Crise política entre o Reino Unido e a Rússia complica a vida de Abramovich e pode afetar o Chelsea



O proprietário do Chelsea FC, o russo Roman Abramovich, de 51 anos, provavelmente terá que fornecer explicações sobre a origem de sua imensa fortuna antes de receber um novo visto no Reino Unido. Segundo a revista Forbes ele é o 137º homem mais rico do mundo, com um patrimônio calculado em US$ 7.9 bilhões.

Seu visto anterior concedido em abril de 2015 expirou. As condições de obtenção do visto na época eram menos rígidos do que as atuais.

O fato é que após o envenenamento do ex-espião russo Sergei Skripal e sua filha Yulia, em Salisbury, na Inglaterra, o governo deflagrou um rigoroso ataque contra os investidores ricos estrangeiros que chegam ao Reino Unido.

Portanto, a partir das regras estabelecidas em 2015, Abramovich enfrentará padrões mais rígidos ao tentar  novamente obter seu novo visto de nível 1. Ele terá de fazê-lo fora do Reino Unido, provavelmente na Rússia.

Estes pedidos podem ser reprovados se os funcionários do governo concluírem que o dinheiro do postulante foi ganho ilegalmente ou se não estiver clara sua origem. A concessão de um visto nestas circunstâncias seria encarada como desaconselhável. Os novos critérios derrubaram em 84% no pedido de vistos de investidores estrangeiros.

Abramovich, que adquiriu o clube em 2003, não esteve presente na vitória do Chelsea sobre o Manchester United por 1 a 0 na final da FA Cup, no último sábado, em Wembley. O certo é que ele compareceu a uma audiência na justiça da Suíça no dia anterior.

Roman Abramovich é o único dono do Chelsea (foto – chelseafc.com)

Um representante de Abramovich, segundo jornais britânicos, se recusou a comentar a assunto, que considera de “caráter pessoal”.

O cenário político em que o bilionário russo busca a renovação de seu visto para retornar a Londres não poderia ser mais complicado. Autoridades russas acusaram ontem o Reino Unido de negar vistos a cidadãos de seu país como um instrumento de pressão no crescente impasse político entre Moscou e Londres.

A verdade que ninguém sabe onde Abramovich se encontra nos últimos dias. Segundo o diário inglês The Guardian dados de rastreamento disponíveis publicamente mostraram que um jato da Gulfstream que pode estar sendo utilizado pelo russo, voou do sul da França, onde é ele possuí uma mansão em Cap d’Antibes, para a Suíça na quinta-feira antes da audiência. O mesmo avião voou de volta ao sul da França na sexta-feira. Informações obtidas no rastreamento público mostram que o iate de luxo Eclipse, de Abramovich, também está ancorado atualmente em Antibes.

Ainda segundo informações do Guardian, seu Boeing 767 voou pela última vez de Moscou para Nice em 8 de maio, de acordo com dados públicos do site FlightRadar24.

Do ponto de vista do Chelsea a ausência de Abramovich começa a preocupar. Ainda que o clube tenha uma gestão profissionalizada a liderança discreta publicamente do russo está longe de ser pequena. Abramovich tem na advogada russa Marina Granovskaia e no economista ucraniano Eugene Tenenbaum seus mais próximos representantes na cúpula do clube, mas sua participação sempre foi intensa e decisiva nas decisões estratégicas.

A mais premente das decisões a ser tomada pela direção do Chelsea é a provável demissão do técnico italiano Antonio Conte. Neste caso o clube londrino contratará o 11º treinador diferente nos 15 anos do reinado Abramovich.  A outra investida que poderá ser retardada é a contratação do atacante polonês Robert Lewandowski, atualmente no Bayern de Munique, tido por muitos como o alvo prioritário do clube para a próxima temporada.

O Chelsea está em 8º lugar em termos de faturamento na Europa. Na temporada 2016/17 ele arrecadou 428 milhões. O clube chegou na 5ª posição na Premier League 2017/18.



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