Dirigentes da FIFA são presos em Zurique, acusados de corrupção. Blatter não é um deles



Autoridades suíças realizaram uma operação no início da manhã desta quarta-feira no Baur au Lac Hotel em Zurique para prender seis dirigentes do futebol mundial e extraditá-los para os EUA por denúncia de corrupção. O presidente da FIFA, Joseph Blatter, não está entre eles. Pelo que informa o diário americano New York Times (NYT), o ex-presidente José Maria Marin não foi preso, mas faria parte da denúncia. Já o diário inglês The Guardian e o canal de TV BBC asseguram que o dirigente brasileiro está entre os detidos. O presidente da CBF e membro do Comitê Executivo da FIFA, Marco Polo Del Nero, não está envolvido.

Segundo o NYT, policiais à paisana chegaram de surpresa ao hotel de luxo – com vista para os Alpes e o Lago  Zurique – onde se hospedam os dirigentes da FIFA que se deslocaram para a cidade para participar do congresso anual da entidade. A operação aconteceu pacificamente. Os policiais se dirigiram à recepção do hotel de onde saíram com as chaves dos apartamentos onde se hospedavam os dirigentes que seriam presos.

O Bar Au Lac Hotel de Zurique existe há mais de 170 anos.

O Baur Au Lac Hotel de Zurique existe há mais de 170 anos (foto – divulgação)

As acusações se baseiam na ocorrência de corrupção generalizada na FIFA ao longo das duas últimas décadas, incluindo as disputas pela organização de duas Copas do Mundo (Rússia em 2018 e Qatar em 2022) e a negociação de contratos de marketing e de direitos de TV, informa o NYT de acordo com 3 autoridades jurídicas com pleno conhecimento do caso. Os dirigentes presos são acusados de receberem algo em torno de $ 100 mi (R$315 mi) de propina.

A acusação, segundo uma autoridade ouvida pelo NYT, engloba várias pessoas por crimes de extorsão, fraude eletrônica e conspiração para lavagem de dinheiro. Os dirigentes acusados, segundo o NYT, são Jeffrey Webb (Ilhas Cayman), Eugenio Figueiredo (Uruguai), Jack Warner (Trinidad e Tobago), Eduardo Li (Costa Rica), Julio Rocha (Nicarágua), Costas Takkas (Ilhas Cayman), Rafael Esquivel (Venezuela), José Maria Marin e Nicolás Leoz (Paraguai). Dentre os empresários de marketing esportivo também envolvidos estariam Alejandro Buzarco, Aaron Davidson, Hugo Jinkis e Mariano Jinkis e José Margulies.

A secretária federação de justiça suíça admitiu na manhã desta quarta-feira que está ouvindo os 10 executivos da FIFA que participaram da votação para escolha da sede das Copas do Mundo de 2018 e 2022. Um comunicado oficial desta secretaria anunciou que “uma investigação criminal foi aberta contra pessoas suspeitas de conduta criminosa e lavagem de dinheiro em conexão com a definição das sedes das Copas do Mundo de futebol de 2018 e 2022”. A operação foi definida pelo site do diário italiano La Gazzetta dello Sport como “um terremoto na FIFA”.

As autoridades da justiça suíça também esclareceram que as investigações por parte das autoridades americanas nasceram da suspeita de que “os crimes de que são acusados os dirigentes foram idealizados e preparados nos EUA e que os pagamentos foram realizados através de bancos americanos”.

A investigação, segundo autoridades ouvidas pelo NYT, está em andamento e ainda não aponta o presidente Blatter como responsável por qualquer transgressão à lei.

Na próxima sexta-feira está prevista a eleição para um novo mandato de presidente da FIFA que está sendo disputada pelo presidente Joseph Blatter e pelo príncipe jordaniano Ali bin al-Hussein, candidato de oposição. O holandês Michael Van Praag e o português Luís Figo abriram mão de suas candidaturas nos últimos dias para apoiar o príncipe jordaniano.

Segundo o site do diário inglês The Guardian, o príncipe Ali bin al-Hussein declarou que “este é um dia triste para o futebol”. Ele também se manifestou através de um comunicado oficial: “é evidente que esta é uma história em desenvolvimento, cujos detalhes ainda estão surgindo. Não seria apropriado fazer mais comentários neste momento”.

Este processo é o mais importante até agora para a recém nomeada secretária de justiça dos EUA, Loretta E. Lynch, que acompanha esta investigação desde quando ela era procuradora de Justiça em Nova York. Segundo a rede de TV CNN o FBI apura o caso há pelo menos 3 anos.

Momento da posse de Loretta E. Lynch como secretária de Justiça dos EUA ( foto - site oficial do departamento de justiça dos EUA)

Momento da posse, em abril de 2015, de Loretta E. Lynch como secretária de Justiça dos EUA ( foto – site oficial do departamento de justiça dos EUA)

A secretária de justiça Lynch e o diretor do FBI James Comey deverão conceder uma entrevista coletiva ainda na manhã desta quarta-feira em Nova York para tratar do caso.
A FIFA, por outro lado, também convocou, através do site oficial da entidade,  uma conferência de imprensa para às 11h da manhã desta manhã (hora local) que será conduzida pelo diretor de comunicação e relações públicas da entidade, Walter De Gregorio. A presença do presidente Blatter não está confirmada. A entrevista sofreu um atraso de alguns minutos o que fez a mídia internacional presente especular sobre uma eventual manobra do presidente Blatter para o adiamento da eleição presidencial prevista para a próxima sexta-feira.
A mídia internacional que se encontrava no interior do Baur au Lac Hotel está concentrada agora na área externa do prédio “para garantir a privacidade dos hóspedes”, segundo explicou a direção do hotel.

Matéria atualizada às 6:24h de 27/05/2015



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