E o Brasil no futuro da FIFA?



O processo de reformas que está se iniciando na FIFA não pode se limitar a uma nova eleição para presidente antecipada. Nem deve se restringir às mudanças que o presidente demissionário Joseph Blatter parece disposto a propor antes de se retirar. Elas provavelmente até serão positivas, mas absolutamente insuficientes para corrigir a estrutura política e administrativa da entidade na profundidade necessária.

É evidente que o tempo de mandato do presidente e dos membros do Comitê Executivo precisa ser revisto, que a reeleição deve ser limitada, que a integridade e consistência dos membros que ocuparão os cargos em toda a sua estrutura precisa ser melhor apurada.

Antes de tudo, no entanto, é fundamental que a FIFA seja repensada, reestruturada e transformada num processo radical, impessoal, provavelmente conduzido e assessorado por pessoas e instituições que tenham independência do negócio futebol, que não sejam vinculadas, devam favores ou tenham intimidade com as pessoas que conduziram a entidade no passado recente.

FIFA 2

Na verdade também não está na hora de se discutir nomes de candidatos. A personalização da discussão neste momento atrapalhará o processo de definição dos rumos que a entidade deve seguir e as medidas que ela deve adotar para que ela própria se reconstrua em bases sólidas e transparentes.

Mantidas as atuais circunstâncias de governabilidade, por mais honesto e bem intencionado que seja um novo presidente da FIFA, em pouco tempo, ele estará enredado nas redes de influência e de corrupção que estão sendo denunciadas nos últimos tempos. Elas surgiram e prosperaram por que a formidável expansão da entidade, o sucesso financeiro de suas iniciativas, notadamente das Copas do Mundo, não foi acompanhada de sua modernização estrutural e de governança.

Como já escrevi num post anterior “a FIFA se transformou numa máquina de fazer dinheiro. No entanto, a utilização destes recursos é decidida de forma discricionária, centralizada e pouco transparente dando margem à sua manipulação de maneira corrupta e politiqueira”.

 Neste cenário, o Brasil não pode cumprir um papel de coadjuvante. Nosso futebol, por maiores que sejam nossos problemas, tem relevância não apenas no nível esportivo, mas também do ponto de vista empresarial e comercial, para interferir neste processo. Mais importante, agora, do que avaliar nomes para substituir Joseph Blatter deve ser o debate sobre como realizar as transformações indispensáveis para a sua reinvenção.

O Brasil tem motivos para influenciar o futuro da FIFA

O Brasil tem motivos para influenciar o futuro da FIFA

O futebol mais vezes campeão das competições organizadas pela FIFA, que organizou com sucesso a última Copa, que representa a sétima economia do mundo, tem que e deve se apresentar como um “player” importante. Há inúmeras questões em que muito provavelmente os interesses nacionais, e mesmo continentais, no futebol não coincidirão com os dos países europeus, por exemplo, expressos de maneira representativa pela UEFA: o número de vagas para membros da América do Sul nas Copas do Mundo, o voto qualitativo nos órgãos de decisão da entidade, a revisão das restrições impostas recentemente à existência dos investidores nos direitos econômicos de jogadores de futebol, a definição de critérios justos e transparentes para a aplicação do extraordinário volume de recursos resultantes dos lucros obtidos notadamente com as Copas do Mundo, dentre outras.

Seria interessante que apesar do momento delicado que também vive a CBF – em função do envolvimento do seu ex-presidente e de outras personalidades do nosso futebol nos crimes que estão sendo investigados pelas autoridades da justiça americana e suíça – a comunidade futebolística brasileira conseguisse definir uma conjunto de ideias e propostas que norteassem a ação dos nossos representantes nas redefinições que deverão acontecer nas esferas de poder do futebol internacional.



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