Clubes reunidos em Montevidéu decidem fundar a Liga Sul-Americana



Como este Blog reclamou alguns dias atrás a hora de mudar a Copa Libertadores chegou. Foi com este espírito que 15 clubes sul-americanos se reuniram por 5 horas nesta segunda-feira no Hotel Radisson de Montevidéu: River Plate, Boca Juniors, Racing e San Lorenzo, da Argentina; Peñarol, Nacional e River Plate, do Uruguai; Colo Colo, Universidad do Chile e Universidad Católica, do Chile; Olimpia e Cerro Porteño, do Paraguay; Liga Deportiva Universitaria (LDU), do Equador, e Sporting Cristal e Melgar, do Peru. Nenhum clube brasileiro esteve presente.

A ideia central do encontro foi a criação da Liga Sul-Americana dos Clubes que venha a explorar a comercialização dos direitos de TV das competições organizadas pela entidade, que hoje são de propriedade da CONMEBOL, de acordo com o artigo 69 do regulamento da competição. Além disto, os clubes entendem que o estatuto da entidade precisa ser reformado de modo a que, dentre outras alterações, um representante da nova Liga venha a fazer parte do Comitê Executivo. A proposta de regulamento da Liga deverá ser apresentada aos clubes no prazo de 30 dias.

Ache, ex-presidente do Nacional, falou pelos clubes (nacional.uy)

Eduardo Ache, ex-presidente do Nacional, falou pelos clubes (foto: nacional.uy)

Finalmente, os dirigentes dos principais clubes do continente perceberam a fragilidade política da entidade continental e resolveram agir na direção de defender seus interesses e elevar o nível de organização a um novo patamar.

A curto prazo os clubes exigem que a cota por partida seja paga a cada equipe 7 dias anteriores do jogo e que seja extinta  a taxa de 10% a que a CONMEBOL tem direito de todas as receitas. Os clubes também estão decididos a participar do processo de escolha do novo presidente da entidade cuja eleição está marcada para o próximo dia 26. Até agora os candidatos são o uruguaio Wilmar Valdez

Segundo declarou ao diário espanhol “El País” o ex-presidente do Nacional de Montevidéu, Eduardo Ache, “a FIFA, no fundo, administra a paixão pelo futebol. Já as entidades como a CONMEBOL tem a obrigação de agregar valor. A única coisa que fazem até agora é administrar aquilo que nossos clubes geram. O que está acontecendo neste momento é um despertar democráticos das bases”.

Ainda segundo Ache, na reunião que foi realizada a portas fechadas em Montevidéu, não se conversou sobre a prisão do ex-presidente da CONMEBOL, Eugenio Figueredo, nem sobre a provável convocação para depoimento pela justiça uruguaia do secretário geral da entidade, Gorka Villar, para que ele esclareça seus procedimentos algo ameaçadores junto a clubes daquele país. Entretanto Ache acredita que ” está claro, hoje, que a Confederação terá que tomar algumas atitudes e que o próprio presidente tenha que explicar a situação dos dirigentes da entidade”.

O presidente Valdez é candidato à reeleição (foto - conmebol.com)

O presidente Wilmar Valdez é candidato à reeleição da entidade (foto – conmebol.com)

Para o presidente do Peñarol, Juan Pedro Damiani, “a reunião tomou decisões importantes. Tomara que seja um ponto de inflexão para o futebol sul-americano. Os clubes são os verdadeiros protagonistas, não apenas os que fazem a CONMEBOL, mas os que formam os melhores jogadores do mundo, que em sua grande maioria, saem deste continente. Espero que haja um antes e um depois para o futebol sul-americano”.

Ao final da reunião, os 15 clubes presentes resolveram solicitar uma reunião de urgência com o presidente da CONMEBOL,  o uruguaio Wilmar Valdez, para que os temas discutidos no encontro desta segunda-feira em Montevidéu sejam tratados antes do início da Copa Libertadores 2016 no início do próximo mês. Os clubes também estão decididos a participar do processo de escolha do novo presidente da entidade cuja eleição está marcada para o próximo dia 26. Até agora os candidatos são o atual presidente e o paraguaio Alejandro Domínguez, presidente da Associação de Futebol do Paraguai.

Valdez, interessado em manter um bom relacionamento com os clubes antes do pleito em que busca a reeleição, declarou ao diário argentino “Olé” que “a Copa Libertadores não corre risco a partir das exigências dos clubes. Se o movimento tem o objetivo de melhorar, estou de acordo com a iniciativa. Não concordo com a maneiro que o futebol foi gerido nos últimos 30 anos. Os clubes desejam conhecer os valores e melhorar os contratos. Isto é bem vindo, mas tudo a seu tempo.”

 

 

Atualizado às 17:20h de 12/01/2015



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