“É difícil competir com clubes como Barcelona e Real Madrid”, reconhece dirigente histórico do Milan



“A Europa ficou muito difícil, é uma realidade colossal. Será duro voltar ao seu topo. Torcemos para que isto aconteça, mas é muito difícil competir com clubes como Barcelona e Real Madrid”.

Estas palavras duras e resignadas ganham dimensão transcendental quando vocalizadas por Adriano Galliani, 72 anos, um dos dirigentes mais identificados com a história de sucesso trilhado pelo Milan ao longo das décadas de 80, 90 e até o meio de 2012 no momento em que se afasta da direção do clube. Neste período de glórias, o rubro negro de Milão, sob a presidência de Silvio Berlusconi, conquistou 5 Champions League, 8 Campeonatos italianos, 5 Supercopas da Europa, 6 Supercopas Italianas e 3 Mundiais de Clubes.

Personagens de um Milan que não existe mais (site oficial do AC Milan)

Personagens de um Milan que não existe mais (site oficial do AC Milan)

A realidade do futebol europeu de clubes vem se transformando de maneira dramática nos últimos anos e pouca gente percebeu. Em 2012 o relatório “Football Money League” da empresa de consultoria Deloitte apontava o Milan como o 7º clube com maior receita no futebol europeu. Em 2013, o 6º. Em 2014, ele era o 9º. Em 2015, o 12º. E, no relatório deste ano, o 14º. Em todos estes anos, Real Madrid ocupou a primeira posição.

Neste ciclo, houve uma rápida e profunda reacomodação das forças esportivas e financeiras entre os principais clubes e países na Europa. Alguns se fortaleceram e se expandiram, notadamente os mega espanhóis Real Madrid e Barcelona, praticamente todos os ingleses, o francês Paris Saint-German, o alemão Bayern de Munique e a italiana Juventus de Turim se transformaram na elite da elite.

Dificilmente, como reconhece Galliani, este cenário se modificará no futuro próximo, ainda que o Milan tenha sido adquirido por investidores chineses. As regras de fair play financeiro limitam a aplicação nos clubes de recursos não gerados pelo próprio futebol. Portanto, o dinheiro até pode voltar a aparecer para o rubro negro milanês, mas terá que ser gerado pelo marketing, pela retomada da expansão da marca no exterior e pela volta do torcedor a San Siro. Como fazer isto sem voltar a conquistar o título italiano e a Champions League?

A constatação mais abrangente é que o futebol italiano – e não apenas o Milan – se enfraqueceu recentemente. Os clubes, apesar de privados, não modernizaram o modelo de governança que foi se tornando arcaico, os escândalos financeiros se sucederam, os estádios envelheceram e os resultados nas competições europeias minguaram.

O calcio, com a exceção da Juventus, parou no tempo.

 

 

 

 

 

 

 

 

 



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