clube a clube? Os critérios atuais levam em consideração a ideia de contribuir para a elevação da competitividade entre os participantes do campeonato?

Há dois anos que o sistema mudou e a negociação agora é coletiva, com um único canal de negociação entre a LaLiga e as televisões interessadas em transmitir os nossos jogos. Isso facilita e muito as negociações e aumenta o valor dos direitos, assim como a força da marca de LaLiga. Os clubes entenderam que era a melhor forma de também reduzir as diferenças económicas entre clubes e aumentar a competitividade. Atualmente 50% dos direitos são divididos por igual,  25% dependem da posição media do clube na tabela das últimas 5 temporadas, e os últimos 25% dependem das ações que realizam os clubes, como a ocupação do estádio, campanhas para aumentar a base de sócio-torcedor, etc.

 

Temos graves problemas de violência entre as torcidas no Brasil. Este problema está resolvido na Espanha? Como a La Liga o encara?

A violência é um dos aspectos que mais prejudica a imagem do futebol e afasta os patrocinadores, e é por isso que para nós é um assunto muito importante. Desde a LaLiga implantamos sistemas de segurança avançados em estádios para monitorar tudo o que acontece e assim identificar qualquer ato violento. Os clubes tem feito muitos esforços para identificar e evitar o acesso ao estádio de torcedores violentos, o que significa que a experiencia nos estádios tem sido segura e única para todo torcedor; crianças, adultos, idosos, etc. Também colaboramos com a Polícia para detectar eventuais encontros entre torcidas violentas fora dos estádios.

A nível internacional estamos colaborando com várias entidades, como por exemplo o Ministério de Segurança da Argentina, para reduzir a violência no futebol e promover melhores procedimentos de segurança. Estamos à disposição das federações e instituições responsáveis para ajuda-las no que precisem.

 

Como a La Liga encara o movimento independentista catalão? Há uma posição institucional a respeito?

Sem dúvida é um momento delicado para Catalunha e Espanha, mas em nenhum momento consideramos a hipótese de que os clubes da Catalunha deixem de participar nas competições de LaLiga. O nosso interesse é que continuem competindo na La Liga, assim como também é interesse deles seguir competindo na nossa competição.

 

A seleção espanhola importa para a La Liga? O sucesso esportivo dela tem influência para sua globalização?

A LaLiga tem uma função muito importante internacionalmente na promoção do que chamamos Marca España, assim como outras empresas espanholas presentes em todo o mundo têm. O sucesso esportivo da seleção influí na percepção que têm os torcedores sobre o Futebol que jogamos, mas não afeta diretamente nos planos de crescimento internacional de LaLiga. Nós cuidamos dos campeonatos de Futebol profissional, da LaLiga Santanter (primeira divisão) e da LaLiga123 (segunda divisão), e a Federação Espanhola cuida das seleções nacionais e do desenvolvimento do Futebol no país. A LaLiga e a Federação Espanhola colaboramos na definição do calendário de jogos da temporada, assim como arbitragem.

 

Como La Liga aproveita o fato de Cristiano Ronaldo e Lionel Messi jogarem sua competição?

Sâo dois dos nossos maiores ativos, os dois melhores jogadores do mundo na última década. Com eles conseguimos que os clubes sejam competitivos na LaLiga e em competições europeias, como pode-se ver no número de Champions League do Real Madrid e Barcelona e de UEFa Europa League do Sevilla. Tudo isso cria um impacto muito grande nas nossas torcidas no mundo todo, e desde LaLiga trabalhamos não só para atrair mais investimentos e receitas para os clubes a través dos contratos de televisão para que consigam ter os melhores jogadores e contratar as futuras estrelas, mas também apoiando eles nas estratégias de crescimento internacional para que a marca do clube tenha mais força e consigam aumentar deste jeito as diferentes fontes de receitas.

 

Zidane Cristiano e Sergio Ramos: estrelas da La Liga

 

A Espanha talvez seja o país com maior número de diários especializados em esporte no mundo. Isto é importante? Indica o peso do futebol no país?

O futebol é paixão. No Brasil e na Espanha. Os torcedores querem acompanhar de perto seus clubes e a presença de vários jornais esportivos justamente mostra que o torcedor espanhol vive com muita paixão o futebol espanhol. Como dizemos na nossa recente campanha internacional, Não é futebol. É LaLiga.

 

Como é o relacionamento da La Liga com a Real Federação de Futebol? Qual é a divisão de responsabilidades?

Como dizia, nós somos responsáveis pela gestão do futebol profissional na Espanha, que inclui as duas primeiras divisões. A RFEF – Real Federación Española de Fútbol cuida das seleções nacionais e do futebol não profissional, porem há áreas nas quais trabalhamos juntos, como calendário e arbitragem. Também estamos trabalhando no desenvolvimento do futebol feminino que, a pesar de depender da Federação por não ser considerado profissional por lei, entendemos desde LaLiga devemos fazer o possível por apoiar a profissionalização da modalidade, como fazemos há já dois anos aplicando gestão profissional na LaLiga Iberdrola, a primeira divisão feminina, com estruturas e funcionamento que ano após ano se parecem mais com a nossa LaLiga Santander, demonstrando a importância que merece.

 

Os problemas enfrentados pelo presidente Ángel María Villar atrapalham o futebol espanhol?

Não podemos dizer nada pois respeitamos a presunção de inocência de todas as pessoas até terem sido julgadas. Entendemos que em alguns países no entendam a diferença entre a LaLiga e a RFEF, como poderia ser no Brasil, onde uma única entidade cuida do futebol profissional, das seleções e do desenvolvimento do futebol, mas na Espanha são entidades e gestões diferentes. Desde a LaLiga trabalhamos dia após dia seguindo critérios muito rigorosos de transparência e compliance para evitar casos de corrupção, o qual prejudica a marca da competição e afasta patrocinadores.

 

Qual a expectativa do desempenho dos clubes espanhóis nas competições europeias nesta temporada/ E da seleção na Copa da Rússia?

Os clubes espanhóis ganharam as últimas 4 Champions League, em 6 das últimas 9 edições, e esperamos que também este ano o Barcelona, Real Madrid e Sevilla obtenham excelentes resultados. Para a Europa League vemos o Atlético de Madrid com muitas possibilidades, assim como o Athletic de Bilbao, Villareal e Real Sociedad. Por último, a seleção espanhola contará na Copa da Rússia com um elenco de alto nível e tem muitas chances de levantar a segunda taça.



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