Dez anos de família Glazer como dona do Manchester United: sucesso esportivo e financeiro



Há exatos 10 anos o Manchester United era comprado pela família norte americana de origem judaica, Glazer – então liderada pelo patriarca Malcolm, com os filhos Avram, Joel, Bryan e Edward – proprietária do clube de futebol americano da Flórida, Tampa Bay Buccaneers. A transação foi pronta e radicalmente rejeitada por grande parte da imensa e apaixonada torcida do clube mais vitorioso do futebol inglês.

Os irmãos Glazer na tribuna de honra em Old Trafford

Os irmãos Glazer na tribuna de honra de Old Trafford

A rigorosa imprensa inglesa vaticinou que o negócio produziria um incontrolável endividamento dado que os Glazer  o realizaram com recursos oriundos de empréstimos assumidos pelo próprio clube num valor estimado à época em £ 790 mi (€ 1.1 bi).

Parte da torcida se afastou de Old Trafford em protesto. Outro contingente partiu para a constituição de um novo clube chamado “FC United de Manchester”, enquanto muitos torcedores se prepararam para arcar com preços de ingressos mais altos e lamentar a venda de algumas estrelas do time para saldar a dívida contraída pelos Glazer e assumida pelo clube. Temia-se também que na ânsia pela geração de novas receitas os novos donos viessem a negociar o “naming rights” do tradicional estádio Old Trafford , o “Teatro dos sonhos” do futebol inglês.

Os clubes da Premier League tiveram lucro pela primeira vez em 16 anos (foto - site oficial do MUFC)

Old Trafford, apelidado por Sir Bobby Charlton, de “Teatro dos Sonhos” (foto – site oficial do MUFC)

A hostilidade dos fãs foi encarada com incrível frieza pelos Glazer naquele momento. Em julho de 2005, meses depois da aquisição, Joel Glazer foi escalado  para explicar aquilo que a família pretendia realizar à frente do Manchester United através de uma entrevista – a única que um Glazer concedeu até hoje – ao MUTV,  canal de TV do clube: “as pessoas vão mudar de opinião com o tempo. Eu gostaria de alertar que estamos disputando uma maratona e não uma corrida de velocidade. Por favor, nos julguem no longo prazo e não por um dia ou pelos últimos meses. Nos não teríamos nos envolvido com o Manchester United se não estivéssemos convencidos de que este clube, sob nossa propriedade, continuará a ser este grande clube de futebol que foi até hoje”.

Joel foi didático ao explicar o perfil da dívida que tinha sido contraída: “Muitos negócios se viabilizam com dívida. Dívida pode ter diferentes significados para diferentes pessoas, mas eu posso assegurar a todos que a estrutura que foi montada é uma estrutura extremamente confortável. Não estamos em dificuldades. O modo com que o clube operou no passado será o modo com que ele será operado no futuro. Não tenham medo. É, como sempre, uma questão de “business”. É hora de deixar de lado o que não é importante, de não perder o foco, de competir no campo e de ganhar os troféus que todos queremos”.

Dois dos maiores personagens da história do Manchester United foram fundamentais na paulatina aceitação da família Glazer como proprietária do clube por parte dos torcedores e da própria mídia: Sir Bobby Charlton e Sir Alex Ferguson. Ambos avalizaram os Glazer desde o primeiro momento.

A família Glazer deve muito ao apoio inicial de Sir Alex Ferguson ( foto - site oficial do MUFC)

A família Glazer deve muito ao apoio inicial de Sir Alex Ferguson ( foto – site oficial do MUFC)

Sir Alex foi além. Aproveitando que seu poder na gestão técnica do clube foi ampliado e mesmo sem ter à disposição mais recursos do que dispunha nas épocas anteriores aos novos donos, ele levou o clube a conquistar títulos importantes para um momento tão delicado. Estes acabaram de certa forma neutralizando as restrições que boa parte da torcida nutria contra os empresários americanos que, por sua vez, puderam aplicar recursos no enfrentamento do endividamento criado e não em contratações de jogadores.

O sucesso nos gramados foi acompanhado da profissionalização e ampliação audaciosa do departamento comercial do clube num movimento duplo que aproveitou um cenário virtuoso que se desenhava no futebol inglês como um todo: uma Premier League cada vez mais rentável e internacional, patrocínios globais cada vez expressivos e novos contratos milionários pelos direitos de TV. Os títulos ganhos no gramado pelas equipes montadas e dirigidas por Sir Alex deram a visibilidade necessária para que os executivos do clube colocassem para funcionar a máquina que transformou a marca Manchester United num dos melhores negócios do esporte profissional mundial.Man Utd

Os números atestam a competência com que o Manchester United vem sendo administrado na era Glazer e que neste momento tem como principal executivo Ed Woodward. A dívida do clube que era de £ 558.9 mi (€ 782 mi) em 2005 e chegou a £ 777.9 mi (€ 915 mi) em 2010, hoje, está em £ 380.5 (€ 532 mi). O clube foi adquirido, em 2005, por £ 790 mi (€ 1.1 bi) e está avaliado, hoje, em £ 1.65 bi (€ 2 .3 bi), com o segundo maior faturamento entre clubes de futebol no mundo, atrás apenas do Real Madrid CF.

Avram, Joel, Bryan e Edward Glazer – agora sem o patriarca Malcolm, falecido em 2014 – que tiveram problemas de segurança quando chegavam a Old Trafford, anos atrás, são os mesmos que assistem atualmente os jogos na tribuna de honra de Old Trafford ao lado dos venerandos Sir Alex Ferguson e Sir Bobby Charlton.

O valor do clube é que mudou. É muito maior agora. Em todos os sentidos.



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