Da debacle espanhola à emocionante pelada entre Colômbia e Inglaterra, um balanço das oitavas da Copa.



A disputa das oitavas de final da Copa do Mundo da Rússia apresentou de tudo um pouco .

A Argentina confirmou que era uma seleção desequilibrada, desorganizada, vulnerável, mas ainda assim lutou até o último minuto contra a eliminação pela França. A seleção de Didier Deschamps está entre aquelas que contam com um dos melhores elencos da atualidade, mas que ainda está distante de confirmar tudo o que dela se espera. Neste confronto com a Argentina, finalmente, entretanto, a seleção francesa apresentou lampejos do futebol que tem potencial para produzir, além de ter presenteado os amantes do futebol com um show do jovem prodígio Kylian Mbappé.

A Espanha naufragou na sua própria perplexidade tanto organizativa quanto tática. Aprofundou as contradições que seu modelo de jogo tem enfrentado há, pelos menos 6 anos, sem perspectiva de superação. Bateu recordes de posse de bola e troca de passes estéreis e sucumbiu diante da modesta, mas vibrante seleção da Rússia. Os anfitriões se valeram da energia natural de jogar em casa e garantiram uma classificação histórica.

O Uruguai teve contra Portugal sua melhor performance no torneio. A seleção de Óscar Tabárez ratificou sua organização tática, a intensidade e aplicação de seus jogadores e se valeu do altíssimo nível de sua fabulosa dupla Suárez/Cavani para se impor com autoridade sobre a atual campeã europeia. O brilho das primeiras duas partidas de Cristiano Ronaldo foi esmaecendo e acabou por minguar a competitividade da equipe.

Cavani pode ser um desfalque fatal nas quartas (foto – Adrian Dennis/AFP)

A Croácia contou com a sorte e a imponderabilidade relativa da disputa por pênaltis para ultrapassar, no detalhe, uma Dinamarca que a ela se opôs dignamente. Pelo menos nestas oitavas, Modric e Rakitic não repetiram o futebol com que humilharam a Argentina na fase de grupos. A noite inspirada de Kasper Schmeichel por pouco não liderou o que seria uma gloriosa classificação da simpática seleção nórdica.

O Brasil se impôs categoricamente sobre o historicamente perigoso e matreiro México. O confronto começou complicado, mas acabou sendo inteiramente dominado pela Seleção Brasileira, que revelou ser capaz de variar seu sistema tático durante uma partida, sem inclusive precisar da troca de jogadores. A lamentar o oportunismo e a falta de esportividade diversionista de Juan Carlos Osório na coletiva pós-jogo. O simpático e interessante técnico colombiano não soube perder. A reação de Tite não poderia ser mais diplomática e oportuna.

Uma dupla que faz diferença (foto – Instagram)

Bélgica e Japão disputaram uma das partidas mais emocionantes e alopradas das últimas Copas. Qualquer resultado final foi se fazendo factível ao longo do tempo. O Japão descortinou problemas defensivos belgas alarmantes, mas caiu por seus próprios eternos fantasmas que costumam minar seus jogadores em momentos decisivos. O terceiro gol da Bélgica resultou do contra ataque mais espetacular do Mundial até agora.

A Suécia foi sempre mais perigosa que a Suíça na vitória magra, fruto de um gol contra absolutamente casual, mas se valeu de uma organização tática impecável e da força física e mental de seu elenco. O time que empatou com o Brasil provou que não sabe o que fazer quando controla o jogo. Nestes momentos foi tão improdutivo contra os suecos quanto fora contra o Brasil.

Colômbia e Inglaterra protagonizaram a pelada mais emocionante da Copa do Mundo. A equipe de José Pekérman foi um desastre tático completo e reagiu apenas a partir da garra de seus jogadores e da incrível presença aérea de Yerry Mina. A Inglaterra foi menos ruim na maior parte da partida, mas se acovardou até sofrer o empate. Impossível ignorar a falta de compostura de jogadores de ambas as seleções. Houve simulação de faltas e de agressões de todos os tipos.

A lamentar dois dias inteiros sem jogos da Copa do Mundo até o Uruguai x França da próxima sexta-feira pela manhã.

 

 

 

 



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