Dunga mexe de novo no esquema, perde e está fora da Copa América. E agora?



Atualizado às 21:36 de 13/06/2016

 

O Brasil foi eliminado da Copa América Centenário pela derrota por 1 a 0 para o Peru, mas não só pelo gol irregular de Ruidíaz que usou a mão para tocar a bola para dentro do gol brasileiro, aos 39 minutos do segundo tempo, só confirmado pelo árbitro 3 minutos mais tarde. A equipe do técnico Dunga não fez uma má partida. Ao contrário, poderia e até deveria tê-la vencido, mas ela falhou de maneira imperdoável num momento decisivo. Não conseguiu sequer o empate que garantia a permanência na competição.

A seleção brasileira empatou em 0 a 0 com o Equador, venceu o Haiti por 7 a 1 (tomando o único gol que a seleção da América Central assinalou no torneio) e perdeu para o Peru, sem marcar um único tento nas duas partidas mais difíceis do grupo. O time brasileiro nos 13 jogos oficiais mais recentes venceu apenas o Peru, a Venezuela e o Haiti.

Dunga mexeu no esquema para o jogo contra o Peru

Dunga mexeu no esquema para o jogo contra o Peru (foto:Lucas Figueiredo/MoWA Press)

Novo esquema tático para a Copa América Centenário

Dunga fez da Copa América Centenário mais um novo recomeço de seu ciclo atual à frente da seleção. Ele decidiu montar um time no 4-1-4-1 e, com isto, a seleção brasileira deixou de ser uma equipe de contra ataques, como na Copa América e nos amistosos de 2015, para ter a posse de bola e controle das partidas.

Ocorre que, salvo contra o frágil Haiti, a equipe não conseguiu marcar gols. É verdade que Dunga imaginava dispor de um período raro de treinos para implantar o novo sistema. As 6 alterações no grupo que foi obrigado a empreender por motivos alheios à sua vontade impediram que ele aproveitasse este período como pretendia.

Mesmo assim a mudança de sistema adotada deu certo em termos de posse de bola, mas ainda não gerou uma equipe mais contundente e produtiva contra os adversários mais fortes. Contra o Equador foram 572 passes com 91% de precisão, 85% de posse de bola e nenhum gol marcado; contra o Haiti foram 687 passes trocados com 93% de acerto, 64% de posse de bola e 7 gols e, contra o Peru foram 556 passes com 90% de eficiência e 63% de posse de bola e, de novo, zero gol.

Elias perdeu a última chance de gol na partida (foto - Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Elias perdeu a última chance de gol na partida (foto – Lucas Figueiredo / MoWA Press)

Nenhuma outra seleção envolvida no torneio foi tão dominadora do jogo nesta fase inicial, mas o fato é que o Brasil encerrou sua participação no torneio ao lado de Paraguai, Uruguai e Haiti: com um único gol assinalado.

Dunga voltou a mexer no meio campo contra o Peru

Dunga optou contra o Peru por uma formação que agradou boa parte da torcida e da mídia, mas que o fez alterar de novo a organização do meio campo e fugir da plano tático que decidiu implantar na seleção a partir desta competição. Ele substituiu Casemiro (suspenso pelo segundo cartão amarelo) por Lucas Lima, alterando o esquema que vinha implantando e escalou Elias e Renato Augusto como volantes. Mudou a posição de 3 meio campistas para a entrada de apenas 1.

Do 4-1-4-1 das duas partidas anteriores, ele partiu para o 4-2-3-1. O volume de jogo permaneceu o mesmo, mas a dificuldade de assinalar gols da estreia contra o Equador voltou. Pior, apesar de atuar com 2 “volantes” e jogar por um empate, sofreu um gol num momento em que a defesa estava desprotegida a apenas 16 minutos do fim do jogo. Filipe Luiz e Miranda, sem a proteção de um dos 2 “volantes”, foram envolvidos por uma tabela rápida entre Polo e Guerrero. Polo foi ao fundo e cruzou forte à meia altura para Ruidíaz, com a ajuda do braço direito, colocar a bola para dentro do gol. Convenhamos, pragmaticamente, para uma equipe que tinha nas mãos o resultado que garantia a classificação, tomar um gol por desorganização tática defensiva é inadmissível.

Brasileiros reclamam de mão no gol peruano (foto- Lucas Figueiredo/MoWA Press)

Brasileiros reclamam de mão no gol peruano (foto- Lucas Figueiredo/MoWA Press)

O Brasil perdeu para o Peru jogando melhor, com maior controle de bola, com mais chances de gol e com mais do dobro do número de passes que o adversário por que não se mostrou equilibrado e organizado num momento crucial da partida. A seleção peruana, que voltou diferente para o segundo tempo, foi eficiente e mortal na chance que criou para decidir o jogo: e o fez. Mais do que nunca a máxima de que uma partida de futebol se decide nos detalhes prevaleceu.

Vale a pena acreditar no modelo tático inicial?

A questão fundamental do momento está posta: vale a pena acreditar que a proposta de organização tática inicial que Dunga tentou adotar a partir desta Copa América Centenário será capaz de render frutos consistentes na próxima rodada das eliminatórias da Copa do Mundo de 2018 contra o Equador e Colômbia? Na verdade o próprio Dunga complicou a resposta quando alterou o sistema para uma partida decisiva ao invés de confiar nele.

Outras questões já levantadas que este blog entende que devem ser enfrentadas:

1-  A primeira foi a decisão da comissão técnica em abrir mão de Neymar na Copa América quando haveria, em tese, tempo para preparação da equipe que jogará as partidas eliminatórias do mês de setembro, para utilizá-lo nas Olimpíadas do Rio na busca da inédita medalha de ouro olímpica no futebol.

2- A segunda é a radical decisão de não contar com Marcelo, lateral esquerdo titular e um dos principais jogadores do atual campeão da Champions League, e não resolver as diferenças com Thiago Silva para contar com a liderança do zagueiro do PSG de maneira produtiva no elenco. Curiosamente, Thiago Silva se safou do desastroso 7 a 1 contra a Alemanha, da derrota para o Peru.

3- E a política de convocar para a Copa América jogadores que deverão integrar o grupo olímpico. Noutras circunstâncias talvez isto fizesse sentido, mas optar por este caminho no momento em que a seleção brasileira, atual 6ª colocada nas eliminatórias, fora da zona de classificação automática para a Copa do Mundo, teve, em tese, a oportunidade rara de se preparar melhor e ser aprimorada ao longo de uma competição de alto nível se mostrou uma decisão insensata.

Neymar deveria estar na Copa América (foto - site oficial da CBF)

Neymar deveria estar na Copa América (foto – site oficial da CBF)

O que vai acontecer agora?

O destino da seleção brasileira certamente está em aberto a partir de agora. Dunga argumentou ao final da partida que a seleção brasileira está sob reformulação há dois anos e que é preciso ter paciência. O problema é que neste período já houve vários recomeços. A seleção brasileira que foi à Copa América em 2015 tem poucos jogadores escolhidos para esta competição nos Estados Unidos.

Não tem faltado apenas tempo. Urge uma definição clara do caminho a seguir. E, ontem, ao mudar o sistema tático que decidira adotar a partir desta Copa América Centenário, Dunga deixou a impressão de que ele próprio não tem convicção do caminho a seguir.

 

 

 

 

 

 



  • Claudio Araujo

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  • Andre Luís Sousa Araújo

    “Seleção” = chacota. kkkkkkkkkkkkkkkkk

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